Porta-voz iraniano afirma que operação militar em Gaza foi ordenada por Marco Rubio, demonstrando cumplicidade americana no que chama de genocídio palestiniano. Irão apela à comunidade internacional para adotar medidas contra Israel, descrevendo-o como regime ocupante, genocida e terrorista que desrespeita limites legais e humanos.
Irão acusa Israel de genocídio com cumplicidade dos EUA
Manter relações com um regime genocida equivale a normalizar as suas ações
O Irão está a afirmar que Marco Rubio ordenou esta ofensiva? Como é que chegam a essa conclusão?
Segundo o porta-voz iraniano, Rubio estava em Washington durante uma visita oficial, e o Irão conecta a sua presença ao timing da operação. Para Teerã, isto demonstra que a decisão não foi apenas israelita, mas coordenada com Washington.
Mas isso é uma alegação, não é um facto verificado. Nenhuma fonte americana ou israelita confirmou que Rubio ordenou a operação. O Irão está a fazer uma conexão entre dois eventos — a visita e o ataque — sem evidência pública de coordenação direta.
E quanto aos números de mortos? 64 mil pessoas é um número muito grande. Quem o está a contar?
Esses números vêm do Governo de Gaza, que é controlado pelo Hamas. A ONU considera-os fiáveis, o que lhes dá algum peso internacional, mas é importante notar que vêm de um lado do conflito.
Exatamente. A ONU diz que os números são "fiáveis", mas isso não significa que sejam verificados de forma independente em tempo real. São estimativas baseadas em registos do Ministério da Saúde de Gaza. Outras fontes, incluindo Israel, contestam estes números.
O Irão está a chamar isto genocídio. Isso é uma acusação legal séria. Quem mais está a usar essa linguagem?
O Hamas também descreveu a ofensiva como genocídio e limpeza étnica sistemática. Mas é verdade que ambos os atores têm incentivos para usar essa linguagem — é politicamente poderosa.
Genocídio é uma categoria legal específica definida pela Convenção para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio. Requer intenção de destruir um grupo. Tribunais internacionais, como a Corte Internacional de Justiça, têm casos abertos sobre isto, mas nenhuma decisão final foi proferida. Chamar-lhe genocídio é uma posição política, não um facto estabelecido.
Há 47 reféns ainda em Gaza. Isso muda a dinâmica?
Muda completamente. Israel diz que 25 deles já morreram, o que significa que há ainda 22 potencialmente vivos. Isso cria uma pressão enorme sobre Israel — qualquer operação militar arrisca as suas vidas.
Mas não sabemos se esses 25 morreram durante a guerra ou se já estavam mortos antes. E não temos confirmação independente de quantos estão realmente vivos. É um ponto de grande incerteza.
The Pulse
- Porta-voz iraniano Esmaeil Baqaei acusa Marco Rubio de ordenar a ofensiva em Gaza
- Mais de 64 mil mortos e 160 mil feridos em quase dois anos de guerra em Gaza
- 47 reféns permanecem detidos em Gaza, 25 presumivelmente falecidos segundo Israel
- Guerra iniciada em 7 de outubro de 2023 com ataque do Hamas que causou 1.200 mortos
Porta-voz iraniano afirma que operação militar em Gaza foi ordenada por Marco Rubio, demonstrando cumplicidade americana no que chama de genocídio palestiniano. Irão apela à comunidade internacional para adotar medidas contra Israel, descrevendo-o como regime ocupante, genocida e terrorista que desrespeita limites legais e humanos.
O Irão condenou a ofensiva israelita em Gaza, acusando Israel de cometer genocídio sob supervisão dos EUA, alegando que a ordem partiu do secretário de Estado Marco Rubio.
O governo iraniano condenou nesta quarta-feira a operação militar de grande envergadura lançada por Israel contra a Cidade de Gaza no dia anterior, acusando o país de perpetrar genocídio sob supervisão direta dos Estados Unidos. A declaração veio através de Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, que atribuiu a ordem para iniciar a ofensiva ao secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, durante uma visita oficial a Washington. Para Teerã, esta sequência de eventos constitui prova inequívoca da cumplicidade americana no que descreve como genocídio na Palestina ocupada.
Baqaei, citado pela agência de notícias iraniana Tasnim, caracterizou o regime israelita como um poder que "repetidamente demonstrou desrespeito por qualquer limite legal, moral ou humano". O porta-voz iraniano apelou à comunidade internacional para tomar "medidas imediatas" contra o que qualificou como belicosidade e agressão israelita. Simultaneamente, advertiu que manter relações diplomáticas com um "regime ocupante, genocida e terrorista" equivale a normalizar as suas ações, uma crítica que parece dirigida tanto a potências ocidentais como a nações regionais.
O discurso iraniano enquadra a questão palestiniana como uma ameaça que transcende as fronteiras do Médio Oriente. Baqaei sublinhou que os países da região partilham preocupações comuns relativamente às ameaças representadas pelo regime israelita, mas acrescentou que "este não é um problema específico da região, mas uma ameaça global". Esta framing amplia o apelo para ação internacional, posicionando o conflito como questão de segurança planetária.
O Hamas, entretanto, já tinha reagido à ofensiva terrestre de grande escala contra a Cidade de Gaza, descrevendo-a como "um novo capítulo na guerra genocida e na limpeza étnica sistemática" contra os palestinianos. A organização argumentou que a invasão agrava ainda mais a catástrofe humanitária no enclave. Esta caracterização alinha-se com a retórica iraniana, embora provenha de um ator diferente no conflito.
O contexto desta escalada é o de quase dois anos de guerra contínua na Faixa de Gaza. Segundo números do Governo de Gaza, controlado pelo Hamas e considerados fiáveis pela ONU, morreram mais de 64 mil pessoas e mais de 160 mil ficaram feridas, maioritariamente em consequência de ataques israelitas. A guerra começou em 7 de outubro de 2023, quando um ataque liderado pelo Hamas no sul de Israel causou 1.200 mortos e resultou no sequestro de 251 pessoas.
Atualmente, 47 reféns permanecem detidos em Gaza, dos quais 25 são presumivelmente falecidos segundo o Exército israelita. A questão dos reféns mantém-se como um ponto crítico de tensão, enquanto a ofensiva militar prossegue. A acusação iraniana de genocídio sob supervisão americana, embora não verificada de forma independente quanto à alegada ordem de Rubio, reflete a polarização profunda que caracteriza o conflito e as suas implicações geopolíticas mais amplas.
Notable Quotes
O regime sionista demonstrou repetidamente que não respeita quaisquer limites legais, morais ou humanos— Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão
Este não é um problema específico da região, mas uma ameaça global— Esmaeil Baqaei