A guerra é contra os BRICS, contra a integração, contra a soberania
No limiar de uma reconfiguração da ordem global, a cúpula dos BRICS no Rio de Janeiro em julho carrega um peso que vai além da diplomacia convencional: o destino do Irã tornou-se, segundo o analista Pepe Escobar, um espelho do destino do próprio projeto multipolar. O ataque americano à usina de Fordow não seria um ato isolado, mas um movimento calculado para cortar as artérias que conectam civilizações fora da órbita ocidental. O que se debate no Rio, portanto, é menos sobre um país e mais sobre a capacidade coletiva de nações não-ocidentais de escreverem sua própria história econômica e política.
- O ataque dos EUA à usina nuclear iraniana de Fordow acendeu um alarme entre analistas geopolíticos: para Escobar, foi uma declaração de guerra não ao Irã, mas aos BRICS como projeto civilizatório.
- Corredores vitais de integração — a Nova Rota da Seda, o eixo Rússia-Irã-Índia, as rotas China-Europa — estão na mira de uma estratégia que busca isolar e fragmentar o mundo multipolar antes que ele se consolide.
- No Fórum de São Petersburgo, economistas como Paulo Nogueira Batista Jr. deixaram o tom diplomático de lado e defenderam abertamente a ruptura com o sistema de Bretton Woods e a criação urgente de mecanismos alternativos ao dólar.
- A cúpula do Rio emerge como um teste existencial: os BRICS terão de demonstrar coesão política real e capacidade de resposta concreta, ou arriscar ver seu projeto de integração desmantelado peça por peça.
A cúpula dos BRICS marcada para julho no Rio de Janeiro chega carregada de uma questão que não pode ser contornada: o Irã. Para o analista geopolítico Pepe Escobar, o ataque americano à usina nuclear de Fordow, ordenado por Donald Trump, não é um episódio isolado — é o primeiro movimento visível de uma estratégia coordenada contra o coração do projeto multipolar.
Em entrevista à TV 247, Escobar foi categórico: a guerra não é contra o Irã. É contra os BRICS. Contra a China, contra a Rússia, contra toda a rede de integração que ameaça a hegemonia do dólar e das instituições de Bretton Woods. O que está em disputa são os corredores de conectividade que países em desenvolvimento construíram fora do controle ocidental — a Nova Rota da Seda, o Corredor Internacional Norte-Sul, os eixos que ligam China, Irã e Europa, e a rota que conecta Rússia, Irã e Índia. Neutralizar o Irã, na leitura do analista, é cortar essas artérias antes que se tornem irreversíveis.
Escobar trouxe ainda relatos do Fórum Econômico de São Petersburgo, onde o economista Paulo Nogueira Batista Jr. foi além do discurso diplomático habitual. Segundo Escobar, Nogueira Batista defendeu abertamente a ruptura com Bretton Woods e a construção imediata de um novo sistema econômico — não como promessa futura, mas como necessidade presente.
O encontro do Rio, na visão do analista, precisará estar à altura desse momento. Não se trata apenas de debater o Irã, mas de definir como os BRICS vão proteger seus corredores de integração e construir alternativas reais a um sistema que os exclui. Escobar estará no Brasil nos dias 9 e 10 de julho, participando de conferências no Rio e em São Paulo, onde aprofundará essas análises. A cúpula, portanto, será um teste de coesão, de vontade política — e, segundo essa leitura, de sobrevivência do próprio projeto multipolar.
A cúpula dos BRICS marcada para julho no Rio de Janeiro terá um tema que não pode ser evitado: o Irã. Segundo o analista geopolítico Pepe Escobar, o recente ataque americano à usina nuclear de Fordow, ordenado pelo presidente Donald Trump, não é um incidente isolado, mas parte de uma estratégia coordenada muito mais ampla. Em entrevista à TV 247, Escobar foi direto: a guerra não é apenas contra o Irã. É contra os BRICS como um todo — contra a China, contra a Rússia, contra todos os parceiros estratégicos que formam essa rede de integração emergente.
O que está em jogo, segundo Escobar, é a capacidade dos países em desenvolvimento de construir corredores de conectividade fora do controle ocidental. A Nova Rota da Seda, o Corredor Internacional Norte-Sul, as rotas que ligam China, Irã e Europa, o eixo que conecta Rússia, Irã e Índia — tudo isso é alvo. Ao neutralizar o Irã, argumenta o analista, o império americano tenta cortar essas artérias de integração econômica e política que ameaçam a hegemonia do dólar e das instituições de Bretton Woods.
Escobar também trouxe relatos do Fórum Econômico de São Petersburgo, onde a discussão central girou em torno de mecanismos alternativos de pagamento. O economista Paulo Nogueira Batista Jr., que representou o Brasil no evento, foi além do discurso diplomático convencional. Segundo Escobar, Nogueira Batista defendeu abertamente a ruptura com o sistema de Bretton Woods e afirmou que os BRICS precisam construir um novo sistema econômico agora, não em algum futuro indefinido.
Para Escobar, o ataque ao Irã é apenas o primeiro movimento de um projeto muito mais vasto: sabotagem sistemática ao mundo multipolar que está emergindo. Não é sobre energia nuclear ou tecnologia. É sobre integração, soberania, e a capacidade de nações não-ocidentais de determinar seu próprio futuro econômico. O encontro do Rio, na visão do analista, precisa estar à altura desse desafio — precisa debater seriamente como os BRICS vão responder, como vão proteger seus corredores de integração, e como vão construir alternativas reais ao sistema que os exclui.
Escobar estará no Brasil nos dias 9 e 10 de julho, participando de conferências no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde aprofundará essas análises. A cúpula dos BRICS, portanto, não será apenas um encontro de líderes. Será um teste de coesão, de vontade política, e de capacidade de resposta a uma pressão que, segundo essa leitura, é existencial para o projeto multipolar.
Notable Quotes
A guerra é contra os BRICS. É contra o Irã, contra a China, contra a Rússia e também contra os parceiros estratégicos da organização— Pepe Escobar, analista geopolítico
Os BRICS têm que construir um novo sistema já, não amanhã— Paulo Nogueira Batista Jr., economista que representou o Brasil em São Petersburgo, conforme relatado por Escobar
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que você acha que o Irã é tão central para os BRICS? Não seria apenas um aliado entre vários?
Porque o Irã é geograficamente e estrategicamente o ponto de conexão entre os eixos que importam. Liga a China à Europa, a Rússia à Índia. Se você quer desmantelar a integração, você ataca ali.
Mas os EUA sempre atacaram o Irã. O que há de novo nisso?
A diferença é que agora esses ataques não são apenas contra o Irã isolado. São contra a capacidade do Irã de funcionar como nó de uma rede maior. É coordenado com pressão contra a China, contra a Rússia.
E o que os BRICS podem fazer? Têm poder militar para responder?
Não é sobre poder militar direto. É sobre construir alternativas econômicas que o dólar não controla. Sobre criar corredores de comércio e pagamento que funcionem independentemente.
Então a cúpula do Rio é uma chance de fazer isso?
É a chance de declarar que vão fazer isso. De sair de lá com compromissos reais, não apenas palavras. Isso é o que Escobar está dizendo que precisa acontecer.