Irã nega assinatura de acordo no domingo e critica 'insistência incomum' de Trump

A guerra matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano, e elevou drasticamente os preços globais de energia.
Insistência incomum motivada pelo desejo de autopromoção
A crítica iraniana à pressão de Trump para assinar no domingo, seu aniversário.

Em meio a uma guerra que já custou milhares de vidas e abalou os mercados globais de energia, o Irã e os Estados Unidos se encontram num momento delicado: próximos de um entendimento provisório, mas ainda separados por desconfianças profundas sobre intenções e cronogramas. A Guarda Revolucionária Islâmica iraniana desmentiu publicamente o anúncio americano e paquistanês de que um memorando seria assinado no domingo, sugerindo que a pressa de Trump poderia ter mais a ver com seu aniversário do que com a diplomacia. O episódio revela que, mesmo quando a paz parece ao alcance, a distância entre o anúncio e a realidade pode ser a mais difícil de atravessar.

  • A IRGC desmentiu publicamente o anúncio de Trump e do Paquistão, afirmando que o memorando não está finalizado e que a assinatura no domingo definitivamente não ocorrerá.
  • O grupo militar iraniano acusou Trump de pressionar por uma data específica por razões de autopromoção — possivelmente para coincidir com seu aniversário em 14 de junho.
  • Mesmo enquanto diplomatas negociavam, forças americanas abateram drones iranianos que se dirigiam ao Estreito de Ormuz, expondo a tensão militar que persiste sob as conversas de paz.
  • O porta-voz iraniano deixou uma abertura: a assinatura não acontecerá domingo, mas um acordo nos próximos dias não está descartado.
  • O acordo provisório em discussão prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio naval americano, mas as negociações nucleares — o coração do conflito — ficam para depois.

No sábado à noite, enquanto Trump e o Paquistão anunciavam que um acordo provisório seria assinado no dia seguinte, a Guarda Revolucionária Islâmica iraniana desmentiu publicamente a informação. Em comunicado pelo Telegram, a IRGC afirmou que os negociadores iranianos já haviam deixado claro que o memorando não estava pronto e que uma assinatura no domingo simplesmente não aconteceria.

A reação iraniana foi além da negação factual. O grupo criticou o que chamou de "insistência incomum" de Trump com a data e sugeriu que o presidente poderia estar tentando agendar a assinatura para coincidir com seu aniversário, em 14 de junho — transformando um possível acordo de paz em um evento de autopromoção. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, reforçou a posição, mas deixou uma abertura: um acordo nos próximos dias não estava descartado. Ele também esclareceu que o documento em discussão não seria um tratado final, mas um memorando listando os principais pontos de discordância e confirmando o fim da guerra.

O conflito teve início em 28 de fevereiro, quando EUA e Israel lançaram ataques conjuntos contra o Irã. Desde então, milhares de pessoas morreram — principalmente no Irã e no Líbano — e os preços globais de energia dispararam. O primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, atuando como mediador, afirmou que ambos os lados concordaram com uma estrutura para a paz. Um funcionário americano descreveu o acordo como "ótimo" e "muito forte", mas recusou comentar sobre o cronograma — uma cautela que contrastava com o otimismo público de Trump.

O acordo provisório prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio naval americano. As negociações sobre o programa nuclear iraniano — a justificativa declarada para a guerra — ficariam para uma fase posterior. A tensão subjacente ficou evidente quando, horas após o chanceler iraniano afirmar que seu país saíra fortalecido do conflito, forças americanas abateram drones iranianos que se dirigiam ao estreito. Mesmo com negociadores falando de paz, as operações militares continuavam — e o abismo entre anúncio e realidade permanecia considerável.

No sábado à noite, enquanto Donald Trump e o Paquistão anunciavam que um acordo provisório entre os Estados Unidos e o Irã seria assinado no dia seguinte, a Guarda Revolucionária Islâmica iraniana fez questão de desmentir publicamente a informação. Em um comunicado pelo Telegram, o grupo militar afirmou que negociadores iranianos já haviam deixado claro, explicitamente, que o memorando ainda não estava pronto e que uma assinatura no domingo simplesmente não aconteceria.

A reação iraniana foi além da negação factual. A IRGC descreveu o cronograma proposto como um "teste" para sua equipe de negociação e criticou o que chamou de "insistência incomum" de Trump em relação à data. O grupo sugeriu que o presidente americano poderia estar tentando agendar a assinatura para coincidir com seu aniversário, em 14 de junho, transformando um acordo de paz em um evento de autopromoção pessoal. A declaração refletia uma desconfiança clara sobre as motivações por trás da pressão pela data específica.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, reforçou a posição horas antes, afirmando categoricamente que a assinatura não ocorreria no domingo. Ao mesmo tempo, deixou uma abertura: a possibilidade de um acordo nos próximos dias não estava descartada. Baghaei também esclareceu a natureza do documento em discussão, explicando que não se tratava de um acordo final entre os dois países, mas de um memorando que listaria os principais pontos de discordância e confirmaria o fim da guerra. Essa distinção importava porque sugeria que muito trabalho ainda restava a fazer.

O conflito que levou a essas negociações começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques conjuntos contra o Irã. Desde então, a guerra elevou drasticamente os preços globais de energia e matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano, onde o combate reacendeu a disputa entre Israel e o Hezbollah, grupo militante alinhado a Teerã. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, que atua como mediador, afirmou que os dois lados concordaram com uma estrutura para um acordo de paz e que Islamabad se preparava para uma assinatura eletrônica no domingo, seguida de negociações técnicas na semana seguinte.

Um funcionário americano que falou com repórteres no sábado recusou-se a comentar sobre o cronograma, mas descreveu o acordo como "ótimo" e "muito forte". Essa cautela contrastava com o otimismo público de Trump e do Paquistão, sugerindo que mesmo dentro da delegação americana havia incerteza sobre o timing.

O acordo provisório em discussão prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais críticas do comércio global de petróleo, e o levantamento do bloqueio naval americano que vinha reduzindo as exportações iranianas. O Irã mantém o estreito sob bloqueio há meses, enquanto a Marinha dos EUA bloqueia seus portos. Segundo um funcionário americano, o Irã abriria o estreito sem cobrar pedágio, e assim que isso acontecesse, os EUA suspenderiam seu bloqueio. A desminagem do estreito seria parte de uma fase seguinte, com possível participação dos países do G7.

As negociações sobre o programa nuclear iraniano — a justificativa declarada por Trump para iniciar a guerra — ficariam para depois. Horas após o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmar na sexta-feira que seu país havia saído fortalecido do conflito, forças americanas abateram vários drones iranianos de ataque unidirecional que se dirigiam para o Estreito de Ormuz. A ação ilustrava a tensão subjacente: mesmo enquanto negociadores falavam de paz, operações militares continuavam.

Este não era o primeiro momento em que os dois lados pareciam estar à beira de um acordo inicial. Mas desta vez, o desacordo público sobre quando assinar — e as suspeitas iranianas sobre as motivações por trás da data escolhida — deixava claro que a distância entre anúncio e realidade permanecia considerável.

Este não é um acordo final entre o Irã e os Estados Unidos, mas sim um memorando que descreve os principais pontos de discordância e esclarece que a guerra terminará
— Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã
Estamos mais perto de um acordo de paz do que nunca
— Shehbaz Sharif, primeiro-ministro paquistanês
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o Irã reagiu tão duramente à data específica que Trump sugeriu? Parece uma questão menor.

Model

Não é menor quando você está negociando sob pressão militar. O Irã viu a insistência em uma data simbólica — o aniversário de Trump — como uma tentativa de controlar a narrativa. Eles queriam deixar claro que não seriam apressados.

Inventor

Mas o Paquistão, que está mediando, disse que ambos os lados concordaram com a estrutura. Isso não sugere que estavam próximos?

Model

Concordar com uma estrutura é diferente de estar pronto para assinar. O Irã estava dizendo: temos um esboço, mas ainda há muito a resolver. A assinatura no domingo era prematura.

Inventor

O que muda se assinarem segunda-feira em vez de domingo?

Model

Tudo e nada. Simbolicamente, o Irã recupera agência — não está obedecendo ao cronograma de Trump. Praticamente, ganham tempo para resolver detalhes. Mas também correm o risco de que Trump mude de ideia.

Inventor

A questão do Estreito de Ormuz parece ser o núcleo real do acordo.

Model

É. Controlar essa rota é controlar o fluxo de petróleo global. O Irã abrindo-a sem pedágio, em troca dos EUA levantarem o bloqueio — isso é o coração do negócio. O programa nuclear fica para depois.

Inventor

Depois quando? Semanas? Meses?

Model

Ninguém sabe. E essa incerteza é por que o Irã está sendo cauteloso. Eles abrem o estreito, os EUA levantam o bloqueio, e depois? Tudo depende de confiança que não existe.

Contact Us FAQ