Irã confirma condenação de cantora a 74 chibatadas por apresentação sem hijab

Parastoo Ahmadi e oito membros da equipe condenados a 74 chibatadas cada, proibidos de exercer atividades audiovisuais por dois anos e impedidos de deixar o país.
A sentença é definitiva e de cumprimento obrigatório
Ahmadi anunciou a confirmação da condenação em publicação no Instagram após tribunal manter decisão.
Mark

Por que esse caso importa além do Irã? Parece ser uma questão interna de um país.

Mimi

Porque toca em algo que organizações internacionais de direitos humanos consideram tortura. O açoitamento não é uma multa ou prisão — é dor infligida pelo Estado como punição.

Luke

Mas precisamos ser claros: a condenação é real, confirmada por um tribunal iraniano. O que é interpretação é se isso constitui tortura segundo o direito internacional. Diferentes jurisdições discordam.

Mark

E quanto aos outros oito que foram condenados junto com ela?

Mimi

Receberam exatamente as mesmas punições — 74 chibatadas, dois anos sem poder trabalhar em audiovisual, dois anos sem poder sair do país. Eram músicos e membros da equipe de produção.

Luke

O que não sabemos é se todos eles foram igualmente processados ou se alguns negociaram, se alguns apelaram separadamente. O relato foca em Ahmadi.

Mark

Ela é uma figura política, então?

Mimi

Não exatamente. Ela é uma artista que ganhou visibilidade durante os protestos de 2022 sobre o hijab obrigatório. Mas esse concerto específico não era um ato político declarado — era uma apresentação musical.

Luke

Embora o tribunal tenha interpretado como tal. A defesa disse que era artístico, o tribunal disse que era obsceno e violava normas religiosas.

Mark

Então o que acontece agora?

Mimi

Ela cumpre a sentença. Dois anos sem poder trabalhar, sem poder sair do Irã, e em algum momento as 74 chibatadas serão aplicadas.

Luke

Embora não saibamos quando ou em que circunstâncias. O relato não especifica o cronograma de execução da pena corporal.

Mark

E isso é comum no Irã?

Mimi

Organizações de direitos humanos dizem que é parte de um padrão de repressão a artistas que desafiam as normas. Mas cada caso é diferente.

  • Parastoo Ahmadi, 29 anos, condenada a 74 chibatadas por concerto sem hijab em dezembro de 2024
  • Tribunal de Qom manteve sentença em segunda instância; oito outros músicos receberam mesmas punições
  • Proibição de dois anos de atividades audiovisuais e de deixar o país para todos os condenados
  • Vídeo do concerto publicado no YouTube ganhou grande repercussão em menos de 24 horas

Cantora iraniana Parastoo Ahmadi, 29 anos, condenada a 74 chibatadas por desafiar normas religiosas ao cantar sem hijab em concerto publicado no YouTube. Tribunal de Qom manteve sentença de primeira instância; outros oito músicos e integrantes da equipe receberam mesmas punições; defesa argumentou caráter artístico da produção.

A Justiça iraniana confirmou condenação de Parastoo Ahmadi a 74 chibatadas por apresentação musical sem véu em dezembro de 2024, além de proibição de dois anos de atividades audiovisuais e saída do país.

Parastoo Ahmadi, uma cantora de 29 anos nascida em Nowshahr, no norte do Irã, publicou um vídeo no YouTube em dezembro de 2024 que duraria pouco mais de 27 minutos. A gravação mostrava um concerto ao vivo realizado no caravançarai histórico de Deir Gachin, na província de Qom. Nela, Ahmadi aparecia usando um vestido longo preto com os ombros descobertos, cantando sem o hijab, acompanhada por quatro músicos homens. O vídeo se espalhou rapidamente pela internet. Menos de 24 horas depois, as autoridades judiciais iranianas abriram um processo contra ela e os demais envolvidos, acusando-os de realizar o concerto sem autorização e de desrespeitar normas legais e religiosas do país.

Em junho deste ano, um tribunal em Qom condenou Ahmadi a 74 chibatadas. A sentença incluía também uma proibição de dois anos para exercer atividades audiovisuais e uma restrição de dois anos para deixar o país. Oito outros músicos e integrantes da equipe de produção receberam as mesmas punições. A decisão judicial classificou a apresentação como "obscena" e contrária às normas morais e religiosas iranianas. A defesa argumentou que a produção tinha caráter artístico e não envolvia intenção criminosa, mas o tribunal rejeitou essa argumentação.

Na última semana, a Seção 16 do Tribunal de Recurso da província de Qom manteve a condenação sem qualquer alteração. Ahmadi anunciou a confirmação da sentença em uma publicação no Instagram, afirmando que a decisão era definitiva e de cumprimento obrigatório. A artista e membros da equipe haviam sido detidos após a divulgação do vídeo, mas foram posteriormente libertados.

O caso de Ahmadi não ocorre isoladamente. Ela ganhou projeção nacional durante os protestos que varreram o Irã em 2022, após a morte de Mahsa Amini, uma jovem detida pela Polícia da Moral por causa do uso do véu islâmico. Naquela época, Ahmadi lançou a música "Do sangue da juventude da pátria", que também chamou a atenção das autoridades. Desde os protestos de 2022, mulheres iranianas passaram a aparecer em público sem cobrir a cabeça como forma de desobediência civil, enquanto as autoridades mantiveram a aplicação das regras de maneira irregular.

Moein Khazaeli, advogado de direitos humanos do Dadban, um centro de aconselhamento jurídico para ativistas iranianos, caracterizou a sentença como parte de um padrão mais amplo. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, ele afirmou que a imposição de açoitamento contra artistas e ativistas levanta sérias preocupações quanto às obrigações internacionais dos Estados de proibir a tortura e salvaguardar a dignidade humana. Inúmeras organizações de direitos humanos, segundo Khazaeli, consideram o açoite não uma forma legítima de punição, mas sim uma forma de tortura e tratamento desumano.

Barah Ghandehari, diretora de advocacy do Centro para os Direitos Humanos no Irã, descreveu a condenação como um lembrete de que as condições de direitos humanos no país não mudaram, apesar da campanha de propaganda das autoridades iranianas. A atriz iraniano-britânica Nazanin Boniadi também criticou a sentença. Setareh Maleki, atriz iraniana que vive no exílio, disse que a apresentação de Ahmadi teve forte impacto sobre ela.

Ahmadi é compositora e cineasta, formada em direção de cinema pela Universidade Sooreh, em Teerã. Sua condenação reflete a repressão contínua a artistas que desafiam publicamente as normas do regime iraniano, particularmente aqueles que questionam as regras sobre o uso obrigatório do hijab. A confirmação da sentença marca um ponto de inflexão: a artista agora enfrenta dois anos sem poder trabalhar em atividades audiovisuais e sem poder deixar o país.

A imposição de uma sentença de açoitamento contra artistas, ativistas da sociedade civil ou outros cidadãos levanta sérias preocupações quanto às obrigações internacionais dos Estados de proibir a tortura e salvaguardar a dignidade humana
— Moein Khazaeli, advogado de direitos humanos do Dadban
A punição de Ahmadi de 74 chicotadas apenas por cantar e aparecer sem hijab é mais um lembrete de que as condições de direitos humanos no Irã não mudaram
— Barah Ghandehari, diretora de advocacy do Centro para os Direitos Humanos no Irã
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