Irã ameaça petróleo a US$ 200 enquanto mantém ataques apesar de trégua esperada

Mais de 1.300 civis iranianos morreram desde 28 de fevereiro; ataques iranianos mataram pelo menos 11 pessoas em Israel; dois soldados israelenses morreram no Líbano; sete militares norte-americanos morreram e cerca de 140 ficaram feridos.
A vida continua, apesar dos bombardeios noturnos
Um morador de Teerã relata como a população se acostumou com os ataques aéreos que cobrem a capital com fumaça.
Mark

Por que o Irã está ameaçando especificamente o preço de duzentos dólares? Isso é uma estimativa realista ou uma ameaça retórica?

Mimi

É principalmente uma ameaça retórica, mas enraizada em realidade. O Irã está dizendo que se continuar atacando navios no Estreito de Ormuz, o preço pode subir dramaticamente. Vinte por cento do petróleo mundial passa por lá.

Luke

Mas o preço já recuou para noventa dólares. Os mercados não parecem acreditar que chegará a duzentos. Isso sugere que os investidores apostam que Trump resolverá isso rapidamente, não que o Irã conseguirá manter a pressão.

Mimi

Exatamente. O Irã está tentando criar pressão política através da ameaça econômica. Mas até agora, nenhuma trégua foi estabelecida, e o Irã continua atacando navios.

Mark

Então o Irã está perdendo essa batalha de narrativa?

Mimi

Não necessariamente. O Irã conseguiu demonstrar que ainda tem capacidade de atacar mesmo após os bombardeios mais intensos já realizados. Mojtaba Khamenei está ferido e desaparecido, mas o governo continua funcionando.

Luke

Espera — nós sabemos que Mojtaba Khamenei está ferido porque uma autoridade iraniana disse isso à Reuters. Não há confirmação independente. E ele "desapareceu" — mas ninguém sabe se está realmente ferido ou apenas se mantendo seguro.

Mimi

Ponto justo. O que sabemos é que ele não apareceu em público desde os ataques que mataram seu pai, sua mãe, sua esposa e um filho. Isso é fato.

Mark

E quanto aos objetivos de Israel? Eles dizem que continuarão "sem limite de tempo". Isso significa que estão preparados para uma guerra longa?

Luke

Ou significa que não têm um plano de saída claro. Há uma diferença entre estar preparado para uma longa campanha e não ter um fim definido.

Mimi

Israel afirma que quer reduzir a capacidade do Irã de atuar além de suas fronteiras e destruir seu programa nuclear. Mas autoridades israelenses também admitiram, em privado, que o governo iraniano pode sobreviver. Isso sugere que os objetivos podem ser irrealistas.

Mark

Então estamos olhando para uma guerra de atrito?

Mimi

Sim. E quanto mais tempo durar, maior o impacto na economia global. O Estreito de Ormuz permanece inseguro, quatorze navios foram atingidos, e não há sinais de que isso vá mudar em breve.

  • Irã atacou mais três navios mercantes no Golfo Pérsico; quatorze embarcações atingidas desde o início da guerra
  • Estreito de Ormuz permanece inseguro; vinte por cento do petróleo mundial passa por lá
  • Preços do petróleo recuaram de cento e vinte para noventa dólares conforme investidores apostam em resolução rápida
  • Mais de mil e trezentos civis iranianos morreram desde vinte e oito de fevereiro
  • Israel afirma que operação continuará sem limite de tempo até atingir todos os objetivos

Irã lançou ataques contra Israel e alvos no Oriente Médio, mantendo capacidade de afetar fornecimento de energia apesar dos bombardeios intensos dos EUA e Israel. Estreito de Ormuz permanece inseguro com 14 navios mercantes atingidos; preços do petróleo recuaram para US$ 90, mas risco de escalada persiste.

Comando militar iraniano avisa que o mundo deve se preparar para petróleo a US$ 200 o barril após novos ataques no Golfo Pérsico, enquanto a guerra continua sem trégua e ameaça 20% do fornecimento global.

O porta-voz do comando militar iraniano fez uma declaração direta nesta quarta-feira: prepare-se para o petróleo a duzentos dólares o barril. A mensagem veio após o Irã atacar mais três navios mercantes no Golfo Pérsico, elevando para quatorze o total de embarcações atingidas desde o início da guerra. Ebrahim Zolfaqari dirigiu suas palavras aos Estados Unidos, argumentando que o preço da energia depende da estabilidade regional que, segundo ele, foi desestabilizada.

Apesar das declarações do presidente Donald Trump sobre um possível encerramento rápido do conflito, nenhuma trégua foi estabelecida até agora. O Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente vinte por cento do petróleo mundial, permanece perigoso para a navegação comercial. Trata-se da mais grave interrupção no fornecimento de energia desde as crises petrolíferas dos anos setenta. Os mercados reagiram com volatilidade: os preços do petróleo subiram perto de cento e vinte dólares no início da semana, mas recuaram para cerca de noventa dólares conforme investidores apostam em uma resolução rápida do conflito.

O Irã demonstrou capacidade de continuar atacando mesmo após o que o Pentágono descreveu como os bombardeios mais intensos já realizados pelos Estados Unidos e Israel. Na terça-feira, militares iranianos lançaram mísseis contra uma base americana no norte do Iraque, contra o quartel-general naval norte-americano no Bahrein e contra alvos no centro de Israel. Explosões foram ouvidas no Bahrein, e em Dubai quatro pessoas ficaram feridas quando dois drones caíram perto do aeroporto. O Departamento de Aviação Civil do Bahrein deslocou várias aeronaves da Gulf Air e aviões de carga para outros aeroportos para manter as operações durante a crise.

Zolfaqari também anunciou que o Irã atacará bancos que mantenham negócios com os Estados Unidos ou Israel, após escritórios de uma instituição financeira em Teerã serem atingidos durante a noite. Ele recomendou que pessoas em todo o Oriente Médio se afastem dessas instituições. Em Teerã, centenas de milhares de pessoas deixaram a cidade devido aos bombardeios noturnos, que cobriram a capital com fumaça escura de incêndios ligados ao petróleo. Um morador de cinquenta e dois anos, Farshid, relatou à Reuters que se acostumou com os ataques: "Houve bombardeios ontem à noite, mas não fiquei tão assustado como antes. A vida continua."

A situação política interna do Irã também mudou. Uma autoridade iraniana informou à Reuters que Mojtaba Khamenei, filho e sucessor do aiatolá Ali Khamenei, sofreu ferimentos leves no início da guerra quando ataques aéreos mataram seu pai, sua mãe, sua esposa e um filho. Desde então, ele não apareceu em público nem divulgou mensagens. Grandes multidões foram às ruas nesta quarta-feira para funerais de comandantes mortos, carregando caixões, bandeiras e retratos do líder supremo falecido e de seu sucessor.

Autoridades israelenses de alto escalão admitiram à Reuters, em conversas privadas, que o governo iraniano pode sobreviver à guerra. Outras duas autoridades afirmaram que não há sinais de que Washington esteja próximo de encerrar a ofensiva. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que a operação "continuará sem limite de tempo, pelo tempo que for necessário, até atingirmos todos os objetivos e vencermos a campanha". Os objetivos declarados incluem reduzir a capacidade do Irã de atuar além de suas fronteiras, destruir seu programa nuclear e incentivar a população iraniana a derrubar o governo clerical.

O custo humano da guerra é substancial. Mais de mil e trezentos civis iranianos morreram desde o início dos ataques aéreos dos Estados Unidos e Israel em vinte e oito de fevereiro, segundo o embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani. Os ataques iranianos contra Israel mataram pelo menos onze pessoas, e dois soldados israelenses morreram no Líbano. Washington afirma que sete militares norte-americanos morreram e cerca de cento e quarenta ficaram feridos. Quanto mais tempo o conflito persistir, maior será o impacto na economia global. Se a guerra terminar com o governo clerical ainda no poder, Teerã deverá declarar vitória.

Preparem-se para o petróleo chegar a US$ 200 por barril, porque o preço depende da segurança regional que vocês desestabilizaram
— Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando militar do Irã
A operação continuará sem limite de tempo, pelo tempo que for necessário, até atingirmos todos os objetivos e vencermos a campanha
— Israel Katz, ministro da Defesa de Israel
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