IPCA fecha 1º semestre com inflação de 3,36%, maior desde 2022

A aprovação de Lula flutua com a inflação mais que qualquer presidente em 30 anos
Estudo mostra que bem-estar econômico será decisivo nas eleições presidenciais de 2026.

O Brasil encerra o primeiro semestre de 2026 com uma inflação acumulada de 3,36% — a mais alta para o período desde 2022 —, revelando uma economia pressionada entre forças sazonais internas e o choque externo de uma guerra no Irã que encareceu o petróleo e, com ele, o custo de mover e alimentar um país. Em ano eleitoral, os números não são apenas estatísticos: pesquisas indicam que a aprovação do presidente Lula é excepcionalmente sensível ao bolso do cidadão, tornando cada décimo percentual do IPCA um dado com peso nas urnas.

  • A guerra no Irã, iniciada em 28 de fevereiro, funcionou como um acelerador externo, disparando o preço do petróleo e fazendo o diesel subir 15,68% e a gasolina 6,37% no semestre.
  • O tomate virou símbolo da pressão nos mercados, acumulando alta de 82,41% — uma alta que sozinha empurrou 0,16 ponto percentual para dentro do índice.
  • O grupo de alimentos e bebidas respondeu por quase um ponto percentual do IPCA total, concentrando o maior peso da inflação sobre as famílias de menor renda.
  • Em junho, o índice desacelerou para 0,16%, surpreendendo o mercado e sinalizando um possível arrefecimento após os meses mais intensos da pressão alimentar.
  • O governo Lula adotou medidas de contenção às vésperas das eleições, mas estudos apontam que sua aprovação é a mais vulnerável à inflação entre todos os presidentes dos últimos 30 anos.

A inflação brasileira fechou o primeiro semestre de 2026 em 3,36%, o maior acumulado para janeiro-junho em quatro anos, segundo dados divulgados pelo IBGE. Dois vetores principais explicam o resultado: a redução sazonal da oferta de alimentos no início do ano e, de forma mais aguda, a guerra no Irã — deflagrada em 28 de fevereiro —, que elevou as cotações internacionais do petróleo e encareceu combustíveis em todo o país.

O grupo de alimentação e bebidas acumulou 4,56% no período e respondeu por 0,98 ponto percentual do IPCA total. O tomate registrou alta de 82,41%, contribuindo sozinho com 0,16 ponto percentual para o índice. As carnes também pressionaram, com inflação de 5,6%. Nos combustíveis, o diesel fechou o semestre com alta de 15,68%, enquanto a gasolina, com 6,37% de inflação, exerceu a maior pressão individual sobre o índice entre todos os bens e serviços pesquisados.

Nem tudo foi alta: o café moído registrou deflação de 11,49% graças a uma safra mais favorável. E em junho o IPCA desacelerou para 0,16%, após marcar 0,58% em maio, surpreendendo analistas que esperavam números maiores — sinal de que a pressão alimentar começa a arrefecer.

Os números ganham peso político em um ano eleitoral. Segundo o economista Sergio Vale, da MB Associados, a aprovação de Lula em seu terceiro mandato é mais sensível à inflação e ao desemprego do que a de qualquer outro presidente nos últimos 30 anos. O governo já adotou medidas para mitigar os impactos dos combustíveis, mas cientistas políticos alertam que o bem-estar econômico tende a ser decisivo nas eleições presidenciais de 2026.

A inflação brasileira fechou o primeiro semestre de 2026 com um acumulado de 3,36%, o maior para o período de janeiro a junho em quatro anos. Os dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (10) revelam uma economia sob pressão, com dois fatores principais empurrando os preços para cima: a redução sazonal da oferta de alimentos no início do ano e, de forma mais aguda, a guerra no Irã, que disparou as cotações internacionais do petróleo e encareceu combustíveis em todo o país.

Este resultado marca o primeiro semestre com maior inflação do governo Lula. Para efeito de comparação, em 2022 — também um ano presidencial — o acumulado havia sido de 5,49%, mas naquela época o Brasil era governado por Jair Bolsonaro, e a alta dos preços era apontada como um dos principais desafios para sua reeleição. Lula venceu aquele pleito em outubro.

O grupo de alimentação e bebidas foi o principal responsável pela pressão inflacionária, acumulando 4,56% no semestre e respondendo por 0,98 ponto percentual do IPCA total. Entre os alimentos, o tomate se destacou de forma dramática, com uma alta de 82,41% de janeiro a junho, contribuindo sozinho com 0,16 ponto percentual para o índice. As carnes também pressionaram, com inflação de 5,6% e impacto similar. O IBGE observou que as variações mensais do grupo alimentação foram superiores em março, abril e maio de 2026 comparadas ao mesmo período do ano anterior — exatamente quando a guerra no Irã começou, em 28 de fevereiro.

Os combustíveis amplificaram essa pressão. O óleo diesel, insumo essencial para os fretes rodoviários que movem a economia, fechou o semestre com alta de 15,68%. A gasolina, quando analisada individualmente, exerceu a maior pressão sobre o IPCA entre todos os bens e serviços pesquisados, com inflação de 6,37% e contribuição de 0,32 ponto percentual. O governo Lula adotou um pacote de medidas para mitigar esses impactos às vésperas das eleições.

Nem tudo foi alta. O café moído registrou deflação de 11,49% graças a melhores condições de safra, gerando um impacto negativo de 0,07 ponto percentual — a maior contribuição do lado das quedas. Em junho especificamente, o IPCA desacelerou para 0,16%, após marcar 0,58% em maio, surpreendendo analistas do mercado financeiro que esperavam números maiores. A redução dos preços de alimentos após uma sequência forte de altas mensais foi responsável por puxar o índice para baixo.

Os números ganham peso político em um ano eleitoral. Segundo estudo do economista Sergio Vale, da MB Associados, a aprovação de Lula em seu terceiro mandato é mais afetada pelo comportamento da inflação e do desemprego do que a de qualquer outro presidente nos últimos 30 anos. Bolsonaro, no outro extremo, foi o mandatário menos sensível às flutuações desses indicadores, apesar da piora brusca durante a pandemia. Para cientistas políticos, os dados sugerem que o bem-estar econômico tende a ser mais importante do que nunca na decisão dos eleitores em 2026.

A aprovação do petista no seu terceiro mandato é a mais afetada pelo comportamento da inflação e do desemprego entre os presidentes da República nos últimos 30 anos
— Sergio Vale, economista da MB Associados
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a guerra no Irã afeta tanto os preços aqui no Brasil?

Model

O conflito disparou as cotações internacionais do petróleo. Como o Brasil importa combustível, isso encareceu gasolina e diesel nas bombas. O diesel é particularmente crítico porque move os fretes rodoviários — praticamente tudo que chega à sua mesa passou por um caminhão.

Inventor

E o tomate subiu 82%? Isso parece desconectado da guerra.

Model

Não é desconectado, é combinado. Tomate sofre com redução de oferta no início do ano, que é sazonal. Mas em 2026, isso coincidiu com o encarecimento dos fretes. Um tomate que custava um real para chegar à sua mesa agora custa mais porque o caminhão que o transporta queima diesel mais caro.

Inventor

Lula está em desvantagem política por isso?

Model

Mais do que qualquer presidente nos últimos 30 anos. Seu índice de aprovação flutua com a inflação e o desemprego de forma muito mais sensível que o de Bolsonaro. Em um ano eleitoral, isso é crítico.

Inventor

Mas em junho a inflação caiu. Isso muda o jogo?

Model

Pode mudar. Junho marcou 0,16%, bem abaixo do que o mercado esperava. Se os alimentos continuarem caindo e os combustíveis se estabilizarem, a trajetória muda. Mas estamos em julho, ainda há tempo até as eleições.

Inventor

O governo fez algo para controlar isso?

Model

Adotou um pacote de medidas para mitigar os impactos da guerra sobre os combustíveis. Mas há limites para o que um governo pode fazer quando o petróleo sobe no mercado internacional.

Inventor

Então tudo depende do que acontecer no Irã?

Model

Não apenas. Depende também das safras — o café moído caiu 11% porque a colheita foi boa. Depende de decisões de política monetária. Mas sim, a geopolítica está dentro da equação agora.

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