Portugal investe 300 ME para eliminar 155 passagens de nível até 2030

Passagens de nível causam acidentes recorrentes em Portugal, com objetivo de reduzir para menos de 10 acidentes anuais até 2030.
Só não fazemos aquilo que não podemos
O ministro das Infraestruturas insistiu que o Governo vai executar projetos concretos, não apenas anunciá-los.

Em Portugal, onde as travessias ferroviárias têm sido palco de tragédias silenciosas ao longo de décadas, o Governo anunciou um investimento de 300 milhões de euros para eliminar ou automatizar mais de 230 passagens de nível até 2030. A cerimónia em Barcelos — cidade que aguarda há vinte anos por esta transformação — marcou não apenas um compromisso financeiro, mas uma declaração de que a segurança ferroviária deixou de ser promessa para se tornar obra. Por trás dos números e dos prazos, há vidas que dependem de que a palavra 'concretizar' seja, desta vez, cumprida.

  • As passagens de nível continuam a ceifar vidas em Portugal, com acidentes recorrentes que o próprio ministro admitiu acontecerem 'um após outro'.
  • O investimento de 300 milhões de euros revela a escala real do problema: não é uma falha pontual, mas uma vulnerabilidade sistémica que atravessa múltiplas linhas e regiões do país.
  • A primeira empreitada consignada, na Linha do Minho entre Nine e Barroselas, elimina oito passagens e reclassifica três, com conclusão prevista para agosto de 2029.
  • O Governo fixou uma meta ambiciosa — menos de 10 acidentes anuais até 2030 — como medida concreta do sucesso ou fracasso deste plano.
  • Em Barcelos, onde duas passagens em Arcozelo ainda aguardam supressão, o presidente da câmara descreveu o dia como histórico após duas décadas de reivindicações sem resposta.

Em Barcelos, o ministro das Infraestruturas e Habitação apresentou esta quarta-feira um plano de 300 milhões de euros para eliminar 155 passagens de nível e automatizar outras 79 em toda a rede ferroviária portuguesa até ao final de 2030. A motivação é clara e sombria: estas travessias continuam a ser cenário de acidentes repetidos, alguns fatais, que o Governo quer reduzir para menos de 10 por ano.

A cerimónia marcou a consignação de uma empreitada na Linha do Minho, entre Nine e Barroselas, onde oito passagens serão eliminadas e três reclassificadas até agosto de 2029. Miguel Pinto Luz foi direto ao reconhecer a urgência: os acidentes não param, o risco não pode ser eliminado por completo, mas pode ser mitigado com determinação e investimento.

O ministro deixou uma mensagem clara tanto aos críticos como aos parceiros: o Governo não quer apenas anunciar. A prioridade é 'concretizar' — autos assinados, contratos celebrados, obras iniciadas. 'Só não fazemos aquilo que não podemos', afirmou, deixando implícito que tudo o resto será executado.

Para Barcelos, o dia teve um peso especial. A cidade ainda aguarda a supressão de duas passagens em Arcozelo, mas o presidente da câmara, Mário Constantino Lopes, considerou o momento histórico — o início da concretização de uma reivindicação que se arrastava há duas décadas. A espera, finalmente, parecia estar a chegar ao fim.

Em Barcelos, o ministro das Infraestruturas e Habitação anunciou esta quarta-feira um plano de investimento que vai custar mais de 300 milhões de euros até ao final de 2030. O objetivo é direto: eliminar 155 passagens de nível e automatizar outras 79 em toda a rede ferroviária portuguesa. Por trás dos números está uma realidade mais sombria — as travessias de nível continuam a ser o cenário de acidentes recorrentes, alguns deles fatais, que o Governo quer reduzir drasticamente.

Miguel Pinto Luz falava durante a cerimónia de consignação de uma empreitada específica: a supressão de 11 passagens de nível na Linha do Minho, entre Nine e Barroselas. Nesta primeira fase, oito passagens serão eliminadas e três serão reclassificadas. As obras devem estar concluídas até agosto de 2029. O ministro reconheceu a urgência do problema com palavras diretas: continuam a acontecer acidentes, um após outro, nestas infraestruturas. Não é possível eliminar completamente o risco, admitiu, mas é possível mitigá-lo.

A meta estabelecida pela Infraestruturas de Portugal é ambiciosa: reduzir o número de acidentes anuais para menos de 10 até 2030. Isto representa uma mudança significativa face à situação atual, onde as passagens de nível continuam a ser um ponto crítico de segurança na rede ferroviária. O investimento de 300 milhões de euros reflete a escala do desafio — não é um problema marginal, mas uma questão que afeta múltiplas linhas e regiões do país.

O ministro insistiu num ponto que parecia dirigido tanto aos críticos como aos seus próprios colegas: o Governo não quer apenas anunciar projetos em apresentações. A palavra de ordem, disse, é "concretizar". Autos de consignação, contratos assinados, primeiras pedras lançadas — isto é o que conta. "Só não fazemos aquilo que não podemos", afirmou, deixando implícito que tudo o resto será executado.

Em Barcelos, o trabalho já começou. Mas a cidade ainda aguarda a supressão de mais duas passagens de nível, ambas em Arcozelo. Uma ficará a cargo do município, a outra da Infraestruturas de Portugal. Para o presidente da Câmara, Mário Constantino Lopes, o dia foi histórico — não apenas pelo anúncio, mas porque marca o início da concretização de uma reivindicação que vinha sendo feita há duas décadas. A espera, finalmente, parecia estar a terminar.

Continuaremos nesta senda, ritmada, compassada, de forma a que mais rápido que mais tarde possamos eliminar por completo e reduzir drasticamente o número de vítimas e de acidentes nestes equipamentos
— Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas e Habitação
Hoje foi um dia histórico, por significar o início da concretização de uma reivindicação com duas décadas
— Mário Constantino Lopes, presidente da Câmara de Barcelos
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Porque é que as passagens de nível continuam a ser um problema tão grave em Portugal, mesmo com toda a tecnologia disponível?

Model

Porque muitas delas foram construídas há décadas, quando a rede ferroviária foi pensada de forma diferente. Eliminar uma passagem de nível não é apenas fechar uma travessia — é construir um viaduto ou um túnel, redirecionar estradas, coordenar com municípios. É caro e complexo.

Inventor

E por que agora? Por que este investimento de 300 milhões surge em 2026?

Model

Porque os acidentes continuam a acontecer e a pressão política acumulou-se. Barcelos reclama isto há vinte anos. Há um novo Governo que quer mostrar que executa, não apenas promete.

Inventor

Menos de 10 acidentes por ano até 2030 — isso é realista?

Model

Depende do que se entende por acidente. Se for colisões com vítimas, talvez seja possível. Se for qualquer incidente, é mais difícil. Mas o objetivo é claro: reduzir drasticamente, não eliminar completamente.

Inventor

O ministro disse que não é possível eliminar de vez este "flagelo". Isso não soa a derrota?

Model

Não. É honestidade. Enquanto existirem passagens de nível, haverá risco. Mas mitigar o risco é o que se pode fazer agora. Eliminar 155 passagens é um passo real.

Inventor

E as duas passagens que faltam em Barcelos — por que é que uma fica com o município?

Model

Porque nem todas as passagens de nível são responsabilidade da Infraestruturas de Portugal. Algumas cruzam estradas municipais ou têm implicações locais complexas. A responsabilidade é partilhada.

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