Em meio ao pico da pandemia de Covid-19 no Brasil, o INSS reabriu gradualmente cerca de seiscentas agências em setembro de 2020 — menos da metade de suas unidades —, equilibrando a necessidade de atender milhões de segurados com a urgência de proteger vidas. A crise forçou o instituto a reinventar seus processos: antecipou benefícios sem perícia, prorrogou auxílios automaticamente e testou a prova de vida digital. O que começou como resposta emergencial revelou, na prática, uma aceleração inevitável da transformação digital de um dos maiores sistemas de previdência do mundo.
INSS reabre agências e implementa medidas de proteção contra Covid-19
Seiscentas agências reabrindo para quem agendou, com máscara obrigatória
Por que o INSS reabriu apenas seiscentas agências se tem muito mais no país?
Porque ainda havia risco de transmissão. Seiscentas era menos da metade das unidades. Eles queriam testar o modelo com protocolos de segurança antes de abrir tudo.
Mas a gente não sabe quantas agências existem no total. O texto diz "menos da metade", mas não diz o número exato. Pode ser 1.200, pode ser 1.500.
E quem não conseguiu agendar? Ficou sem acesso?
Não completamente. O INSS oferecia praticamente tudo online pelo Meu INSS. Mas para perícia médica, avaliação social, reabilitação profissional — essas coisas precisavam de presença.
Exceto que muita gente não tem acesso à internet ou não sabe usar. O texto não fala disso.
E aqueles que tiveram o auxílio-doença negado enquanto as agências estavam fechadas?
Podiam refazer o pedido em até trinta dias e a data voltava para o primeiro requerimento. Então não perdiam direito.
Se conseguissem fazer isso no prazo. E se soubessem que podiam fazer. Quantas pessoas ficaram sabendo do edital?
A antecipação do auxílio-doença era de um salário mínimo. E se a pessoa ganhava mais?
Recebia a diferença depois, quando a perícia fosse feita e o benefício fosse concedido.
Mas enquanto isso, a pessoa estava com menos dinheiro do que teria direito. E se a perícia negasse o benefício?
Aí não devolvia o dinheiro da antecipação, desde que não houvesse má fé.
Esse projeto de prova de vida com câmera — funcionou?
Era um piloto. Só segurados selecionados testavam. Dependia dos resultados para expandir.
Então a maioria dos beneficiários ainda tinha que fazer prova de vida presencial ou esperar. O texto diz que estava suspenso até setembro, mas não diz quando voltaria para todo mundo.
Il Polso
- Com agências fechadas desde o início da pandemia, milhares de segurados ficaram sem acesso à perícia médica e viram seus pedidos de auxílio-doença negados ou paralisados.
- A reabertura parcial — seis horas por dia, apenas com agendamento, máscaras obrigatórias e temperatura aferida na entrada — revelou a tensão entre a demanda reprimida e os limites impostos pela segurança sanitária.
- O INSS publicou edital convocando segurados prejudicados a reabrirem seus requerimentos em até trinta dias, garantindo retroatividade à data original do pedido.
- Antecipações de um salário mínimo para auxílio-doença e de R$ 600 para o BPC/LOAS foram liberadas sem perícia, desde que acompanhadas de atestado médico legível — e sem cobrança de devolução em caso de negativa, salvo má-fé.
- Um projeto piloto de prova de vida por biometria facial no aplicativo Meu INSS aponta para um futuro em que aposentados não precisarão mais se deslocar anualmente aos bancos para comprovar que estão vivos.
Em meio ao pico da pandemia de Covid-19 no Brasil, o INSS reabriu gradualmente cerca de seiscentas agências em setembro de 2020 — menos da metade de suas unidades —, equilibrando a necessidade de atender milhões de segurados com a urgência de proteger vidas. A crise forçou o instituto a reinventar seus processos: antecipou benefícios sem perícia, prorrogou auxílios automaticamente e testou a prova de vida digital. O que começou como resposta emergencial revelou, na prática, uma aceleração inevitável da transformação digital de um dos maiores sistemas de previdência do mundo.
Em setembro de 2020, com o Brasil ainda no pico da Covid-19, o INSS deu um passo cauteloso: reabriu cerca de seiscentas agências — menos da metade do total — com funcionamento reduzido a seis horas diárias e atendimento exclusivo para segurados com agendamento prévio pelo aplicativo Meu INSS ou pela central 135. Máscaras eram obrigatórias, a temperatura era medida na entrada, bebedouros foram desativados e álcool em gel estava disponível. A orientação era ir sozinho, manter distância e levar água própria em garrafa transparente.
A reabertura, porém, expôs um problema acumulado: muitos segurados que haviam solicitado auxílio-doença desde fevereiro não conseguiram fazer a perícia médica com as agências fechadas, e alguns tiveram pedidos negados por falhas documentais. O instituto publicou um edital convocando esses segurados a reabrirem seus requerimentos em até trinta dias a partir de 14 de setembro, com a garantia de que a data de entrada seria retroativa ao primeiro pedido original.
Para quem já recebia auxílio-doença, o governo autorizou prorrogações automáticas sem perícia — até seis vezes consecutivas — enquanto as agências permanecessem fechadas. O INSS também antecipou pagamentos: um salário mínimo para solicitantes de auxílio-doença que apresentassem atestado médico legível, e R$ 600 para beneficiários do BPC/LOAS. Se o benefício fosse negado posteriormente, não haveria cobrança de devolução, salvo má-fé comprovada.
Outra novidade era o teste de prova de vida digital: em vez do comparecimento anual obrigatório a uma agência bancária, um projeto piloto permitia que segurados selecionados comprovassem sua identidade por biometria facial no celular. Se os resultados fossem positivos, a medida seria expandida a todos os beneficiários. O instituto também passou a permitir a transferência de benefícios pagos por cartão magnético para conta corrente, evitando deslocamentos desnecessários durante a pandemia.
O conjunto dessas mudanças revelou algo maior: a maioria dos serviços do INSS já podia ser resolvida online. Solicitação de benefícios, consulta de pagamentos, extratos, resultados de perícias, procurações, recursos — tudo acessível pelo portal Meu INSS. A pandemia não criou essa possibilidade, mas a tornou urgente e inevitável.
Em setembro de 2020, quando o Brasil ainda enfrentava o pico da pandemia de Covid-19, o Instituto Nacional do Seguro Social começou a reabrir suas portas. Cerca de seiscentas agências retomaram o atendimento presencial em todo o país — menos da metade do total de unidades disponíveis. A reabertura foi gradual e cuidadosa, com funcionamento reduzido a seis horas contínuas por dia, e apenas para segurados que tivessem agendado previamente pelo aplicativo Meu INSS ou pela central telefônica 135.
O instituto estabeleceu um conjunto rigoroso de protocolos de segurança. Apenas pessoas com horário marcado poderiam entrar nas agências. Máscaras eram obrigatórias. A temperatura corporal seria medida na entrada. Os bebedouros foram desativados, e o INSS pediu aos segurados que levassem sua própria água em garrafas transparentes. Álcool em gel 70% estava disponível para higienização das mãos. Quem comparecesse deveria levar o comprovante de agendamento e um documento de identidade. A orientação era clara: evitar acompanhantes desnecessários, manter distância segura entre as pessoas, cobrir a boca ao tossir ou espirrar, não compartilhar objetos pessoais.
Mas a reabertura das agências trouxe um problema administrativo que o instituto precisava resolver. Muitos segurados que haviam solicitado auxílio-doença desde fevereiro de 2020 não conseguiram fazer a perícia médica porque as agências estavam fechadas. Alguns tiveram seus pedidos negados por problemas na documentação. O INSS publicou um edital chamando todos esses segurados para refazerem o requerimento e agendarem novas perícias. Tinham trinta dias, a contar de 14 de setembro, para fazer isso. A boa notícia era que se reabrissem o pedido nesse prazo, a data de entrada seria retroativa — voltaria à data do primeiro requerimento original. A solicitação podia ser feita pelo portal online ou pelo telefone.
Para quem já recebia auxílio-doença, o governo federal autorizou uma prorrogação automática sem necessidade de perícia médica. O INSS poderia fazer isso até seis vezes seguidas, enquanto as agências permanecessem fechadas. O pedido de prorrogação podia ser feito pelo Meu INSS ou pelo 135, com prazo de quinze dias antes do término do benefício.
O instituto também antecipou pagamentos de dois benefícios importantes. Para quem solicitava auxílio-doença, a antecipação era de um salário mínimo — R$ 1.045,00 — sem necessidade de perícia, desde que apresentasse um atestado médico legível, assinado e com carimbo do profissional. Para o Benefício da Prestação Continuada (BPC/LOAS), a antecipação era de R$ 600,00. Se o benefício fosse concedido depois, o valor seria pago a partir da data original do requerimento, descontando o que já havia sido antecipado. Se fosse negado, não seria cobrada a devolução, desde que não houvesse má fé comprovada. Essas antecipações deveriam ser pagas até 31 de outubro de 2020.
O instituto também testava uma inovação: a prova de vida digital. Normalmente, todo ano no mês de aniversário, os aposentados e pensionistas precisavam comprovar que estavam vivos para continuar recebendo o benefício. Esse procedimento era presencial, feito em agência bancária. Agora, um projeto piloto permitiria que segurados selecionados fizessem a prova de vida usando biometria facial, através da câmera do celular, no aplicativo Meu INSS ou no portal Governo Digital. Se os resultados fossem positivos, a medida seria expandida para todos.
Além disso, o INSS permitiu que beneficiários que recebiam por cartão magnético solicitassem a transferência para depósito em conta corrente, evitando deslocamentos aos bancos. A solicitação era feita pelo Meu INSS, e não era necessária autenticação de documentos. O instituto bloquearia o crédito disponível no cartão e emitiria o pagamento diretamente para a conta indicada pelo beneficiário. Essa medida valeria enquanto durasse a pandemia.
Todo esse conjunto de mudanças apontava para uma realidade: a maioria dos serviços do INSS já podia ser resolvida online, pelo portal Meu INSS. Era possível solicitar benefícios, consultar dados de pagamento, retirar extratos para imposto de renda, consultar resultados de perícias, acessar cópias de processos, cadastrar procurações, encaminhar recursos ou pedidos de revisão, solicitar certidão de tempo de contribuição. O instituto estava, na prática, acelerando sua transformação digital não por escolha, mas por necessidade.
Citazioni salienti
Em um primeiro momento, o tempo de funcionamento das agências será parcial, com seis horas contínuas, e o atendimento será exclusivo aos segurados e beneficiários com prévio agendamento pelos canais remotos— Site do INSS