Inovação e sustentabilidade: o desafio de ampliar acesso ao tratamento do câncer

Pacientes com câncer hematológico beneficiam-se de terapias inovadoras como CAR-T, com redução de tempo de internação e permanência em UTI.
Alinha inovação com sustentabilidade, mas deixa aberta a pergunta sobre acesso ampliado
O compartilhamento de risco vincula pagamento a resultados clínicos, mas o desafio maior permanece: garantir que avanços científicos cheguem a todos.
Mark

Por que essa discussão sobre sustentabilidade é tão importante agora? Não era sempre assim?

Mimi

Não. Até alguns anos atrás, a oncologia avançava mais lentamente. Agora temos CAR-T, imunoterapias, terapias alvo-específicas chegando quase simultaneamente. Cada uma é cara. O sistema não consegue pagar tudo para todo mundo sem quebrar.

Luke

Mas quanto custa uma terapia CAR-T? O artigo não diz.

Mimi

Boa pergunta. Não está no texto. Sabemos que reduz internações, mas não sabemos o preço absoluto.

Mark

E esse compartilhamento de risco — como funciona na prática? Quem decide se o medicamento funcionou ou não?

Mimi

Há critérios clínicos estabelecidos antes. Se o paciente atinge remissão, por exemplo, o medicamento cumpriu. Se não, parte do pagamento volta.

Luke

Mas quem define esses critérios? A indústria tem voz nisso?

Mimi

Sim, todos têm. É por isso que o encontro reuniu 130 pessoas de diferentes setores. É negociação.

Mark

E esse meio milhão de reais que voltou — é muito ou pouco?

Luke

Sem saber quanto foi gasto no total, é impossível dizer. Pode ser 1% ou 10% do investimento.

Mimi

Verdade. O artigo não contextualiza o tamanho do mercado.

Mark

Então o modelo está funcionando?

Mimi

Parece estar começando a funcionar. Mas é muito cedo para dizer se resolve o problema de acesso em larga escala.

Luke

E os pacientes que não têm acesso a nenhuma dessas terapias? Eles não aparecem nessa conversa.

Mimi

Não. O encontro focou em como pagar melhor pelos tratamentos que já existem, não em como expandir para quem não tem acesso.

  • Novas terapias oncológicas chegam com eficácia comprovada, mas a velocidade da inovação supera a capacidade dos sistemas de saúde de absorvê-la financeiramente.
  • O modelo de compartilhamento de risco desafia a lógica tradicional do mercado farmacêutico: o fabricante só recebe o valor integral se o medicamento atingir as metas clínicas acordadas.
  • Meio milhão de reais já retornou da indústria aos pagadores — prova de que o modelo funciona, mas também de que nem todo tratamento entrega o que promete.
  • A terapia CAR-T, aplicada em 62 pacientes com cânceres hematológicos, reduziu internações e dias em UTI, sugerindo que inovação de ponta pode, paradoxalmente, aliviar pressão sobre recursos hospitalares.
  • O consenso que emerge do encontro em São Paulo é incômodo: nenhum setor resolve isso sozinho, e a produção de evidências econômicas robustas é tão urgente quanto a pesquisa clínica.

A oncologia avança com terapias cada vez mais precisas, mas cada inovação coloca diante dos sistemas de saúde uma questão que não é apenas técnica — é ética e estrutural: quem terá acesso ao melhor tratamento disponível? Em São Paulo, gestores, operadoras e fabricantes se reuniram para explorar modelos que tentam conciliar o custo da inovação com a responsabilidade coletiva de cuidar. O compartilhamento de risco e a terapia CAR-T surgem não apenas como soluções clínicas, mas como experimentos de um novo contrato entre ciência, mercado e sociedade.

A oncologia vive um momento de transformação real — novas terapias chegam com promessas concretas de melhor controle da doença. Mas cada avanço traz uma pergunta difícil: como oferecer esses tratamentos a quem precisa sem comprometer os sistemas que os financiam?

Essa tensão reuniu mais de 130 pessoas no 5º Encontro A.C.Camargo | Gestão da Sinistralidade e Valor em Oncologia, em São Paulo. Operadoras, fabricantes, gestores e pagadores — todos diante do mesmo problema urgente.

Um dos modelos em debate foi o compartilhamento de risco: em vez de pagar um preço fixo por um medicamento independentemente do resultado, o pagador vincula parte do custo ao desempenho clínico real. Se o tratamento funciona, o fabricante recebe o valor integral. Se não funciona, parte do dinheiro retorna. Desde que o A.C.Camargo passou a intermediar esses acordos, aproximadamente meio milhão de reais voltou da indústria aos pagadores — consequência direta de medicamentos que não atingiram as metas estabelecidas.

A terapia CAR-T também ganhou destaque. O tratamento colhe células de defesa do próprio paciente, modifica-as geneticamente para reconhecer e destruir células cancerígenas, e as reintroduz no organismo. Dados de 62 pacientes tratados entre 2023 e 2026 mostram redução no tempo de internação e nos dias em UTI — o que significa melhor qualidade de vida e menor consumo de recursos hospitalares.

Para o CEO do A.C.Camargo, Victor Piana, o caminho exige construção conjunta. Nenhum ator isolado resolve isso sozinho. O evento reforçou ainda que não basta saber que uma terapia funciona clinicamente — é preciso documentar seus impactos econômicos reais para que negociações sejam informadas e modelos de pagamento reflitam a realidade.

O desafio permanece aberto: a oncologia avança mais rápido do que os sistemas conseguem absorver. Os modelos discutidos em São Paulo são tentativas sérias de resposta. Se conseguirão equilibrar inovação com acesso ampliado, ainda está por ser visto.

A oncologia está em transformação. Novas terapias chegam aos consultórios e aos leitos com promessas reais de melhor controle da doença, mas cada avanço traz consigo uma pergunta incômoda: como oferecer esses tratamentos a quem precisa sem quebrar o sistema de saúde que os financia?

Essa tensão foi o fio condutor do 5º Encontro A.C.Camargo | Gestão da Sinistralidade e Valor em Oncologia, realizado em São Paulo no início de outubro. Mais de 130 pessoas compareceram — operadoras de saúde, fabricantes de medicamentos, empresas pagadoras, gestores. Todos ali porque o problema é real e urgente.

Um dos modelos em discussão é o compartilhamento de risco. A mecânica é direta: em vez de pagar um preço fixo por um medicamento independentemente do resultado, o pagador vincula parte do custo ao desempenho clínico efetivo do paciente. Se o tratamento funciona como prometido, o fabricante recebe o valor integral. Se não funciona, parte do dinheiro volta. A ideia é simples mas radical — alinha os incentivos de quem faz o remédio com os de quem o prescreve e com os de quem o paga. Desde que o A.C.Camargo começou a intermediar esses acordos, aproximadamente meio milhão de reais retornou da indústria farmacêutica aos pagadores, resultado direto de medicamentos que não atingiram as metas clínicas estabelecidas.

Outro destaque do encontro foi a terapia CAR-T, uma das inovações mais significativas da oncologia recente. O tratamento funciona de forma elegante: células de defesa do próprio paciente são colhidas, levadas ao laboratório, modificadas geneticamente para reconhecer e destruir células cancerígenas, e então reintroduzidas no corpo. É medicina de precisão no sentido mais literal. O A.C.Camargo apresentou dados de 62 pacientes tratados com CAR-T entre janeiro de 2023 e abril de 2026, focando em cânceres hematológicos. Os números mostram redução tanto no tempo total de internação quanto nos dias passados em unidades de terapia intensiva — o que significa não apenas melhor qualidade de vida para o paciente, mas também menor consumo de recursos hospitalares.

Para Victor Piana, CEO do A.C.Camargo Cancer Center, o caminho adiante exige construção conjunta. Nenhum ator isolado — nem a indústria, nem o sistema público, nem as operadoras privadas — consegue resolver isso sozinho. O equilíbrio depende de soluções que tragam inovação e sustentabilidade simultaneamente.

O evento também reforçou a importância de produzir evidências robustas. Não basta saber que uma terapia funciona clinicamente. É preciso documentar seus impactos econômicos reais, seus efeitos na ocupação de leitos, seus custos indiretos evitados. Essa produção de dados é o que permite negociações informadas e modelos de pagamento que reflitam a realidade.

O desafio que emerge é claro: a oncologia está avançando mais rápido do que os sistemas de saúde conseguem absorver. Cada novo medicamento, cada terapia celular, cada inovação traz esperança real para pacientes, mas também traz perguntas sobre como financiar, como distribuir, como garantir que não seja apenas quem tem mais dinheiro quem acessa o melhor tratamento. Os modelos discutidos em São Paulo — compartilhamento de risco, análises econômicas rigorosas, parcerias entre setores — são tentativas de responder. Se funcionarão em escala, se conseguirão equilibrar inovação com acesso ampliado, ainda é uma pergunta aberta.

O equilíbrio do sistema de saúde depende da construção conjunta de soluções que promovam acesso e sustentabilidade
— Victor Piana, CEO do A.C.Camargo Cancer Center
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