Na noite de terça-feira, em Culiacán, México, um jovem de 25 anos chamado César Gastélum foi assassinado a tiros enquanto transmitia ao vivo para quase 600 mil seguidores — um momento que condensou, em segundos, a violência endêmica de Sinaloa e a fragilidade da fronteira entre a vida pública digital e o perigo real. Gastélum habitava, como tantos criadores de conteúdo de sua região, o espaço ambíguo entre a cultura popular e a estética do narcotráfico, e as investigações sugerem que essa proximidade simbólica pode ter custado sua vida. O caso não é exceção: é o elo mais recente de uma cadeia
Influencer mexicano César Gastélum é assassinado a tiros durante transmissão ao vivo
O motociclista sacou uma arma e disparou diretamente contra Gastélum
Por que um influenciador que faz vídeos de humor e desafios de comida estaria sendo alvo de uma facção do cartel?
Ele não estava apenas fazendo vídeos. Estava usando símbolos — as letras MZ, o sombrero — que o associavam publicamente a La Mayiza. Em Sinaloa, essas não são apenas estéticas. São declarações de lealdade ou afiliação.
Mas ele era apenas um criador de conteúdo, não um criminoso.
Verdade. Mas em uma região onde a cultura do narcotráfico permeia tudo — os carros, as joias, o estilo de vida que ele exibia — a linha entre glamourizar e estar envolvido fica muito borrada. Especialmente quando você começa a usar os símbolos específicos de um grupo.
Os amigos dele saíram ilesos. Isso sugere que era um alvo específico?
Parece que sim. Dois homens em uma moto, um disparo direto, nenhuma hesitação. Não foi um ataque aleatório. Foi executado como um acerto.
E a transmissão ao vivo? Por que fazer isso enquanto ele estava transmitindo?
Talvez fosse irrelevante para os atiradores — apenas coincidência de timing. Ou talvez fosse intencional, uma mensagem. Quando você mata alguém ao vivo, na frente de 600 mil pessoas, você está comunicando algo além da morte.
O que as autoridades podem fazer agora?
Estão analisando câmeras de segurança, investigando as publicações dele, tentando mapear conexões. Mas em Sinaloa, onde o cartel tem profundo alcance, investigações podem ser lentas ou inconclusivas. O padrão aqui é claro: 12 influenciadores mortos em poucos anos. Ninguém foi responsabilizado.
Le Pouls
- Um homem em motocicleta retornou ao local após uma primeira passagem suspeita e disparou à queima-roupa contra Gastélum, que caiu instantaneamente diante da câmera e de seus seguidores.
- A transmissão ao vivo transformou o assassinato em espetáculo involuntário, expondo centenas de milhares de pessoas ao momento exato da morte de alguém que conheciam pela tela.
- Investigadores mexicanos analisam publicações recentes do influenciador que supostamente fazem referência a La Mayiza, facção do Cartel de Sinaloa, por meio de símbolos como as letras MZ e o uso de sombrero — acessório adotado pelo grupo.
- A presidente Claudia Sheinbaum prometeu investigação completa para identificar tanto os executores quanto o mandante intelectual do crime, em meio a pressão pública crescente.
- O assassinato se insere em um padrão alarmante: cerca de 12 influenciadores foram mortos nos últimos anos em Sinaloa, alguns com vínculos a facções criminosas, tornando a região um dos territórios mais perigosos do mundo para criadores de conteúdo digital.
Na noite de terça-feira, em Culiacán, México, um jovem de 25 anos chamado César Gastélum foi assassinado a tiros enquanto transmitia ao vivo para quase 600 mil seguidores — um momento que condensou, em segundos, a violência endêmica de Sinaloa e a fragilidade da fronteira entre a vida pública digital e o perigo real. Gastélum habitava, como tantos criadores de conteúdo de sua região, o espaço ambíguo entre a cultura popular e a estética do narcotráfico, e as investigações sugerem que essa proximidade simbólica pode ter custado sua vida. O caso não é exceção: é o elo mais recente de uma cadeia de mortes que revela como a visibilidade nas redes sociais, naquele contexto, pode transformar-se em alvo.
César Gastélum estava em frente a um KFC em Culiacán na noite de terça-feira, vestindo laranja junto a dois amigos, participando de um desafio de entrega de comida para suas redes sociais. A transmissão começava como qualquer outra — brincadeiras, conversa leve — quando uma motocicleta passou pelo grupo. Alguém expressou desconforto. Minutos depois, a moto voltou com dois homens. "Não, não, não!", gritou um dos jovens. O passageiro sacou uma arma e disparou contra Gastélum. Ele caiu na hora. Seus dois amigos saíram ilesos. Quase 600 mil seguidores assistiram ao vivo.
Conhecido como "Cesarín", Gastélum criava humor, paródias e reflexões sobre a cultura sinaloense. Seu podcast no YouTube se autoproclamava o "mais bélico" da região, e seus vídeos frequentemente exibiam carros de luxo, fazendas e joias — a estética do narcotráfico como pano de fundo cotidiano. Nove meses antes de morrer, havia anunciado uma pausa nas redes para luto pela morte do pai. Continuou postando assim mesmo.
As autoridades mexicanas abriram investigação imediata. A imprensa local aponta que publicações recentes de Gastélum continham possíveis referências a La Mayiza — facção do Cartel de Sinaloa liderada pelo capo Ismael "El Mayo" Zambada —, com aparições das letras MZ e uso do sombrero, símbolo do grupo. Na própria transmissão de terça-feira, ele e os amigos usavam sombreros. O governo não confirmou oficialmente essa linha de investigação, mas a presidente Claudia Sheinbaum declarou que as autoridades buscarão tanto os autores materiais quanto o mandante intelectual do crime.
O contexto é brutal: La Mayiza e "Los Chapitos" — facção dos filhos de "El Chapo" — travam um conflito sangrento desde 2025, com centenas de mortos em Sinaloa. O assassinato de Gastélum foi comparado ao da influenciadora de beleza Valeria Márquez, morta durante uma live no ano anterior. Cerca de 12 influenciadores foram assassinados na região nos últimos anos. Após a morte de Gastélum, suas redes foram tomadas por mensagens de pêsames — o único espaço que restou para quem o seguia despedir-se de alguém que conheciam apenas pela tela.
César Gastélum estava em frente a um restaurante KFC em Culiacán, na terça-feira à noite, fazendo uma transmissão ao vivo para a plataforma Kick. Ao seu lado estavam dois amigos. Os três vestiam laranja — a cor característica de um aplicativo de entrega de alimentos — e participavam de um desafio de distribuição de comida para suas redes sociais. Outra pessoa operava a câmera. Pouco depois das 20 horas, horário local, a transmissão começou como qualquer outra: brincadeiras, conversa descontraída. Então uma motocicleta passou na frente do grupo. Um dos participantes expressou desconforto. "Esse pessoal me dá medo", disse alguém. Minutos depois, a mesma moto retornou, desta vez com dois homens. "Não, não, não!", gritou um dos jovens. O motociclista sacou uma arma e disparou diretamente contra Gastélum, de 25 anos. Ele caiu instantaneamente. O momento inteiro foi transmitido ao vivo para seus quase 600 mil seguidores no TikTok. Seus dois amigos saíram ilesos.
Gastélum era conhecido entre seus seguidores como "Cesarín". Criava conteúdo de humor, paródias e reflexões sobre o que chamava de cultura sinaloense. Dois anos antes de sua morte, havia lançado um podcast no YouTube intitulado Al Estilo Culiacán, que ele descrevia como o "mais bélico" que havia. Como muitos influenciadores de sua região, ele fazia alusões constantes ao estilo de vida de luxo associado ao narcotráfico — carros de luxo, fazendas, mansões, roupas e joias apareciam regularmente em seus vídeos. Nove meses antes de morrer, havia anunciado que se afastaria das redes sociais para um período de luto pela morte de seu pai e para se dedicar à música. Mas continuou postando e transmitindo.
As autoridades mexicanas iniciaram uma investigação imediata. Segundo o Gabinete de Segurança do governo, estão analisando câmeras de segurança e outros indícios para identificar os responsáveis. Entre as linhas de investigação, encontram-se publicações anteriores de Gastélum que supostamente fazem alusão a uma facção de um grupo criminoso. A imprensa local reporta que o conteúdo recente do influenciador continha possíveis referências a La Mayiza, uma facção do Cartel de Sinaloa liderada pelo capo condenado Ismael "El Mayo" Zambada. Esse grupo é conhecido pela sigla MZ ou pelo apelido "Os do sombrero". Em publicações recentes, Gastélum teria aparecido com as letras MZ e em vídeos usando um sombrero — o acessório adotado pela facção. Na transmissão de terça-feira, ele e os outros participantes também portavam sombreros. O Gabinete de Segurança não confirmou oficialmente que esta seja a alusão mencionada em suas investigações.
La Mayiza mantém um conflito intenso desde 2025 com outra facção do mesmo cartel, "Los Chapitos", liderada pelos filhos do capo condenado Joaquín "El Chapo" Guzmán. Os dois grupos se enfrentaram em Sinaloa, deixando centenas de mortos. O conflito começou após o suposto sequestro de "El Mayo" Zambada, realizado por Joaquín Gusmán López, um dos filhos de "El Chapo". Gusmán López posteriormente se entregeu junto com Zambada às autoridades americanas em julho do ano anterior. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, declarou na quarta-feira que as autoridades "estão procedendo a uma investigação completa para deter os responsáveis e determinar o motivo por que ocorreu este lamentável homicídio". Ela enfatizou a necessidade de identificar tanto os autores materiais quanto o autor intelectual do crime.
O assassinato de Gastélum não é isolado. Cerca de 12 influenciadores foram mortos nos últimos anos em Sinaloa, alguns deles supostamente vinculados a grupos criminosos. O caso foi comparado ao assassinato da influenciadora de beleza Valeria Márquez, que foi morta durante uma transmissão ao vivo no ano anterior. Márquez estava em seu salão de beleza na região de Guadalajara quando foi assassinada. Na semana anterior ao assassinato de Gastélum, o governo mexicano anunciou a captura de Ramón Ángel Álvarez, conhecido como "R1", acusado de ser o mandante do crime contra Márquez. Segundo o secretário nacional de Segurança do México, Omar García Harfuch, o filho de Álvarez havia pedido ao pai que cometesse o feminicídio. Após a morte de Gastélum, suas contas nas redes sociais foram invadidas por mensagens de pêsames de seguidores e colegas criadores de conteúdo.
Citations marquantes
Estão procedendo a uma investigação completa para deter os responsáveis e determinar o motivo por que ocorreu este lamentável homicídio— Claudia Sheinbaum, presidente do México
Entre as linhas de investigação, encontram-se diversas publicações, algumas delas fazendo alusão a uma facção de um grupo criminoso— Gabinete de Segurança do governo mexicano