Inflação da Argentina acelera em julho e volta a superar 2%

A inflação volta a acelerar e quebra o momentum da desinflação
Após três meses de queda, o índice mensal sobe a 2,1% em julho, frustrando expectativas e representando um revés para o governo Milei.
Mark

Por que um aumento de 2,1% em um mês é considerado um revés se a inflação anual ainda está em 33,8%?

Mimi

Porque o governo Milei construiu sua narrativa em torno da desinflação. Três meses seguidos de queda era o sinal de que o plano estava funcionando. Esse aumento quebra o momentum, mesmo que seja pequeno.

Mark

As férias de inverno e a Copa do Mundo são realmente culpadas, ou há algo mais profundo?

Mimi

São fatores reais, mas também são a desculpa conveniente. O que importa é que a inflação núcleo permanece controlada em 1,8%. Se o problema fosse estrutural, veríamos pressão em tudo. Aqui é principalmente serviços discricionários.

Mark

O ministro Caputo fala em "convergência para níveis internacionais". Quanto tempo isso leva?

Mimi

Ele não diz. Ninguém sabe. A Argentina saiu de 300% de inflação anual há dois anos. Chegar a 10% ou 15% é possível, mas exige que a economia cresça enquanto os preços caem. Isso é o equilíbrio impossível que ele está tentando encontrar.

Mark

A medida de empresas tomarem empréstimos em dólares — isso funciona?

Mimi

Teoricamente, sim. Há dólares presos nas mãos de empresas que não sabem o que fazer com eles. Se conseguem emprestar, a moeda circula, a economia se move. Mas é um remédio, não uma cura. A economia precisa de confiança, não só de dólares em circulação.

Mark

Por que o crescimento foi revisto para baixo?

Mimi

Porque austeridade dói. Quando você corta gastos públicos e aperta a moeda, as pessoas gastam menos, as empresas investem menos. O crescimento de 2,7% é melhor que recessão, mas é fraco para um país que precisa se recuperar.

  • A inflação de 2,1% em julho quebrou uma sequência de três meses de queda e superou a mediana de 2% projetada por economistas, reacendendo dúvidas sobre a trajetória de desinflação.
  • Buenos Aires já havia sinalizado o problema dias antes, com inflação de 2,9% na capital — um aviso que o dado nacional confirmou.
  • Férias de inverno e Copa do Mundo pressionaram passagens aéreas e serviços de turismo, fazendo cultura e recreação disparar 5% no mês.
  • O ministro Caputo antecipou o revés, reconheceu o caráter sazonal de julho e anunciou medida para liberar dólares acumulados ao setor produtivo.
  • Economistas projetam inflação de 29,8% para o fechamento de 2026, mas revisaram o crescimento para baixo — de 3% para 2,7% —, expondo a tensão entre austeridade e atividade econômica.

Na Argentina de Javier Milei, julho trouxe um sinal de alerta: a inflação mensal subiu a 2,1%, interrompendo três meses de desaceleração e frustrando a expectativa de economistas. O dado, divulgado pelo Indec, não representa uma crise, mas lembra que o caminho da desinflação raramente é linear — e que fatores sazonais, como férias de inverno e Copa do Mundo, podem embaralhar narrativas de progresso. O governo mantém seu otimismo, mas a tensão entre controlar preços e sustentar o crescimento segue como o dilema central desta experiência econômica.

A inflação mensal da Argentina voltou a subir em julho, chegando a 2,1% e quebrando três meses consecutivos de desaceleração. O resultado, divulgado pelo Indec, ficou acima da expectativa de 2% dos economistas e representa um tropeço para o presidente Javier Milei, que vinha celebrando os avanços no controle dos preços. No acumulado do ano, a taxa chegou a 33,8%, uma leve piora em relação aos 33,5% de junho.

A capital Buenos Aires já havia antecipado o movimento, registrando inflação de 2,9% na semana anterior — acima das projeções e um sinal do que viria no dado nacional. Os principais responsáveis pela aceleração foram fatores sazonais: as férias de inverno e a Copa do Mundo elevaram a demanda por viagens, impulsionando passagens aéreas e serviços de turismo. Cultura e recreação lideraram as altas com 5%, enquanto restaurantes e hotéis subiram 2,8%. A inflação núcleo, por sua vez, ficou em 1,8%, indicando que o núcleo mais persistente dos preços ainda está relativamente contido.

O ministro da Economia, Luis Caputo, reconheceu antes mesmo da divulgação que julho é um mês sazonalmente difícil, mas reafirmou a confiança do governo na desinflação. Ele também anunciou uma medida para estimular a economia: empresas sem receitas em dólares poderão tomar empréstimos na moeda americana, buscando colocar em circulação reservas acumuladas em níveis recordes.

Economistas consultados pelo banco central projetam inflação de 29,8% para o fechamento de 2026, abaixo dos 30% estimados anteriormente. O crescimento, porém, foi revisado de 3% para 2,7% — um reflexo da tensão que define o governo Milei: domar a inflação sem sufocar a atividade econômica, desafio que se torna mais nítido a cada mês que passa.

A inflação mensal da Argentina voltou a acelerar em julho, quebrando uma sequência de três meses em que os preços vinham desacelerando. O índice de preços ao consumidor subiu 2,1% no mês passado em relação a junho, resultado que frustra as expectativas dos economistas, que apostavam em uma alta de 2%. O dado, divulgado pelo instituto de estatísticas Indec na quinta-feira, representa um pequeno revés para o presidente Javier Milei, que vinha celebrando os avanços no controle inflacionário desde sua posse.

O cenário se complica quando se olha para o acumulado do ano. A inflação anual da Argentina chegou a 33,8%, uma leve piora em relação aos 33,5% de junho. Esse movimento ascendente contraria o que economistas esperavam e reacende preocupações sobre a trajetória dos preços na economia argentina. A capital, Buenos Aires, já havia sinalizado esse movimento na semana anterior, com uma inflação de 2,9%, acima das projeções, o que serviu como aviso do que viria no dado nacional.

Os fatores por trás da aceleração são principalmente sazonais. As férias de inverno no hemisfério sul impulsionaram a demanda por viagens e hospedagem, elevando os preços de passagens aéreas e serviços de turismo. A Copa do Mundo também contribuiu para pressionar as tarifas aéreas. Dentro do índice de preços ao consumidor, cultura e recreação lideraram os aumentos, com alta de 5%, enquanto restaurantes e hotéis subiram 2,8%. A inflação núcleo, que exclui itens mais voláteis, ficou em 1,8%, sugerindo que o núcleo duro da inflação ainda está sob controle relativo.

Antes mesmo da divulgação dos números, o ministro da Economia, Luis Caputo, já havia reconhecido que julho é um mês sazonalmente desafiador para os preços. Ele reafirmou a confiança do governo na trajetória de desinflação, descrevendo o processo desde a posse de Milei como "fenomenal". Caputo também anunciou uma medida para estimular a economia: empresas sem receitas em dólares agora poderão tomar empréstimos na moeda americana, uma tentativa de colocar em circulação dólares que estão acumulados em níveis recordes. A medida busca incentivar a atividade econômica, que tem enfrentado dificuldades para ganhar tração, especialmente nos setores que mais geram empregos.

Os economistas consultados pelo banco central em julho mantêm uma visão ligeiramente mais otimista para o fechamento de 2026. As projeções apontam para uma inflação de 29,8% no ano, abaixo dos 30% estimados na pesquisa anterior. O crescimento econômico, porém, foi revisto para baixo: a expectativa agora é de 2,7%, contra 3% projetados em junho. Esses números refletem a tensão que o governo Milei enfrenta: controlar a inflação sem sacrificar o crescimento econômico, um desafio que se torna mais evidente conforme os meses passam e as medidas de austeridade começam a fazer efeito na atividade.

Julho é um mês sazonalmente alto. É uma questão de tempo até a inflação convergir para os níveis internacionais.
— Luis Caputo, ministro da Economia
O processo de desinflação desde que Milei assumiu o cargo é fenomenal.
— Luis Caputo, ministro da Economia
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