Mais da metade das mulheres brasileiras acima dos 40 anos carrega, em silêncio, uma condição que reorganiza suas rotinas, restringe seus movimentos e pesa sobre sua saúde emocional. Uma pesquisa inédita da Ipsos para a Apsen revela que 87% dessas mulheres jamais buscaram tratamento — não por ausência de solução médica, mas porque a vergonha e o tabu ainda falam mais alto do que a necessidade. O que está em jogo não é apenas saúde física, mas o direito de nomear o que se sofre.
Incontinência urinária afeta 56% das brasileiras 40+, mas 87% nunca buscaram tratamento
O silêncio se perpetua dos dois lados do consultório
Por que você acha que 87% das mulheres nunca buscam tratamento se 58% sabem que ele existe?
Porque saber que existe e ter coragem de procurar são duas coisas completamente diferentes. A vergonha funciona como uma barreira invisível, mas muito real.
A pesquisa mostra que 64% das mulheres com mais de 50 anos têm dificuldade de falar sobre isso até com médicos. Como isso acontece?
Porque o tabu é tão profundo que as mulheres internalizaram a ideia de que é algo de que não se fala. Mesmo em um espaço que deveria ser seguro, como um consultório, o constrangimento vence.
E os médicos? 54% nunca foram questionadas sobre perda urinária em consultas de rotina.
Isso sugere que o problema é invisível também para quem deveria estar procurando por ele. Se o médico não pergunta, a mulher não oferece a informação. O silêncio se perpetua dos dois lados.
Qual é o impacto real na vida dessas mulheres?
Elas reorganizam tudo. Planejam onde ir conforme a proximidade de banheiros. Usam absorventes preventivamente. Deixam de fazer exercício. E emocionalmente, 29% sofrem com ansiedade e tristeza aumentadas. É uma vida contraída.
Se o tratamento existe, por que não é mais conhecido?
Porque ninguém fala sobre isso. Não há campanha visível, não há normalização. A mulher fica sozinha com o problema, achando que é anormal, que é só dela. A desinformação prospera no silêncio.
O Pulso
- 56% das mulheres brasileiras com mais de 40 anos convivem diariamente com perda involuntária de urina, uma realidade que reorganiza rotinas inteiras ao redor do constrangimento.
- 87% nunca buscaram tratamento — não por falta de acesso, mas porque vergonha, desinformação e tabu social erguem barreiras mais altas do que qualquer obstáculo clínico.
- O custo emocional é concreto: 29% das mulheres com incontinência mista relatam aumento de ansiedade, tristeza e estresse, e um terço esconde o problema até de familiares.
- Mesmo dentro dos consultórios, o silêncio persiste: 54% das mulheres afetadas nunca foram questionadas por seus médicos sobre perda urinária em consultas de rotina.
- Apsen lança campanha de conscientização com a atriz Helô Pinheiro como embaixadora, apostando que visibilidade pública pode abrir o diálogo que a medicina ainda não iniciou.
Mais da metade das mulheres brasileiras acima dos 40 anos carrega, em silêncio, uma condição que reorganiza suas rotinas, restringe seus movimentos e pesa sobre sua saúde emocional. Uma pesquisa inédita da Ipsos para a Apsen revela que 87% dessas mulheres jamais buscaram tratamento — não por ausência de solução médica, mas porque a vergonha e o tabu ainda falam mais alto do que a necessidade. O que está em jogo não é apenas saúde física, mas o direito de nomear o que se sofre.
Mais da metade das mulheres brasileiras com mais de 40 anos enfrenta perda involuntária de urina no cotidiano. O paradoxo que define o problema está nos números: 56% convivem com a condição, mas 87% jamais procuraram tratamento. Os dados vêm de uma pesquisa inédita conduzida pela Ipsos para a Apsen, que lançou uma campanha de conscientização com a atriz Helô Pinheiro como embaixadora.
O que mantém essas mulheres longe dos consultórios não é falta de acesso médico. É vergonha. É desinformação. É o tabu que ainda envolve o assunto. Renata Spallicci, vice-presidente executiva da Apsen, resume o achado: muitas mulheres simplesmente adaptam suas vidas em torno do problema em vez de buscar solução. Mais da metade das afetadas — 52% — alterou sua rotina para evitar episódios, usando absorventes preventivamente, planejando deslocamentos conforme a proximidade de banheiros ou evitando exercícios físicos. A vida se contrai.
O custo emocional é igualmente pesado. Entre mulheres com incontinência urinária mista, 29% relatam aumento significativo de ansiedade, estresse ou tristeza, e um terço esconde o problema da família e dos amigos. O constrangimento, porém, não fica restrito ao espaço privado: 64% das mulheres com mais de 50 anos dizem ter dificuldade para falar sobre o assunto até com profissionais de saúde, e 54% nunca foram sequer questionadas por seus médicos sobre perda urinária em consultas de rotina.
O conhecimento existe, mas não se converte em ação. Embora 58% das entrevistadas saibam que a condição tem tratamento, apenas 13% fazem acompanhamento especializado. O que emerge desse retrato é uma condição que afeta milhões de brasileiras em silêncio — não por ausência de solução médica, mas por falta de conversa.
Mais da metade das mulheres brasileiras com idade superior a 40 anos enfrenta perda involuntária de urina no dia a dia. Mas aqui está o paradoxo que define o problema: enquanto 56% delas convivem com essa realidade, 87% nunca procuraram qualquer forma de tratamento. Esses números vêm de uma pesquisa inédita conduzida pela Ipsos para a Apsen, que também lançou uma campanha de conscientização com a atriz Helô Pinheiro como embaixadora.
O que mantém essas mulheres longe dos consultórios não é falta de acesso ou impossibilidade médica. É vergonha. É desinformação. É o tabu que ainda envolve o assunto. Renata Spallicci, vice-presidente executiva da Apsen, resume o achado com precisão: muitas mulheres simplesmente adaptam suas vidas em torno do problema em vez de buscar solução. Elas reorganizam rotinas inteiras para evitar constrangimento.
Para quem vive com incontinência urinária, as mudanças são concretas e diárias. Mais da metade das mulheres afetadas — 52% — alterou sua rotina para prevenir episódios. Isso significa usar absorventes, protetores ou fraldas de forma preventiva (33% fazem isso). Significa planejar deslocamentos conforme a proximidade de banheiros (11%). Significa escolher roupas diferentes, evitar certos tipos de movimento. Algumas reduzem ou abandonam a prática de exercícios físicos. A vida se contrai.
O custo emocional é igualmente pesado. Entre mulheres com incontinência urinária mista, 29% relatam aumento significativo de ansiedade, estresse, vergonha ou tristeza. Um terço delas — 33% — esconde o problema ou evita conversar sobre ele com família e amigos. O isolamento se torna parte da condição.
Mas o constrangimento não termina na privacidade do lar. Ele segue as mulheres até o consultório médico. Entre aquelas com mais de 50 anos que têm incontinência urinária, 64% dizem ter dificuldade para falar sobre o assunto, inclusive com profissionais de saúde. Mais impressionante ainda: 54% nunca foram sequer questionadas por seus médicos sobre perda urinária durante consultas de rotina. O tema permanece invisível na prática clínica.
O conhecimento existe, mas não se traduz em ação. Embora 58% das entrevistadas saibam que a incontinência urinária tem tratamento, apenas 13% das mulheres que convivem com a condição fazem algum tipo de acompanhamento especializado. Há também lacunas importantes de informação: 19% das participantes desconhecem que existem diferentes tipos de incontinência urinária, que cada tipo tem tratamentos específicos, ou que o urologista também atende mulheres com esse problema.
O que emerge desses números é um retrato de uma condição que afeta profundamente a vida de milhões de brasileiras, mas que permanece envolta em silêncio. Não por falta de solução médica. Por falta de conversa.
Citações Notáveis
Muitas mulheres ainda deixam de buscar cuidado ou adaptam suas rotinas para lidar com a incontinência urinária— Renata Spallicci, vice-presidente executiva da Apsen