Na noite de domingo, enquanto o Brasil ainda digeria uma votação prolongada por uma decisão de última hora, Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito no segundo turno contra Flávio Bolsonaro, numa virada rara: é a primeira vez que um candidato vence depois de ficar atrás no primeiro turno. Para a imprensa estrangeira, o resultado marca um retorno de peso, o de um líder de 80 anos que contrariou as pesquisas e reabre o debate sobre polarização, legitimidade e o lugar do país na disputa de influências no continente. A história ainda não terminou, porque a contestação prometida pelo outro lado manté
Imprensa internacional repercute reeleição de Lula e aponta virada histórica e polarização no Brasil
Primeira vez que alguém vence no segundo turno depois de perder o primeiro
Por que a imprensa estrangeira deu tanto destaque a essa vitória?
Pelos marcos: primeiro presidente eleito quatro vezes e primeiro a vencer depois de ficar em segundo no primeiro turno. Além disso, o resultado é lido como freio à onda de direita na região.
Mas os veículos divergem no recorte histórico. A AP fala em desde 1985, a CNN em desde 1989. Não são a mesma baliza.
E a prorrogação da votação?
Foi o ponto mais sensível. Um ministro do STF estendeu a votação por duas horas. A CNN cita pedido dos candidatos por chuva e falta de ônibus; o Le Monde fala em restrições impostas por prefeitos.
Duas explicações diferentes para a mesma decisão. E que Flávio vá pedir anulação é o que o Le Monde afirma; a AP só diz que pode haver ações judiciais.
O Clarín traz um detalhe curioso sobre o WhatsApp.
O grupo "Exército de Lula" saiu de 60 mil para mais de 11 milhões de visitantes, segundo o jornal.
É o número de um veículo só, e fala em visitantes, não em membros. Eu trataria como atribuído, não confirmado.
E o silêncio da Casa Branca e de Milei?
O Clarín diz que não houve comentário americano e que o silêncio em Buenos Aires foi ensurdecedor.
Silêncio é leitura do jornal. O que de fato se sabe é que não há reação oficial registrada nesse texto.
O Pulso
- A votação foi prorrogada em duas horas por decisão do STF, em meio a chuvas fortes e cortes no transporte, e isso já alimenta o temor de um resultado contestado.
- Lula venceu no segundo turno, uma virada inédita que surpreendeu pesquisas e analistas em todo o mundo.
- Flávio Bolsonaro deve pedir a anulação da eleição, enquanto a Justiça e os demais atores políticos se preparam para responder.
- Washington se mantém em silêncio e Buenos Aires, com Javier Milei, chama Lula de ditador, o que torna o cenário diplomático mais delicado.
- Marchas de apoiadores se espalham pelo país, e o desfecho segue em aberto sobre o que virá nos próximos dias.
Na noite de domingo, enquanto o Brasil ainda digeria uma votação prolongada por uma decisão de última hora, Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito no segundo turno contra Flávio Bolsonaro, numa virada rara: é a primeira vez que um candidato vence depois de ficar atrás no primeiro turno. Para a imprensa estrangeira, o resultado marca um retorno de peso, o de um líder de 80 anos que contrariou as pesquisas e reabre o debate sobre polarização, legitimidade e o lugar do país na disputa de influências no continente. A história ainda não terminou, porque a contestação prometida pelo outro lado mantém a eleição em suspenso no plano simbólico.
Na noite de domingo, apoiadores de Lula se reuniram na Cinelândia, no Rio de Janeiro, para celebrar a vitória no segundo turno. Em São Paulo, o presidente falou ao lado da mulher, Janja, e do vice Geraldo Alckmin. Do outro lado estava Flávio Bolsonaro, do PL. Horas depois, a imprensa internacional já analisava o resultado.
Os veículos estrangeiros destacaram marcos históricos. Lula se tornou o primeiro presidente eleito quatro vezes e o primeiro a vencer depois de ficar atrás no primeiro turno. O Financial Times lembrou que ele, aos 80 anos, contrariou pesquisas que davam ligeira vantagem ao adversário, e o Clarín observou que nenhuma grande instituto de pesquisa previu o desfecho.
O dia da votação foi marcado por confusão. Um ministro do STF prorrogou a votação em duas horas, em meio a chuvas intensas e à redução da frota de ônibus em algumas regiões. Le Monde classificou a medida como sem precedentes. O New York Times avaliou que o desfecho caótico aumentou a chance de um resultado contestado, e a AP disse que a decisão pode levar Flávio Bolsonaro a recorrer à Justiça.
O peso internacional também apareceu. O New York Times leu a vitória como rejeição ao avanço conservador na América Latina, celebrado por Donald Trump, e lembrou que o pai do adversário foi condenado por tentativa de golpe. O Financial Times usou a palavra golpe para descrever o plano de Trump de ampliar a influência dos EUA na região.
Enquanto isso, em Buenos Aires, o silêncio foi ensurdecedor. Javier Milei apoiou Bolsonaro na disputa e chamou Lula de ditador e comunista, o que cria um dilema diplomático. A Casa Branca, segundo o Clarín, havia declarado apoio à oposição e não comentou a confirmação da vitória.
O foco agora se volta a um possível pedido de anulação e à reação de Washington e Buenos Aires. Lula, que passou 19 meses preso e teve as condenações anuladas pelo Supremo, entra em seu novo mandato sob uma das disputas mais polarizadas da história recente do país.
Na noite deste domingo (25), apoiadores de Lula se reuniram na Cinelândia, no Rio de Janeiro, para comemorar a vitória no segundo turno da eleição presidencial. Em São Paulo, o presidente falou ao lado da mulher, Rosangela "Janja" da Silva, e do vice-presidente, Geraldo Alckmin. Do outro lado da disputa estava Flávio Bolsonaro (PL). Horas depois, a imprensa internacional já analisava o resultado.
Vários veículos apontaram dois marcos. Lula se tornou o primeiro presidente eleito quatro vezes, segundo a CNN. E também é o primeiro a vencer depois de ter ficado atrás no primeiro turno. A Associated Press situa essa inédita virada no período posterior ao fim da ditadura militar, em 1985. A CNN a situa após a volta das eleições diretas, em 1989. O Financial Times lembrou que o petista, de 80 anos, contrariou pesquisas que davam ligeira vantagem a Flávio Bolsonaro. O Clarín acrescentou que nenhuma das principais empresas de pesquisa previu o desfecho.
O dia da votação foi marcado por confusão. Um ministro do Supremo Tribunal Federal decidiu, de última hora, prorrogar a votação em duas horas. Segundo a CNN, o pedido partiu dos candidatos, por causa de chuvas intensas e da redução da frota de ônibus em algumas regiões. O Le Monde atribuiu a medida a restrições ao transporte público impostas por prefeitos de algumas cidades, entre elas São Paulo, e a chamou de "sem precedentes". O New York Times registrou atrasos no transporte e mau tempo, e avaliou que o "desfecho caótico" aumentou a chance de um resultado contestado. A Associated Press disse que a decisão pode levar a medidas judiciais de Flávio Bolsonaro, e o Le Monde afirmou que ele vai pedir a anulação da eleição.
O peso político internacional também apareceu. O New York Times descreveu a vitória como rejeição ao movimento conservador que avança nas presidências latino-americanas e é celebrado por Donald Trump. Lembrou que o pai do adversário foi condenado por tentativa de golpe após as eleições de 2022. O Financial Times falou em "golpe" para o plano de Trump de ampliar a influência dos EUA na região. A AP observou que a vitória mantém certa distância entre o Brasil e Washington e que, com ela, Brasil e México, os países mais populosos da América Latina, passam a ter líderes de centro-esquerda.
A CNN descreveu uma "corrida presidencial profundamente polarizada", em que pesaram o custo de vida, a criminalidade e a corrupção. O Wall Street Journal escreveu que Lula "se agarra ao poder" e se consolida entre os líderes democraticamente eleitos há mais tempo no cargo no mundo. A AP lembrou que a vitória provavelmente encerrará a trajetória política do veterano líder. O Le Monde destacou que abstenção, votos brancos e nulos recuaram para os menores níveis históricos.
O argentino Clarín deu o enfoque mais detalhado. Informou que marchas de apoiadores se multiplicaram pelo país logo após o resultado. Lula completa 81 anos na terça-feira. O jornal citou o grupo de WhatsApp "Exército de Lula", que Flávio Bolsonaro teria tentado censurar e que passou de 60 mil para mais de 11 milhões de visitantes no segundo turno, impulsionado pela derrota no primeiro. Segundo o Clarín, a Casa Branca havia declarado apoio à oposição e não comentou a confirmação da vitória. Em Buenos Aires, o silêncio foi "ensurdecedor": Javier Milei interveio na eleição ao lado de Bolsonaro e chamou Lula de ditador e comunista, o que cria um dilema diplomático.
O Clarín lembrou ainda que Flávio Bolsonaro é investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Lula passou 19 meses preso por acusações semelhantes, mas o Supremo anulou as condenações e restabeleceu seus direitos políticos. Agora, o foco se volta a um possível pedido de anulação e à reação de Washington e Buenos Aires.
Citações Notáveis
O Brasil teve uma corrida presidencial profundamente polarizada, com disputa extremamente acirrada.— CNN internacional
A vitória é um golpe para o plano de Trump de aumentar a influência dos EUA na América Latina.— Financial Times