No Texas, estado tradicionalmente republicano, a véspera da eleição para o Congresso americano revela duas inquietações que atravessam a vida comum: o peso da imigração, que faz até cidadãos sentirem medo dentro de casa, e a chegada dos data centers de inteligência artificial, que prometem empregos mas também trazem poluição, barulho e contas de luz mais altas. É um retrato de uma sociedade dividida entre o desejo de progresso e o receio de perder segurança e voz, num momento em que o próprio poder do presidente Trump pode ser posto à prova nas urnas.
Imigração e inteligência artificial mobilizam eleitor texano em disputa para o Congresso dos EUA
Nos sentimos vigiados demais, com medo, sem voz
Por que o Texas está no centro dessa reportagem?
Porque é um estado tradicionalmente republicano onde um democrata voltou a ter chances no Senado depois de 38 anos. Ele pode ajudar a tirar de Trump a maioria no Congresso.
E o que pesa mais para o eleitor, a imigração?
Ela aparece com força. Daisy, que é cidadã americana, conta que a filha perguntou se o ICE pode levar a família. Mesmo com cidadania, há medo.
Cuidado: Daisy é uma voz. A reportagem diz que a desaprovação aparece nas pesquisas, mas não traz números.
E entre os republicanos?
Dois eleitores em Corpus Christi, que votaram em Trump, criticam deportar trabalhadores e pedem um meio-termo.
São dois homens em um bar. Mostram um sentimento, mas não dizem quantos republicanos pensam assim.
E os data centers?
Em Castroville, Letícia fala de poluição, barulho, o chão tremendo e a conta de luz. Os filhos acham que a cidade vai crescer.
Esses impactos são relatos de uma moradora. A reportagem não apresenta medições nem dados sobre o consumo de energia.
Então o que sabemos de concreto?
Que o Texas é o segundo estado em data centers, que são 70 milhões de latinos no país e que dois cidadãos foram mortos por agentes do ICE em Minneapolis.
Der Puls
- Operações do ICE em grandes cidades geram medo até entre latinos com cidadania, e a filha de uma moradora de Brownsville perguntou se a família poderia ser levada.
- Em Minneapolis, dois cidadãos americanos morreram baleados por agentes do ICE durante protestos, e a desaprovação atravessa até republicanos tradicionais.
- Em Castroville, moradores relatam ar poluído, chão tremendo e receio de que o terreno ceda, enquanto a conta de luz sobe com o consumo de um data center.
- Governantes que defendiam os centros de dados mudaram o discurso às pressas, pressionados pelo voto, e o Texas pode dar a democratas uma vaga no Senado depois de 38 anos.
- O resultado pode tirar de Trump a maioria no Congresso, transformando um estado conservador no termômetro de sua força.
No Texas, estado tradicionalmente republicano, a véspera da eleição para o Congresso americano revela duas inquietações que atravessam a vida comum: o peso da imigração, que faz até cidadãos sentirem medo dentro de casa, e a chegada dos data centers de inteligência artificial, que prometem empregos mas também trazem poluição, barulho e contas de luz mais altas. É um retrato de uma sociedade dividida entre o desejo de progresso e o receio de perder segurança e voz, num momento em que o próprio poder do presidente Trump pode ser posto à prova nas urnas.
Em um domingo na Igreja Presbiteriana de Austin, durante a Comunhão Mundial, o pastor mostrou às crianças panos de cores diferentes, lembrando que todos pertencem à mesma família. Essa cena abre o terceiro episódio da série do Jornal Nacional sobre a eleição no Texas, onde imigração e inteligência artificial mobilizam os eleitores.
Em Brownsville, na fronteira com o México, Daisy vive entre dois mundos e, mesmo tendo cidadania americana, sente o medo chegar em casa. Sua filha perguntou se o ICE poderia levar a família. Entre latinos, com ou sem documentos, são cerca de 70 milhões de pessoas, um grupo decisivo nas urnas. As operações violentas do ICE, concentradas em cidades governadas por democratas, provocaram protestos e mortes em Minneapolis, e muitos eleitores, até republicanos, passaram a desaprovar a política.
Em Corpus Christi, dois homens num bar defendem um meio-termo: deportar criminosos, mas não trabalhadores que contribuem com o país. Em Milton, o balcão debate os data centers, e em Castroville Letícia, há 30 anos na cidade, relata poluição, barulho e o temor de que seu terreno ceda, além da conta de luz mais cara. Sua família está dividida, pois os filhos veem no empreendimento uma chance de crescimento.
Diante da pressão das urnas, políticos que apoiavam os centros de dados mudaram o tom, e o Texas pode eleger um senador democrata pela primeira vez em 38 anos. Para o pastor Jack, a divisão não é uma ameaça: é possível ser cristão e pensar de maneiras diferentes.
Era domingo na Igreja Presbiteriana de Austin, no Texas, dia da Comunhão Mundial, quando igrejas de vários países celebram culturas diferentes unidas pela fé. O pastor mostrou às crianças panos de cores variadas e explicou que eles lembram as pessoas do mundo inteiro que também fazem parte da família de Jesus. A cena abre o terceiro episódio da série especial do Jornal Nacional sobre a eleição para o Congresso americano, feita no Texas, onde dois assuntos têm mobilizado o eleitor: a imigração e a inteligência artificial.
Em Brownsville, na fronteira com o México, Daisy diz viver entre dois mundos. Segundo ela, todo mundo ali é meio americano, meio mexicano: a comunidade cresceu com o inglês na escola e o espanhol em casa, o que resulta no "spanglish". Mas esses mundos já estiveram mais próximos. O correspondente Nilson Klava lembra que o muro é o símbolo de uma das principais bandeiras de campanha de Donald Trump, o combate à imigração ilegal. O número de travessias na fronteira caiu, mas as operações do ICE, a polícia de imigração, em grandes cidades criaram na maioria dos americanos a sensação de que o governo foi longe demais.
Daisy tem cidadania americana, e mesmo assim o medo chegou em casa. A filha voltou da escola perguntando o que era o ICE e se eles poderiam levar a família. A resposta da mãe foi que a eles não, mas a outros parentes sim. Muitos latinos que vivem há anos no país não têm cidadania. Entre os de situação regular e irregular, são 70 milhões nos Estados Unidos, um quinto da população, e os que podem votar formam um grupo decisivo. Na última eleição, muitos votaram em Trump. Daisy conta que ele deu estímulos econômicos no primeiro mandato e que, na época, os comentários anti-imigração não se traduziram em ação concreta. Agora, diz, ela se sente vigiada demais, com medo e sem voz.
As abordagens violentas do ICE miraram sobretudo cidades e estados governados pelos democratas, de oposição. A reação veio em forma de protestos, e nos confrontos agentes mataram a tiros dois cidadãos americanos em Minneapolis. Klava esteve lá em janeiro e diz que o medo era tão grande que sua equipe chegou a ser confundida com agentes do ICE. A desaprovação aparece nas pesquisas, e não só entre opositores, mas também entre republicanos tradicionais que votaram em Trump.
Em um bar de Corpus Christi, Klava encontrou dois deles. Um disse que muitos imigrantes mexicanos são trabalhadores que contribuem com a sociedade, que criminoso é quem comete crime violento e deve ser deportado, mas que deportar trabalhadores é um erro. O outro afirmou que o país precisa de um meio-termo, e que os políticos parecem ter desaprendido a negociar, agarrando-se a posições sem ceder.
O bar de Milton se chama Política, e o balcão debate também a chegada dos data centers, os grandes centros que processam dados de empresas de tecnologia e são essenciais para a inteligência artificial. O Texas é o segundo estado com mais deles. Um frequentador diz que a indústria é tão nova que ninguém entende como vai afetá-los; outro pergunta qual é o impacto negativo, se trouxer empregos.
Em Castroville, onde Letícia mora há 30 anos, o canteiro de obras que simbolizava desenvolvimento e empregos passou a incomodar os vizinhos. Ela cita ar poluído, barulho constante, o chão tremendo e o receio de que seu terreno ceda. Preocupa-se também com a conta de luz: pedem que a população economize energia, e depois trazem um data center que consumirá mais do que a cidade inteira. A família está dividida, pois os filhos dizem que o empreendimento ajudará a cidade a crescer.
Diante da polêmica, políticos que defendiam os centros de dados mudaram o tom por causa das urnas, entre eles o governador do Texas. O estado, tradicionalmente republicano, tem um candidato democrata com chances de ser eleito para o Senado pela primeira vez em 38 anos. É um dos estados divididos que podem tirar de Trump a maioria no Congresso e pôr seu poder à prova. Na igreja de Austin, o pastor Jack vê a divisão de outro modo: dá para ser cristão e pensar de várias formas diferentes.
Bemerkenswerte Zitate
Dá para ser cristão e pensar de várias formas diferentes.— Pastor Jack, Austin
Deportar imigrantes trabalhadores, acho que é um erro.— Eleitor republicano em Corpus Christi