Imagens inéditas mostram estudante morto pela PM agonizando antes do socorro chegar

Marco Aurélio Cardenas Acosta, estudante de medicina de 22 anos, foi morto por disparo de policial militar durante abordagem em São Paulo em novembro de 2024.
Deixaram meu filho agonizar 47 minutos antes do hospital
O pai de Marco Aurélio questiona a demora no atendimento e a escolha de um hospital distante após o disparo.
Mark

O que essas imagens de câmeras corporais mostram que não era conhecido antes?

Mimi

Elas documentam o estado de Marco Aurélio imediatamente após o disparo e durante todo o tempo que esperou por socorro. Mostram também o pai chegando e pedindo informações aos mesmos policiais que o mataram. Mas talvez o mais importante seja que contradizem a versão policial sobre como tudo começou.

Luke

Espera — o boletim de ocorrência diz que os policiais não usavam câmeras corporais. Como essas imagens existem?

Mimi

Essa informação no BO estava errada. As câmeras existiam. A família precisou ir à Justiça para acessá-las, e levou sete meses.

Mark

Por que a escolha do hospital importa tanto? Não é sempre uma questão de qual está mais perto?

Mimi

Não neste caso. Havia um hospital com capacidade cirúrgica a 20 metros. Levaram Marco Aurélio para um que não tinha tomografia. O pai, sendo médico, vê isso como negligência deliberada.

Luke

Mas quem toma a decisão sobre para qual hospital levar? Os bombeiros ou os policiais?

Mimi

Boa pergunta. O boletim de ocorrência diz que foi uma ambulância do Corpo de Bombeiros da PM. Os advogados argumentam que houve má conduta deliberada, mas a responsabilidade exata ainda está sendo estabelecida no processo.

Mark

E quanto ao disparo em si? A câmera de segurança do estabelecimento mostra o que os policiais alegam?

Mimi

Não. Mostra o primeiro policial chegando com a arma já em punho, tentando agarrar o jovem. Mostra Marco Aurélio lutando para se soltar. Mostra o segundo policial chutando-o. E mostra o disparo acontecendo nesse contexto — não durante uma tentativa de subtrair a arma, como alegam.

Luke

Então há duas versões completamente diferentes dos mesmos eventos.

Mimi

Há. E agora os advogados dizem que as provas são inequívocas sobre a brutalidade e a motivação torpe.

Mark

O que vem agora?

Mimi

O processo avança para alegações finais antes da decisão de pronúncia. Os advogados pedem a prisão preventiva dos dois policiais.

  • Marco Aurélio Cardenas Acosta, 22 anos, estudante de medicina, baleado em novembro de 2024
  • 47 minutos entre o disparo (2h49) e chegada ao Hospital Ipiranga (3h36)
  • Câmeras corporais obtidas judicialmente após sete meses de pedido
  • Dois policiais acusados: Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado
  • Vídeo de segurança contradiz versão policial sobre resistência e tentativa de subtrair arma

Vítima levou 47 minutos entre o disparo e atendimento hospitalar; família questiona demora dos bombeiros e escolha de hospital distante. Imagens de câmeras corporais obtidas sete meses após pedido judicial mostram contradições na versão policial e reforçam tese de má conduta.

Câmeras corporais obtidas judicialmente mostram estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta agonizando por 47 minutos antes de chegar ao hospital após ser baleado pela Polícia Militar em São Paulo.

Marco Aurélio Cardenas Acosta deveria estar completando 23 anos neste 14 de outubro. Em vez disso, seu pai, o médico Júlio César Acosta Navarro, recebeu na semana passada imagens de câmeras corporais que mostram o filho agonizando no chão após ser baleado pela Polícia Militar de São Paulo, esperando por socorro que demoraria quase três quartos de hora para chegar. As imagens foram obtidas sete meses depois que a família pediu judicialmente acesso às gravações — uma decisão que veio apenas dois dias antes de uma audiência crítica no processo.

Segundo o relato do pai, o disparo ocorreu às 2h49 da manhã em novembro de 2024. Os bombeiros levaram aproximadamente 20 minutos para chegar ao local. Depois precisaram de mais 15 minutos para remover o jovem e transportá-lo até a ambulância. Outros 12 minutos se passaram até que Marco Aurélio chegasse ao Hospital Ipiranga, às 3h36 — 47 minutos no total entre o momento em que foi atingido e o momento em que recebeu atendimento médico de emergência. A família questiona não apenas a demora, mas também a escolha do destino: havia um hospital com capacidade cirúrgica a apenas 20 metros do local onde tudo aconteceu.

Júlio César, falando como médico e como pai, não contém a raiva ao descrever o que vê nas imagens e no que sabe sobre o atendimento. Diz que seu filho foi deixado agonizando, que a compressão do sangramento nunca foi feita, que nenhum soro foi administrado, que o levaram para um hospital sem tomografia apesar de terem sido alertados sobre a gravidade. Chama o ocorrido de conspiração. As imagens também mostram o próprio Júlio descendo de um carro após receber a notícia, aproximando-se dos mesmos dois policiais envolvidos na morte — Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado — para pedir informações sobre o que havia acontecido com seu filho.

Marco Aurélio era estudante de medicina na faculdade Anhembi Morumbi. Nas redes sociais, apresentava-se como mestre de cerimônia e compositor, com o nome artístico MC Boy da VM. A abordagem que resultou em sua morte começou quando policiais o encontraram em um estabelecimento. No boletim de ocorrência, os agentes relataram que o jovem estava alterado, agressivo, resistiu à abordagem e tentou subtrair a arma de fogo de um deles. Vídeo de câmera de segurança do local conta uma história diferente: o primeiro policial chega com a arma já em punho e tenta agarrar o jovem pelo braço. Marco Aurélio luta para se soltar. Quando o segundo policial chega, desfere um chute no estudante, que consegue segurar o pé do agente e o faz cair. É nesse momento que o primeiro policial dispara — um único tiro que atinge a região do abdômen.

As imagens de câmeras corporais agora em posse da família trazem novos detalhes sobre o que aconteceu depois do disparo e reforçam argumentos que seus advogados vêm apresentando. Os escritórios Medeiros e Uzoukwu Advogados e Smith Ferreira Sampaio afirmam que o depoimento do bombeiro militar e as respostas dos policiais acusados durante a audiência de instrução do dia 9 trouxeram elementos que demonstram não apenas a autoria e brutalidade do crime, mas também qualificadoras que o tornam ainda mais grave. Os advogados, atuando como assistentes de acusação, agora pedem que o processo avance para a fase final de alegações antes da decisão de pronúncia, e querem a prisão preventiva dos dois policiais acusados de homicídio doloso.

Júlio César escreveu uma carta ao filho na semana em que viu as imagens. Nela, expressa o que sentiu ao descobrir que havia pedido informações justamente aos policiais que o mataram. Sua raiva transborda para uma crítica mais ampla: diz que os agentes agiram criminosa e cruelmente, depois mentiram descaradamente para colegas, e que sua covardia poderia levar o Brasil a ser conhecido não apenas pelo futebol e samba, mas pela violência e covardia de sua Polícia Militar.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que o caso foi investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, que encaminhou o inquérito à Justiça. O policial foi indiciado por homicídio doloso no Inquérito Policial Militar e permanece afastado das atividades. A secretaria aguarda a conclusão do processo criminal. O Corpo de Bombeiros não se manifestou sobre as questões levantadas pela família a respeito do atendimento prestado.

Como médico, sei todas as falhas. Foi uma verdadeira conspiração contra o meu filho. A 20 metros do hotel onde tudo aconteceu, tem um hospital que oferece cirurgia. Deixaram meu filho agonizar.
— Júlio César Acosta Navarro, pai de Marco Aurélio
As provas são inequívocas e demonstram não apenas a autoria e a brutalidade do crime, mas também as qualificadoras que o tornam ainda mais grave.
— Advogados da família, assistentes de acusação
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