Bordaza Shopping abre portas no último trimestre com foco em sustentabilidade

Abdicamos de áreas nobres para incluir lixeiras, o que poucos fazem
Sócio do empreendimento explica o compromisso com sustentabilidade e economia circular no novo shopping.

Em Porto Alegre, um empreendimento que nasceu antes da pandemia e atravessou anos de construção está prestes a revelar uma nova forma de pensar o comércio urbano. O Bordaza Shopping, a céu aberto e enraizado em 50 mil metros quadrados de complexo misto, propõe que crescimento econômico e responsabilidade ambiental não precisam ser forças opostas. Sua abertura gradual, prevista para o último trimestre de 2025, coloca a cidade diante de uma pergunta que o setor imobiliário brasileiro raramente enfrenta com seriedade: é possível consumir sem deixar resíduos para trás?

  • Um shopping sem teto e sem paredes fechadas desafia o modelo convencional de varejo em uma cidade que ainda se reconstrói após anos de adversidades.
  • A meta de reaproveitar 100% dos resíduos gerados é reconhecida pelos próprios sócios como extraordinariamente difícil — e eles abriram mão de áreas comerciais valiosas para tentar cumpri-la.
  • Oito marcas já confirmadas, incluindo estreias inéditas na capital gaúcha como Makoto Okuwa e Giardino di Mamma Gema, sinalizam que o apelo gastronômico pode ser o motor da ocupação gradual.
  • A abertura em etapas, sem data única de inauguração, transfere o ritmo do empreendimento para as decisões dos lojistas — uma aposta na organicidade que pode ser força ou fragilidade.
  • O projeto ancora sua identidade em uma nascente de água preservada, uma figueira que recebeu injeções de oxigênio durante a obra e 30 mil metros quadrados de área verde intocada.

Porto Alegre está prestes a conhecer um shopping diferente de tudo que já teve. Sem teto e sem paredes que o fechem completamente, o Bordaza Shopping começará a abrir suas portas no último trimestre de 2025, dentro do complexo Carlos Gomes Square, na região central. A construção teve início em 2019, e a abertura será gradual conforme os lojistas ocupem os espaços.

O empreendimento tem potencial para 42 lojas, com oito marcas já confirmadas. O Dado Bier Food Hall retorna após fechar no fim do ano passado. O Giardino di Mamma Gema, restaurante italiano de Bento Gonçalves, fará sua estreia em Porto Alegre. O Makoto Okuwa, presente no Brasil apenas em São Paulo e com operações em Miami e Madrid, também chega à capital gaúcha. Completam a lista Pobre Juan, Dom Hygino, Santino, The Coffee e uma clínica dermatológica.

O que distingue o Bordaza, porém, é sua ambição ambiental. O complexo possui certificação Leed, e o sócio Matheus D'Agostin afirma que o objetivo é reaproveitar 100% dos resíduos gerados — um conceito de economia circular raro em empreendimentos multiuso. Para isso, os responsáveis abriram mão de áreas comerciais mais rentáveis para instalar infraestrutura de descarte adequada, e planejam um processo educacional com empresas e moradores do complexo.

Essa preocupação atravessa toda a obra. Uma figueira no terreno recebeu injeções de oxigênio durante a construção para sobreviver. Nos fundos, 30 mil metros quadrados de área verde preservada abrigam uma nascente de água intocada. Cantos de pássaros soarão por caixas de som espalhadas pelo espaço, e lareiras criarão ambientes de convivência.

O nome do shopping combina os sobrenomes dos empreendedores — Bortoncello, D'Agostin e Zaffari, este último sem relação com o grupo homônimo. O restante do complexo já funciona: uma torre comercial está completamente alugada, outra tem 80% de ocupação prevista, e o prédio residencial de 179 apartamentos está quase todo vendido. No futuro, uma escadaria integrará o Carlos Gomes Square ao MedCenter, ao Novotel e ao Carlos Gomes Center, formando um polo urbano conectado.

Porto Alegre está prestes a ganhar um shopping diferente de tudo que a cidade conhece até agora. Sem teto, sem paredes que o fechem completamente, o Bordaza Shopping começará a abrir suas portas no último trimestre deste ano no complexo Carlos Gomes Square, na região central. O empreendimento, que estava sendo construído desde 2019, já mostra sua estrutura montada, e a abertura será gradual conforme os lojistas ocupem os espaços disponíveis.

O projeto é ambicioso em escala. O shopping terá potencial para 42 lojas, número que pode variar dependendo de quantos estabelecimentos cada lojista ocupará. Oito marcas já confirmaram presença. O Dado Bier Food Hall, tradicional na cidade, volta a funcionar após fechar no final do ano passado. O Giardino di Mamma Gema, restaurante italiano originário de Bento Gonçalves, fará sua estreia em Porto Alegre aqui. O Makoto Okuwa, especializado em culinária japonesa e presente no Brasil apenas em São Paulo, também chega à capital gaúcha através do Bordaza. A marca, com 25 anos de história, já opera em cidades como Miami e Madrid. Além desses, estão confirmados o Pobre Juan, Dom Hygino e Santino, todos focados em gastronomia, além de The Coffee e uma clínica dermatológica.

O que torna o Bordaza verdadeiramente singular, porém, é seu compromisso com a sustentabilidade. O complexo inteiro, que ocupa cerca de 50 mil metros quadrados, possui certificação Leed para construções sustentáveis. Matheus D'Agostin, um dos sócios, deixa claro que a ambição vai além do certificado: quando a operação começar, o objetivo é reaproveitar 100% dos resíduos gerados pelo complexo. Esse conceito de economia circular é raro em empreendimentos multiuso, e os responsáveis pelo projeto reconhecem a dificuldade da tarefa. Mesmo assim, abriram mão de algumas áreas comerciais mais valiosas para instalar lixeiras adequadas e planejam um processo educacional envolvendo as empresas e os residentes do complexo.

A preocupação ambiental permeia todo o projeto. Durante a construção, uma figueira presente no terreno recebeu até injeções de oxigênio para se manter saudável. O shopping preserva 30 mil metros quadrados de área verde nos fundos, onde existe uma nascente de água. Essa região, chamada talvegue, mantém-se intocada. Os visitantes que circulam pelo espaço ouvirão cantos de pássaros transmitidos por caixas de som espalhadas pela área, e haverá lareiras para criar ambientes aconchegantes.

A infraestrutura de acesso foi pensada para facilitar o fluxo. Haverá entrada pela Avenida Carlos Gomes e outra para veículos pela Alameda Alceu Wamosy. O subsolo oferece 515 vagas de estacionamento, número que sobe para cerca de 1 mil nos finais de semana, quando as vagas do prédio corporativo Carlos Gomes Center, que pertence ao mesmo grupo, ficam disponíveis.

O nome do shopping vem de uma combinação dos sobrenomes dos empreendedores: Bortoncello, D'Agostin e Zaffari. Não se trata do grupo Zaffari, mas de alguns integrantes da família. O restante do complexo Carlos Gomes Square já está em funcionamento. Uma torre comercial está completamente alugada, enquanto outra tem 80% de seus andares com ocupação prevista. O prédio residencial conta com 179 apartamentos, quase todos vendidos.

A abertura do Bordaza será realizada em etapas, com previsão de funcionamento completo no próximo ano. No futuro, uma escadaria conectará o Carlos Gomes Square ao MedCenter, ao Novotel e ao edifício Carlos Gomes Center, criando um polo integrado na região. O projeto representa uma aposta em um modelo de comércio que equilibra viabilidade econômica com responsabilidade ambiental, algo ainda raro no setor imobiliário brasileiro.

Tratar 100% do resíduo é algo pioneiro em complexos multiuso. Sabemos que é difícil, mas batemos o pé.
— Matheus D'Agostin, sócio do empreendimento
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que um shopping a céu aberto em Porto Alegre? Não é arriscado em termos de clima?

Model

É uma mudança de paradigma. A ideia é criar um espaço que respire, que não seja uma caixa fechada. Quanto ao clima, o projeto foi pensado para isso — há lareiras, áreas cobertas estratégicas. É mais sobre criar uma experiência diferente do que fugir do risco.

Inventor

E esse compromisso com 100% de reaproveitamento de resíduos — é realmente viável?

Model

Os sócios sabem que é difícil. Mas abdicaram de áreas comerciais valiosas para instalar lixeiras adequadas. Vão fazer educação com as empresas e moradores. É pioneiro em complexos multiuso, então não há fórmula pronta.

Inventor

Por que preservar uma nascente de água nos fundos? Isso não é espaço perdido?

Model

Não é perda, é escolha. Mantêm 30 mil metros quadrados intocados ali. Durante a obra, cuidaram de uma figueira com injeções de oxigênio. Mostra que o projeto não vê a natureza como obstáculo, mas como parte do valor.

Inventor

Quem são os empresários por trás disso?

Model

Leonel Bortoncello, Sérgio e Matheus D'Agostin, e Francisco Zaffari. Matheus é quem fala publicamente sobre a visão. Eles já têm experiência com o complexo Carlos Gomes Square, que está funcionando bem.

Inventor

E as marcas que vêm — são todas novas para Porto Alegre?

Model

Nem todas. O Dado Bier Food Hall volta depois de fechar. Mas há estreias importantes: Makoto Okuwa vinha apenas de São Paulo no Brasil, e Giardino di Mamma Gema é a primeira operação fora de Bento Gonçalves. Mostra que o shopping atrai tanto retornos quanto novidades.

Inventor

Qual é o próximo passo?

Model

Abertura gradual conforme ocupação. Funcionamento completo previsto para o próximo ano. Depois, uma escadaria vai conectar tudo — Carlos Gomes Square, MedCenter, Novotel, Carlos Gomes Center. Vai virar um polo integrado.

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