IFMS expande com R$ 73 mi do Novo PAC, mas avanço é lento por falta de mão de obra

Não é pressa que falta; é segurança jurídica
A reitora do IFMS explica por que a expansão avança com cautela apesar dos recursos garantidos.

Em Mato Grosso do Sul, o Estado investe R$ 73 milhões do Novo PAC para expandir o Instituto Federal com três novos campi — em Paranaíba, Amambai e Campo Grande —, ampliando o acesso ao ensino técnico em regiões marcadas por vulnerabilidade social. O projeto avança, mas encontra no caminho uma tensão antiga entre a urgência do desenvolvimento e a escassez de quem o executa: a mão de obra qualificada migra para grandes canteiros industriais, lembrando que o progresso raramente é linear.

  • R$ 73 milhões estão comprometidos, mas as obras ainda não saíram do papel — a falta de construtoras qualificadas disponíveis trava o início das edificações.
  • Grandes projetos industriais, como fábricas de celulose, disputam os mesmos trabalhadores que o IFMS precisa, inflacionando salários e esvaziando o mercado local.
  • Paranaíba está mais perto: a licitação já corre e a ordem de serviço deve ser assinada em dias, com entrega prevista em até 36 meses para atender 1.400 estudantes.
  • Amambai carrega uma escolha política delicada — o campus foi pensado para povos originários, mas será aberto a todos para evitar segregação em território de conflito.
  • Campo Grande ganha sua segunda unidade do IFMS no bairro Anhanduizinho, uma das regiões mais vulneráveis da Capital, com edital previsto até o fim do ano.

O Instituto Federal de Mato Grosso do Sul está em expansão — mas em ritmo mais lento do que o desejado. Três novos campi, em Paranaíba, Amambai e Campo Grande, serão financiados com R$ 73 milhões do Novo PAC. Quando prontos, elevarão a rede do IFMS de 10 para 13 unidades próprias, ampliando significativamente a oferta de ensino técnico integrado no Estado.

O principal obstáculo não é financeiro: é humano. A escassez de mão de obra qualificada na construção civil — agravada pela concorrência com grandes projetos industriais, como as fábricas de celulose da região — dificulta a contratação de construtoras idôneas e experientes. A reitora Elaine Cassiano ressalta que a cautela nos processos licitatórios é necessária: segurança jurídica vale mais do que velocidade.

Paranaíba é o campus mais adiantado, com R$ 15 milhões previstos e licitação em curso. A unidade será erguida próximo à escola estadual onde funciona provisoriamente e terá capacidade para 1.400 estudantes. Em Amambai, o campus de R$ 28 milhões foi concebido com atenção aos povos originários da região, mas optou por não oferecer cursos exclusivos para indígenas — uma decisão deliberada para evitar segregação em um território marcado por tensões étnicas. Serão 900 matrículas anuais, com foco em agropecuária, gestão e informática.

Campo Grande receberá sua segunda unidade do IFMS no bairro Anhanduizinho, uma das áreas mais carentes da Capital. O terreno de mais de 35 mil metros quadrados foi cedido pelo município à União, e o campus terá capacidade para 1.400 matrículas em diferentes modalidades de ensino. O edital de licitação deve ser publicado até o fim do ano.

O secretário especial do PAC, Roberto Garibe, garantiu que os projetos seguem mantidos apesar das restrições orçamentárias federais. No balanço geral do Novo PAC em Mato Grosso do Sul, são 202 iniciativas no eixo Educação, R$ 10,3 bilhões já aplicados desde 2023 e uma série de entregas em saúde, saneamento e moradia — enquanto o IFMS aguarda os trabalhadores que lhe permitirão, enfim, construir.

O Instituto Federal de Mato Grosso do Sul está em movimento. Três novos campi — em Paranaíba, Amambai e Campo Grande — estão sendo financiados com R$ 73 milhões do Novo PAC, um investimento que dobrará a capacidade de ensino técnico integrado ao ensino médio no Estado. Mas o ritmo é mais lento do que o planejado, e a razão é simples: não há gente suficiente para construir.

A escassez de mão de obra qualificada na construção civil virou o gargalo. Grandes projetos industriais — especialmente as fábricas de celulose espalhadas pela região — estão puxando os trabalhadores com salários competitivos. O IFMS, que precisa de equipes experientes para projetos complexos, enfrenta dificuldade em encontrar construtoras dispostas a assumir os compromissos. A reitora Elaine Cassiano explicou que a cautela é necessária: os processos licitatórios exigem conformidade rigorosa, governança clara e empresas idôneas. Não é pressa que falta; é segurança jurídica.

O campus de Paranaíba, orçado em R$ 15 milhões, já tem licitação em andamento. A reitora afirmou que a ordem de serviço deve ser assinada nas próximas duas semanas. A unidade será construída a cerca de um quilômetro do local onde funciona provisoriamente — na Escola Estadual Aracilda Cícero Corrêa da Costa, no centro da cidade. Quando pronto, terá capacidade para 1.400 estudantes. O cronograma prevê entrega em até 36 meses após o início das obras.

Amambai é mais complexa. O campus de R$ 28 milhões foi concebido para povos originários, mas não oferecerá cursos exclusivos para indígenas. A decisão reflete uma escolha deliberada: evitar segregação em um contexto marcado por conflitos entre indígenas e não indígenas. A unidade terá 900 matrículas anuais, 40 professores e 26 técnicos administrativos. Os cursos focarão em recursos naturais — técnico em agropecuária — além de gestão, negócios e informática. O edital de licitação deve ser publicado em julho. Até lá, as aulas funcionam em espaço cedido pela UEMS, em acordo com a Prefeitura. A partir de 2027, serão transferidas para uma escola municipal até a conclusão do novo prédio.

Campo Grande ganha sua segunda unidade do IFMS. O campus do Anhanduizinho, orçado entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões, será construído em um terreno de 35.831 metros quadrados cedido pelo município à União. A região é uma das mais carentes da Capital, marcada por vulnerabilidade social e déficit educacional. A unidade terá capacidade para 1.400 matrículas em cursos técnicos integrados, formação inicial e continuada, e graduações tecnológicas. O IFMS já mantém um Centro de Referência na região, atendendo 212 alunos. O edital de licitação deve sair até o fim do ano.

O secretário especial do PAC, Roberto Garibe, garantiu que o andamento de todos os projetos estruturantes no Estado está mantido, apesar das restrições orçamentárias federais. No balanço geral, o eixo Educação do Novo PAC contempla 202 iniciativas em Mato Grosso do Sul, incluindo obras na UFGD e a construção da Clínica de Hemodiálise do HU-UFGD. Desde 2023, foram aplicados R$ 10,3 bilhões no Estado — 60% dos R$ 17,2 bilhões previstos para a gestão atual. A maioria foi para obras sociais: saúde, educação, saneamento e moradia.

O programa também entregou 28.698 unidades habitacionais pelo Minha Casa, Minha Vida, com outras 4,8 mil em construção. Na saúde, 297 iniciativas estão em andamento, incluindo a renovação de 23 ambulâncias do Samu, seis unidades odontológicas móveis e retomada de obras em 47 Unidades Básicas de Saúde. Duas maternidades de R$ 153 milhões cada estão sendo construídas, junto com cinco Centros de Atenção Psicossocial e duas policlínicas de R$ 30 milhões cada. Na energia, cinco empreendimentos foram concluídos em parcerias privadas, reforçando a integração do sistema elétrico estadual. Sistemas de esgotamento sanitário foram entregues em 20 municípios. Tudo isso enquanto o IFMS aguarda a mão de obra que lhe permita construir.

Queremos que indígenas e não indígenas estejam no mesmo espaço fazendo educação profissional
— Reitora Elaine Cassiano, sobre o campus de Amambai
O andamento dos projetos exige cautela devido à complexidade dos processos licitatórios e às exigências de governança
— Reitora Elaine Cassiano
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a falta de mão de obra é tão crítica se os recursos estão garantidos?

Model

Porque construir um campus técnico não é como levantar um galpão. Exige equipes experientes, projetos complexos, conformidade rigorosa. As grandes indústrias de celulose pagam bem e absorvem os melhores trabalhadores. O IFMS não quer cortar custos e depois ter problemas jurídicos ou estruturais.

Inventor

Então os campi não vão sair do papel tão cedo?

Model

Não é bem assim. Paranaíba já tem licitação em andamento e a ordem de serviço sai em semanas. Amambai publica o edital em julho. Campo Grande até o fim do ano. Mas sim, o cronograma está mais longo do que o ideal.

Inventor

E os alunos? Eles estão esperando em escolas emprestadas?

Model

Exatamente. Em Paranaíba, funcionam na Escola Estadual. Em Amambai, na UEMS. Campo Grande já tem um Centro de Referência atendendo 212 alunos. Não é o ideal, mas mantém as aulas acontecendo enquanto a infraestrutura é construída.

Inventor

Por que Amambai foi pensada especificamente para povos originários?

Model

Porque a região tem população indígena significativa e demanda educação profissional. Mas a reitora foi clara: não quer segregação. Indígenas e não indígenas estudarão juntos nos mesmos cursos de agropecuária, gestão e informática.

Inventor

Isso muda algo na prática?

Model

Muda tudo. Significa que a educação profissional não é pensada como um programa separado para indígenas, mas como inclusão real. Todos no mesmo espaço, com as mesmas oportunidades.

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