Aos 87 anos, Maricarmen Abascal foi retirada pela polícia do apartamento madrileno onde viveu por sete décadas, depois que uma empresa de investimentos elevou o aluguel em 275% — valor três vezes superior à sua aposentadoria. O caso, ocorrido no bairro do Retiro em setembro de 2026, não é uma tragédia isolada, mas o rosto humano de uma crise habitacional que transforma lares em ativos financeiros e cidadãos em obstáculos ao lucro. Há momentos em que a aritmética do mercado e a aritmética da dignidade se tornam irreconciliáveis.
Idosa despejada após 70 anos em apartamento de Madri com aluguel que subiu 275%
Sete décadas em um apartamento, expulsa porque o aluguel subiu 275%
Como uma pessoa consegue viver em um lugar por 70 anos e depois ser expulsa assim, sem mais nada?
O contrato original era de aluguel controlado, assinado em 1956. Quando a propriedade passou para uma empresa de investimentos, tudo mudou. Eles tinham direito legal de cobrar preço de mercado.
Mas espera — quantas vezes ela foi para a justiça? O texto diz que houve um litígio de vários anos. Isso significa que ela teve oportunidade de contestar, ou que o sistema foi contra ela desde o início?
A Justiça espanhola decidiu a favor da empresa. Ela perdeu. E esta foi a quarta tentativa de despejo — as três anteriores não conseguiram ser executadas.
Quarta tentativa? Então houve resistência?
Sim, ativistas se reuniram, bloquearam as escadas, tentaram impedir fisicamente. Mas a comissão judicial conseguiu executar desta vez.
E quanto ao hospital — ela foi levada de ambulância porque o despejo a machucou fisicamente, ou porque o trauma foi demais?
O texto não especifica. Apenas diz que ela tem mobilidade reduzida e precisou ser levada de ambulância. Pode ter sido queda, pode ter sido colapso emocional, pode ter sido ambos.
E agora? Ela simplesmente desaparece para o interior?
Sim, vai morar com familiares. Deixa Madri, deixa a vida que construiu, deixa o bairro que conhecia.
O texto menciona que ela criticou os aluguéis caros em entrevistas. Mas não há nenhuma declaração da empresa de investimentos, nenhuma perspectiva do outro lado. Sabemos o que ela pensa, mas não sabemos o que eles diriam sobre por que precisavam aumentar o aluguel.
Verdade. É uma história contada de um lado.
Isso importa?
Importa para entender o quadro completo. Mas não muda o fato de que uma mulher de 87 anos foi despejada e precisou de ambulância.
El Pulso
- Uma mulher de 87 anos com mobilidade reduzida foi despejada na quarta tentativa judicial, enquanto dezenas de ativistas tentavam, com os próprios corpos, impedir a execução da ordem.
- O aluguel saltou de €500 para €2.650 mensais — quase o dobro da aposentadoria de Maricarmen —, tornando qualquer acordo financeiro matematicamente impossível.
- Após o despejo, o esforço físico e emocional foi tamanho que ela precisou ser levada de ambulância ao Hospital Gregorio Marañón.
- Sem alternativas em Madri, Maricarmen deixará a cidade onde passou toda a vida para morar com familiares no interior da Espanha.
- O caso acende o debate sobre a crise habitacional espanhola, em que empresas de investimento redefinem o preço de mercado e empurram moradores históricos para fora de seus próprios bairros.
Aos 87 anos, Maricarmen Abascal foi retirada pela polícia do apartamento madrileno onde viveu por sete décadas, depois que uma empresa de investimentos elevou o aluguel em 275% — valor três vezes superior à sua aposentadoria. O caso, ocorrido no bairro do Retiro em setembro de 2026, não é uma tragédia isolada, mas o rosto humano de uma crise habitacional que transforma lares em ativos financeiros e cidadãos em obstáculos ao lucro. Há momentos em que a aritmética do mercado e a aritmética da dignidade se tornam irreconciliáveis.
Na manhã de 23 de setembro, a polícia chegou à rua Alcalde Sainz de Baranda, no bairro do Retiro, em Madri. Maricarmen Abascal, 87 anos, estava do outro lado da porta — a mesma porta que seu pai havia cruzado pela primeira vez em 1956, quando assinou o contrato de aluguel do apartamento. Depois que a madrasta faleceu, em 2005, o contrato passou para ela. Parecia uma garantia. Não era.
A empresa de investimentos que adquiriu o imóvel decidiu cobrar o preço de mercado: €2.650 mensais, um salto de 275% sobre os €500 que Maricarmen pagava. Sua aposentadoria era de €1.350. A conta não fechava, e nunca fecharia. Ela resistiu nos tribunais por anos. A Justiça decidiu contra ela.
No dia do despejo, dezenas de ativistas ocuparam a entrada do edifício, tentando interpor seus corpos entre a idosa e a ordem judicial. Era a quarta tentativa — e desta vez a comissão judicial não recuou. Maricarmen foi retirada de casa. O esforço foi além do que seu corpo suportava: ela deixou o local de ambulância, levada ao Hospital Gregorio Marañón.
Em entrevistas, ela falou sem rodeios sobre a ganância que sufoca os mais velhos, os mais pobres, todos os que não conseguem competir num mercado que não foi feito para eles. Maricarmen deixará Madri para morar com familiares no interior — abandonando 70 anos de história num bairro cujas ruas ela conhecia de cor. Seu caso é um símbolo: o de uma cidade que aprendeu a expulsar seus próprios cidadãos.
Maricarmen Abascal tinha 87 anos quando a polícia chegou para retirá-la do apartamento onde havia passado sete décadas de sua vida. Era quarta-feira, 23 de setembro, no bairro do Retiro, em Madri, e a cena que se desenrolou na rua Alcalde Sainz de Baranda refletia uma das crises mais agudas que a Espanha enfrenta: o colapso do mercado de habitação.
O apartamento não era novo para ela. Seu pai havia assinado o contrato de aluguel em 1956, quando Maricarmen era jovem. Depois que a madrasta faleceu, em 2005, o contrato passou para ela — uma transição que parecia garantir estabilidade, o tipo de segurança que uma pessoa espera ter aos 87 anos. Mas o mercado imobiliário espanhol não funciona assim. O aluguel que ela pagava, inicialmente 500 euros por mês — cerca de três mil reais — começou a subir. E subiu. E subiu mais ainda. Quando a empresa de investimentos que agora era proprietária do imóvel decidiu cobrar o preço de mercado, o valor saltou para 2.650 euros mensais, um aumento de 275 por cento. Isso dava quase 17 mil reais por mês.
A aposentadoria de Maricarmen era de 1.350 euros mensais — aproximadamente 7.900 reais. A matemática era impossível. Ela não podia pagar. Não havia forma de pagar. A empresa de investimentos, porém, não estava interessada em aritmética pessoal. Estava interessada em lucro. Maricarmen entrou em litígio com a proprietária, uma batalha que se estendeu por anos nos tribunais espanhóis. A Justiça decidiu contra ela. A empresa venceu.
Quando chegou o dia do despejo, dezenas de ativistas se reuniram em frente ao edifício, tentando bloquear as escadas, ocupando a entrada, colocando seus corpos entre uma mulher de 87 anos e a execução de uma ordem judicial. Não funcionou. Esta era a quarta tentativa de despejo, e desta vez a comissão judicial conseguiu. Maricarmen foi retirada de seu lar.
O esforço físico e emocional foi demais. Ela precisou ser levada de ambulância ao Hospital Gregorio Marañón. Maricarmen tinha mobilidade reduzida — caminhar era difícil, subir escadas era um desafio. Agora não tinha para onde ir em Madri. Ela deixaria a cidade, mudando-se para o interior para morar com outros familiares, abandonando a vida que havia construído durante 70 anos em um bairro que ela conhecia cada rua, cada esquina.
Em entrevistas aos canais locais, Maricarmen não se conteve. Falou sobre os aluguéis que explodem, sobre a ganância que sufoca as pessoas, sobre um sistema que não deixa espaço para os velhos, para os pobres, para qualquer um que não tenha renda suficiente para competir no mercado. Seu caso não era isolado — era um sintoma. A crise habitacional na Espanha havia criado uma situação em que proprietários e empresas de investimentos podiam simplesmente expulsar pessoas de suas casas, aumentando os preços até um ponto em que ninguém conseguia pagar. Maricarmen era apenas um rosto visível de um problema muito maior, uma mulher de 87 anos que se tornou um símbolo de uma cidade que estava deixando seus próprios cidadãos para trás.
Citas Notables
Criticou os aluguéis cada vez mais caros em entrevistas aos canais locais— Maricarmen Abascal