Ibovespa sobe 2,97% e atinge maior valor desde maio com IPCA fraco

Aos trancos e barrancos, o Estreito de Ormuz continua aberto
O mercado interpreta a escalada entre EUA e Irã como temporária, mantendo a confiança na oferta de petróleo.
Mark

Por que exatamente um IPCA fraco faz a bolsa subir tanto?

Mimi

Porque inflação fraca significa que o Banco Central pode cortar juros sem medo. E juros menores fazem as ações ficarem mais atrativas — tanto porque as empresas pagam menos para se financiar quanto porque o fluxo de lucro futuro vale mais quando você desconta a uma taxa menor.

Mark

Mas e a situação com o Irã? Trump disse que o cessar-fogo acabou. Por que o mercado não se assustou?

Mimi

O mercado olhou para os preços do petróleo e viu que caíram. Isso sinalizou que os investidores acreditam que a escalada é temporária. O Estreito de Ormuz, que é a rota crítica, continua aberto. Há sinais de que negociações podem voltar.

Mark

Então o mercado está apostando que isso se resolve rápido?

Mimi

Não exatamente rápido. Um dos analistas deixou claro que o caminho será errático, cheio de volatilidade. Mas o mercado está precificando que não vai ser uma crise prolongada que derrube a oferta de petróleo de forma permanente.

Mark

E quanto aos juros? Quanto eles devem cair?

Mimi

As projeções apontam para a Selic em 13,50% ao ano em 2026. Mas há espaço para que caia mais do que isso, porque o orçamento de cortes era menor no início do ano, antes da crise no Oriente Médio.

Mark

Então basicamente tudo depende do IPCA continuar fraco?

Mimi

Não só do IPCA. Também depende de o Estreito de Ormuz não fechar completamente e de a inflação não explodir. Mas sim, o IPCA fraco é o catalisador imediato. É o que justifica a alta que vimos.

Mark

E se as coisas piorarem no Irã na próxima semana?

Mimi

Aí você vê volatilidade. Já vimos isso nesta semana — três dos cinco pregões tiveram correções por causa dos ataques. Mas enquanto o petróleo não disparar de forma sustentada, o argumento dos juros menores continua de pé.

  • O IPCA de junho surpreendeu para baixo, registrando apenas 0,16% — bem abaixo do piso das estimativas —, acendendo o otimismo sobre novos cortes da Selic em agosto.
  • O Ibovespa disparou 2,97% e fechou aos 177.866 pontos, seu maior nível desde maio, com apenas uma ação no vermelho entre as 79 negociadas.
  • A declaração de Trump sobre o fim do cessar-fogo com o Irã criou tensão, mas os futuros do petróleo caíram, sinalizando que o mercado aposta na temporalidade do conflito.
  • O Estreito de Ormuz permanece aberto — ainda que com menos embarcações —, e relatos de retomada de negociações entre EUA e Irã sustentam a leitura de que o pior pode ter passado.
  • Estrategistas alertam que o caminho será volátil e errático, mas o consenso aponta para Selic em 13,50% ao ano em 2026, beneficiando o valuation das empresas listadas.

Em uma sexta-feira marcada pela surpresa desinflacionária, o Ibovespa alcançou seu patamar mais alto em quase dois meses, lembrando que os mercados financeiros, antes de serem arenas de especulação, são espelhos das expectativas humanas sobre o futuro. A inflação de junho, ao vir abaixo do esperado, abriu espaço para que o Banco Central brasileiro continue seu ciclo de afrouxamento monetário — um alívio que se traduz, para empresas e investidores, em horizontes mais generosos. Ao fundo, o ruído geopolítico entre Washington e Teerã persistia, mas o mercado escolheu enxergar continuidade onde outros veriam ruptura.

A bolsa brasileira encerrou a sexta-feira em seu melhor fechamento em quase dois meses. O Ibovespa avançou 2,97%, chegando a 177.866 pontos, e acumulou alta de 2,18% na semana — a terceira consecutiva de ganhos. De 79 ações negociadas, apenas a Prio recuou, e o giro financeiro superou R$ 24 bilhões.

O combustível da alta foi a inflação. O IPCA de junho subiu apenas 0,16%, ficando abaixo até do piso das estimativas de mercado. No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 4,64%, também inferior ao esperado. A deflação nos alimentos foi o principal fator. Para os mercados, a mensagem foi clara: o Banco Central tem espaço para continuar cortando a Selic em agosto. Juros menores reduzem a alavancagem das empresas e elevam o valuation ao trazer lucros futuros a valor presente com taxas de desconto menores.

No cenário externo, Donald Trump declarou encerrado o cessar-fogo com o Irã — uma notícia que, em outro contexto, poderia ter derrubado os mercados. Mas os futuros do petróleo caíram nesta sexta, com o Brent recuando para US$ 76,01 o barril. O mercado interpretou a escalada como temporária: o Estreito de Ormuz permanece aberto, e há relatos de que as duas partes concordaram em retomar negociações.

Estrateg istas reconhecem que o caminho será volátil — a própria semana foi marcada por correções em três dos cinco pregões. Mas o sentimento dominante, resumido por analistas ouvidos pelo mercado, é que, aos trancos e barrancos, a rota do petróleo segue funcionando e a desinflação brasileira segue seu curso. Na segunda-feira, o mercado aguarda o boletim Focus e os dados da balança comercial.

A bolsa brasileira fechou sexta-feira em seu melhor patamar em quase dois meses. O Ibovespa avançou 2,97%, encerrando o pregão aos 177.866,37 pontos — o maior fechamento desde 14 de maio. Foi a terceira semana consecutiva de ganhos, com o índice acumulando alta de 2,18% no período. De 79 ações negociadas, apenas uma cedeu: a Prio recuou 0,29%. O giro financeiro atingiu R$ 24,99 bilhões. No mês, o índice sobe 3,40%; no ano, 10,39%.

O motor dessa recuperação foi simples e direto: a inflação de junho veio mais fraca que o esperado. O IPCA subiu apenas 0,16% no mês, ficando abaixo do piso das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast, que apontava 0,26%. No acumulado de 12 meses até junho, o índice chegou a 4,64%, também menor que o piso de 4,75% das projeções. A deflação de alimentos puxou esse resultado para baixo. Para o mercado de ações, isso significa uma coisa: o Banco Central tem espaço para continuar reduzindo a taxa Selic em agosto. Juros menores beneficiam as empresas de duas formas — reduzem a alavancagem esperada e aumentam o valuation ao trazer fluxos de lucro futuro ao valor presente com uma taxa de desconto menor.

Nicolas Gass, estrategista de investimentos e sócio da GT Capital, foi direto: "A única notícia para justificar o ganho expressivo do Ibovespa é o IPCA mais fraco. Com a inflação de novo se aproximando da meta, abre esteira para o Copom continuar cortando juros em agosto." Felipe Camargo, economista global da Oxford Economics, reiterou a expectativa de que a Selic caia para 13,50% ao ano em 2026 — um cálculo que também leva em conta o alívio nos preços do petróleo.

Há, porém, um ruído geopolítico no fundo da cena. O presidente Donald Trump declarou que o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã havia terminado. Seria motivo para pânico nos mercados de commodities. Mas os futuros de petróleo caíram nesta sexta. O contrato do Brent para setembro recuou 0,38%, fechando a US$ 76,01 o barril — ainda que tenha subido 5,39% na semana. A interpretação do mercado é que a escalada do conflito é temporária. O Estreito de Ormuz, rota crítica para o comércio global de petróleo, permanece aberto, ainda que com menos embarcações. Há relatos de que Washington e Teerã teriam concordado em voltar à mesa de negociações.

Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, observa que o orçamento de cortes da Selic está menor do que era esperado no início do ano — antes da crise no Oriente Médio — mas há espaço para que fique maior do que o que foi precificado durante o auge da turbulência envolvendo o fluxo no Estreito de Ormuz. Rafael Stephano, advisor senior da Blue3 Investimentos, reforça que juros menores impulsionam o valuation das empresas ao considerar o fluxo de lucro futuro trazido ao valor presente por uma taxa de juros menor.

O caminho rumo à normalização do tráfego em Ormuz não será linear, alerta Spiess. Será errático. "Vamos viver episódios de muita volatilidade, como ocorreu nessa semana," avalia. De fato, a alta semanal do Ibovespa foi conquistada após correções em três dos cinco pregões, provocadas pelos ataques entre EUA e Irã e também por fluxos para a tese de inteligência artificial. Gass, da GT Capital, resume o sentimento: o mercado foca no fato de que "aos trancos e barrancos, o Estreito de Ormuz continua aberto". Na segunda-feira, o mercado aguarda a divulgação do boletim Focus, às 8h25, e da balança comercial semanal, às 15h.

A única notícia para justificar o ganho expressivo do Ibovespa é o IPCA mais fraco. Com a inflação de novo se aproximando da meta, abre esteira para o Copom continuar cortando juros em agosto
— Nicolas Gass, estrategista de investimentos e sócio da GT Capital
Vamos viver episódios de muita volatilidade, como ocorreu nessa semana
— Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research
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