Na confluência de decisões monetárias domésticas e sinais vindos da maior economia do mundo, o mercado financeiro brasileiro encontrou, na manhã de 3 de novembro de 2023, razões para celebrar. O Copom reduziu a Selic pela terceira vez consecutiva, para 12,25% ao ano, enquanto os dados de emprego americanos vieram abaixo do esperado — um paradoxo em que a fraqueza alheia se converte em alívio coletivo. O Ibovespa ultrapassou 117 mil pontos e o dólar recuou, como se o mundo, por um momento, respirasse mais fundo.
Ibovespa sobe 1,85% e dólar cai após Copom e dados de emprego nos EUA
Dados fracos sugerem que o Fed pode parar de subir juros
Por que dados fracos de emprego nos EUA são bons para a Bolsa brasileira? Parece contraditório.
Porque o mercado teme mais os juros altos do que o crescimento fraco. Se o Fed apertar mais, fica caro investir em qualquer lugar. Dados fracos sugerem que o Fed pode parar de subir juros.
Mas precisamos ser precisos: o payroll foi 150 mil contra 180 mil esperados. Isso é fraco, sim, mas não é um colapso. O desemprego subiu de 3,8% para 3,9%, o que é mínimo.
Verdade. Mas o mercado não precisa de colapso — precisa de sinais de que a agressividade de apertos terminou. Esse é o sinal que viu.
E o Copom cortou juros no Brasil. Isso não deveria pressionar o dólar para cima, não para baixo?
Teoricamente, sim. Juros mais baixos tornam a moeda menos atrativa. Mas o que vimos foi dólar caindo — o que sugere que o movimento global de redução de risco foi mais forte que o efeito local.
Exatamente. Quando investidores ganham confiança de que o ciclo de apertos terminou globalmente, eles voltam para ativos de risco em mercados emergentes. O Brasil fica mais atrativo.
Então o Ibovespa subindo 1,85% é basicamente o mercado apostando que os juros vão ficar mais baixos por mais tempo?
Não só. É também o mercado precificando que a Selic em 12,25% é um patamar mais confortável para empresas. Mas sim, a expectativa de juros baixos por mais tempo é central.
E vale lembrar: esse foi o terceiro corte do Copom desde agosto. O mercado já estava esperando essa trajetória. O que mudou foi a confirmação de que o Fed não vai apertar mais.
Qual é o risco agora? O que poderia estragar essa festa?
Se a inflação americana voltar a subir, o Fed pode ser forçado a apertar de novo. Ou se dados de emprego nos EUA melhorarem muito nos próximos meses. Também há risco de a economia brasileira não responder bem aos juros mais baixos.
El Pulso
- O mercado brasileiro abriu a sexta-feira sob tensão positiva: dois eventos simultâneos — o corte de juros pelo Copom e o payroll americano fraco — pressionavam os ativos na mesma direção, para cima.
- A Selic caiu para 12,25% ao ano, o menor nível desde março de 2022, sinalizando que o Banco Central acredita ter espaço para afrouxar sem comprometer o controle da inflação.
- Os EUA criaram apenas 150 mil vagas em outubro, bem abaixo das 180 mil esperadas, alimentando a esperança de que o Federal Reserve não precisará apertar ainda mais uma política monetária já no maior patamar em 22 anos.
- O Ibovespa disparou 1,85%, ultrapassando 117 mil pontos, enquanto o dólar despencava 1,64%, sendo negociado abaixo de R$ 4,90 — reflexo direto do apetite renovado por ativos de risco.
- O mercado global parece se reequilibrar: juros americanos próximos do teto, economia desacelerando lá fora e ciclo de cortes em curso no Brasil formam a combinação que investidores vinham aguardando.
Na confluência de decisões monetárias domésticas e sinais vindos da maior economia do mundo, o mercado financeiro brasileiro encontrou, na manhã de 3 de novembro de 2023, razões para celebrar. O Copom reduziu a Selic pela terceira vez consecutiva, para 12,25% ao ano, enquanto os dados de emprego americanos vieram abaixo do esperado — um paradoxo em que a fraqueza alheia se converte em alívio coletivo. O Ibovespa ultrapassou 117 mil pontos e o dólar recuou, como se o mundo, por um momento, respirasse mais fundo.
Na manhã de 3 de novembro, o mercado financeiro brasileiro acordou animado. O Ibovespa subia 1,85%, ultrapassando 117 mil pontos por volta das 10h35, enquanto o dólar recuava 1,64%, sendo negociado a R$ 4,89. Era o primeiro pregão após a decisão do Copom e o mesmo dia em que chegavam dados cruciais sobre o emprego nos Estados Unidos.
O Copom havia reduzido a Selic em 0,5 ponto percentual na quarta-feira, levando-a para 12,25% ao ano — o terceiro corte consecutivo desde agosto e o menor patamar desde março de 2022. A sinalização era clara: o Banco Central via espaço para afrouxar a política monetária, o que tende a favorecer empresas e impulsionar ações.
O combustível adicional veio dos EUA. O relatório de emprego de outubro mostrou a criação de apenas 150 mil vagas fora do setor agrícola, bem abaixo das 180 mil projetadas pelo mercado e muito distante das 336 mil de setembro. Para analistas, um mercado de trabalho desacelerando reduz a pressão sobre o Federal Reserve — que mantinha juros entre 5,25% e 5,5% ao ano, o maior nível em 22 anos — para novos apertos monetários.
O mercado brasileiro leu tudo isso como sinal verde. Se o Fed não vai apertar mais, investidores se sentem mais confortáveis em buscar retornos em ativos de risco, como ações brasileiras. O dólar também refletiu esse movimento, dando continuidade à queda iniciada na quarta-feira, quando já havia recuado 1,34%. O cenário que se desenhava era o de um reequilíbrio global: juros americanos próximos do teto, economia esfriando lá fora e ciclo de cortes em andamento no Brasil — exatamente a combinação que alimenta altas na Bolsa.
Na manhã de sexta-feira, 3 de novembro, o mercado financeiro brasileiro acordou com notícias que o deixaram animado. O Ibovespa, o principal termômetro da Bolsa de Valores, subia firme — por volta das 10h35, já acumulava ganho de 1,85%, ultrapassando a marca dos 117 mil pontos. O dólar, por sua vez, recuava 1,64%, sendo negociado a R$ 4,89. Era o primeiro pregão após uma decisão importante do Copom, o comitê que define as taxas de juros no Brasil, e também o dia em que o mercado internacional recebia dados cruciais sobre o emprego americano.
O Copom havia se reunido na quarta-feira e tomado uma decisão que os investidores vinham esperando: reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 ponto percentual, levando-a para 12,25% ao ano. Era o terceiro corte consecutivo desde agosto, todos do mesmo tamanho. Para colocar em perspectiva, esse novo patamar era o menor desde março de 2022, quando os juros estavam em 11,75%. A redução sinalizava que o Banco Central acreditava ter espaço para afrouxar a política monetária, o que geralmente é bom para ações — empresas com menos pressão de juros altos tendem a crescer mais.
Mas havia mais combustível para a alta. Naquela mesma sexta, o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos divulgou o relatório de emprego de outubro, o chamado payroll, que o mercado aguardava com atenção. Os números vieram mais fracos do que o esperado. A maior economia do mundo criou apenas 150 mil novas vagas de emprego fora do setor agrícola — bem abaixo das 180 mil que o consenso do mercado projetava. Para comparação, em setembro tinham sido gerados 336 mil postos. A taxa de desemprego ficou em 3,9%, praticamente estável em relação ao mês anterior (3,8%), mas ligeiramente acima das estimativas de 3,8%.
Para quem acompanha mercados, esse resultado fraco é uma notícia paradoxalmente boa. Os analistas temiam que um mercado de trabalho aquecido nos EUA forçasse o Federal Reserve, o banco central americano, a apertar ainda mais a política monetária — ou seja, a manter os juros altos por mais tempo. O Fed havia mantido a taxa na faixa de 5,25% a 5,5% ao ano em sua última reunião, o maior patamar em 22 anos. Nas últimas 14 reuniões do comitê federal de mercado aberto, houve 11 aumentos de juros e apenas 3 manutenções. Um mercado de trabalho desacelerando, porém, sugeria que a economia americana estava esfriando — e isso reduzia a pressão por novos apertos monetários.
O mercado brasileiro interpretou tudo isso como um sinal verde. Se o Federal Reserve não ia apertar mais, os investidores poderiam se sentir mais confortáveis em buscar retornos em ativos de risco, como ações brasileiras. O Ibovespa já vinha em trajetória positiva: no pregão anterior, na quarta-feira, havia fechado com alta de 1,69%, aos 115 mil pontos, acumulando ganho de 4,85% no ano. A quinta-feira foi feriado de Finados, então a Bolsa não abriu. Agora, com a combinação do corte de juros doméstico e a sinalização de desaceleração americana, o índice disparava.
O dólar também refletia esse movimento. A moeda americana operava em forte queda, recuando 1,64% naquela sessão. No pregão anterior, na quarta-feira, o dólar já havia caído 1,34%, fechando a R$ 4,973 — o menor patamar desde setembro. A queda da moeda americana é típica quando investidores ganham confiança em economias emergentes como a brasileira e reduzem sua demanda por refúgio em dólares.
O cenário que se desenhava era o de um mercado global em reequilíbrio. Os juros americanos, que subiram agressivamente ao longo de 2022 e 2023 para combater a inflação, pareciam estar chegando ao topo. A economia americana desacelerava. E no Brasil, o Banco Central tinha espaço para continuar reduzindo juros, estimulando a atividade. Para o mercado de ações brasileiro, era exatamente o tipo de combinação que alimenta altas — menos pressão de juros altos em casa, menos risco de aperto monetário lá fora.
Citas Notables
A criação de vagas abaixo das expectativas é interpretada como uma notícia positiva, pois reduz pressão por novo aperto da política monetária pelo Federal Reserve— Análise de mercado