Ibovespa sobe 1,6% com inflação americana abaixo do esperado; dólar cai a R$ 5,17

A inflação mais branda pode indicar que a pressão já foi antecipada
Estrategista da Avenue interpreta dados de PCE como sinal de que mercado já precificou parte da inflação.
Mark

Por que a inflação americana mais baixa do que o esperado fez o Ibovespa subir tanto?

Mimi

Porque juros mais altos nos EUA afastam investidores de ativos de risco como ações. Quando a inflação vem mais branda, o mercado reduz suas apostas em novos aumentos de juros, o que torna os ativos de risco mais atraentes novamente.

Luke

Mas os juros americanos já estão em 5,28% para títulos de 10 anos. Isso não é já bastante alto?

Mimi

É, mas o que importa é a direção. Se o mercado acreditava que haveria mais aumentos em outubro, e agora acha que não, isso muda o cálculo de risco.

Mark

E por que o dólar caiu tanto?

Mimi

Quando os juros americanos caem em expectativa, o dólar fica menos atraente. Investidores que estavam comprando dólar para aproveitar juros altos começam a sair dessa posição.

Luke

Mas isso é uma mudança de expectativa, não um fato consumado. O Fed ainda pode surpreender em outubro.

Mark

Qual é o peso da eleição brasileira nisso tudo?

Mimi

O primeiro turno é domingo. Há incerteza sobre o resultado, e isso afeta o apetite por risco. Mas hoje o foco foi mesmo na inflação americana.

Luke

Então o Ibovespa subiu apesar da eleição, não por causa dela?

Mimi

Exatamente. O alívio nos juros americanos foi o motor principal. A eleição é um fator de fundo.

Mark

E o petróleo? Por que subiu se o mercado está mais otimista?

Mimi

Porque a rejeição americana à proposta iraniana aumenta a tensão no Golfo Pérsico, a rota mais importante do mundo para petróleo. Isso é um risco de oferta.

Luke

Mas essa é uma negociação que pode mudar rapidamente. Não sabemos se haverá acordo ou não.

Mark

Então o Brasil está pegando uma onda de alívio global, mas com riscos ainda abertos?

Mimi

Isso. O Ibovespa subiu porque o cenário de juros americanos ficou menos apertado. Mas há incertezas na eleição, nas negociações EUA-Irã, e na trajetória fiscal brasileira.

  • Ibovespa fechou em alta de 1,6%, aos 186.752 pontos
  • Núcleo do PCE americano veio em 0,2%, abaixo do consenso de 0,3%
  • Probabilidade de manutenção de juros em outubro subiu para 65%
  • Dólar caiu 0,8%, fechando a R$ 5,17
  • Itaú (ITUB4) subiu 5%; 64 das 76 ações do índice valorizaram

Índice de inflação PCE americano veio mais brando que o consenso, reduzindo expectativas de alta de juros em outubro para 35% de probabilidade. 64 das 76 ações do Ibovespa subiram, com destaque para Itaú (5% de alta); petróleo Brent subiu 0,92% a US$ 103,53 por barril.

O Ibovespa fechou em alta de 1,6% após dados de inflação dos EUA abaixo do esperado aliviarem pressão sobre juros americanos, enquanto o dólar recuou para R$ 5,17.

O Ibovespa encerrou o último pregão de setembro com ganho de 1,6%, fechando aos 186.752 pontos, impulsionado por dados de inflação americana que vieram mais suaves do que o mercado esperava. O índice de gastos pessoais com consumo (PCE), o indicador preferido do Federal Reserve, trouxe alívio às expectativas de novos aumentos de juros nos Estados Unidos, alimentando o apetite dos investidores por ativos de risco. Nesse mesmo movimento, o dólar comercial caiu 0,8% ante o real, fechando a R$ 5,17.

Dos 76 papéis que compõem o índice, 64 registraram valorização, sendo que 31 avançaram mais de 2,5%. O Itaú (ITUB4) foi o destaque, com alta de 5% e maior volume de negociações do dia. Durante a tarde, o índice chegou a alcançar 187.835 pontos, antes de desacelerar ligeiramente no fechamento.

O núcleo da inflação americana — que exclui itens voláteis como energia e alimentos — avançou 0,2% em agosto, abaixo do consenso de 0,3%, enquanto o indicador cheio veio dentro do esperado, com alta de 0,3%. Essa surpresa mais moderada reconfigurou as apostas dos investidores sobre a próxima decisão do banco central americano. Segundo a ferramenta CME FedWatch, a probabilidade de manutenção dos juros em outubro subiu para 65%, contra apenas 35% de chances de um aumento de 0,25 ponto. Na segunda-feira anterior, essas probabilidades eram 29,1% para manutenção e 71% para alta. O mercado ainda espera uma nova elevação de juros, mas agora projeta que ela ocorra em dezembro.

O estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, interpretou os dados como um sinal de que a economia americana continua forte e o mercado de trabalho segue gerando empregos, enquanto a inflação, embora ainda presente, mostrou sinais de arrefecimento. Segundo sua análise, a surpresa mais moderada do PCE pode indicar que parte da pressão inflacionária já havia sido antecipada pelo mercado e incorporada à curva de juros. Isso sugere que o movimento recente de alta dos rendimentos dos títulos americanos pode perder intensidade, ainda que o cenário de juros elevados permaneça no horizonte.

Nos últimos dias, os títulos públicos americanos registraram a maior escalada de juros futuros desde 2002. O título com prazo de 10 anos, referência para crédito imobiliário nos EUA e para a renda fixa global, atingiu 5,28% ao ano. Taxas mais altas no Tesouro americano costumam fortalecer o dólar em relação às demais moedas e reduzem o apetite global por ativos de risco, como ações. O movimento inverso — queda dos juros — aumenta esse apetite e se soma a outros fatores positivos para o mercado brasileiro.

Em Nova York, o desempenho foi mais contido. O Dow Jones perdeu 0,86%, o S&P 500 recuou 0,25%, enquanto o Nasdaq teve alta de 0,24%. O petróleo tipo Brent, referência global e brasileira, subiu 0,92%, a US$ 103,53 por barril, acumulando alta de 15% no mês — a terceira maior do ano. A alta dos preços do petróleo reflete a rejeição dos Estados Unidos a uma proposta iraniana para restabelecer o cessar-fogo no Golfo Pérsico.

O Irã confirmou ter recebido a resposta americana dias depois de o presidente Donald Trump ter afirmado que a havia rejeitado. O plano iraniano visa restaurar um acordo provisório que fracassou semanas após ser assinado por Trump e pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian em junho. Na semana anterior, mediadores do Catar transitaram entre os enviados dos EUA e do Irã em Nova York, à margem de uma reunião das Nações Unidas — as primeiras negociações indiretas entre as partes desde a ruptura do cessar-fogo. O Irã busca que um eventual acordo lhe conceda o controle sobre o Estreito de Ormuz, a rota de transporte de petróleo mais importante do mundo.

No Brasil, o mercado segue concentrado na reta final da eleição presidencial, com o primeiro turno marcado para domingo. Além disso, os investidores avaliam medidas recentes do governo para reduzir o endividamento do país, em meio a discussões sobre trajetória fiscal e dívida pública. Segundo Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, esses temas permanecem no radar dos operadores enquanto o país se aproxima da votação.

A economia norte-americana continua mostrando força e o mercado de trabalho permanece capaz de gerar empregos, enquanto a inflação segue como um desafio, mas veio mais branda do que o mercado esperava
— William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue
A surpresa mais moderada do PCE pode indicar que parte da pressão já foi antecipada pelo mercado e incorporada à curva
— William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue
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