Ibovespa sobe 1,26% com otimismo fiscal do Congresso; dólar fecha a R$ 5,37

Mercado aposta em competência política para conciliar proteção social e disciplina fiscal
Novos líderes do Congresso sinalizam ajuste fiscal mantendo recursos para vacinas e auxílio emergencial.

Pela terceira sessão seguida, o Ibovespa avançou — acumulando 4% em três pregões — num movimento que reflete menos euforia especulativa e mais o alívio coletivo diante de sinais de estabilidade política. A eleição de novos líderes no Congresso comprometidos com o ajuste fiscal devolveu ao mercado uma linguagem familiar: a de que as contas públicas serão respeitadas mesmo enquanto o país ainda negocia vacinas e auxílios emergenciais. É o eterno equilíbrio brasileiro entre a urgência do presente e a promessa de ordem futura.

  • A incerteza política que pesava sobre os investidores começou a se dissipar com a eleição de Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, cujos discursos de responsabilidade fiscal foram recebidos como um sinal de alívio nas mesas de operação.
  • Notícias corporativas robustas amplificaram o otimismo: a Vale avançou em acordo sobre Brumadinho, o Santander Brasil reportou lucro bilionário e a Petrobras bateu recorde de produção no pré-sal.
  • No exterior, o cenário permanecia tenso — Biden negociava cortes no pacote de estímulos de US$ 1,9 trilhão e a zona do euro registrou contração econômica mais profunda em janeiro, pressionada por novas restrições sanitárias.
  • O dólar subiu modestamente a R$ 5,37, enquanto o Ibovespa fechou em 119.724 pontos com volume financeiro de R$ 32 bilhões, sinalizando um mercado que avança com cautela, não com euforia.

A bolsa brasileira encerrou a quarta-feira em alta pelo terceiro pregão consecutivo, com o Ibovespa subindo 1,26% e acumulando ganho de 4,05% na semana. O alívio vinha de Brasília: Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, eleitos para presidir a Câmara e o Senado, chegaram ao cargo com discurso de ajuste fiscal que o mercado aguardava. Ambos sinalizaram compromisso com o teto de gastos enquanto prometiam garantir recursos para vacinas e eventual auxílio emergencial. Bolsonaro compareceu à abertura do ano legislativo e reforçou a vacinação como meta central.

O noticiário corporativo também contribuiu. A Vale, maior peso do índice, avançava em negociações de reparação com Minas Gerais pelo desastre de Brumadinho. O Santander Brasil divulgou lucro de R$ 3,958 bilhões no quarto trimestre, e a Petrobras encerrou 2020 com produção recorde de 2,836 milhões de barris por dia, crescimento de 2,4% puxado pelo pré-sal.

No exterior, o quadro era mais ambíguo. As bolsas americanas oscilaram apesar dos resultados fortes de Amazon e Alphabet, com cautela extra pela saída de Jeff Bezos do comando da Amazon. Em Washington, Biden negociava com republicanos a possibilidade de reduzir o pacote de estímulos de US$ 1,9 trilhão. Na Europa, o PMI composto da zona do euro caiu a 47,8 pontos em janeiro, sinalizando contração. A exceção foi a Itália, cujo índice subiu 2% com a perspectiva de Mario Draghi integrar um governo de união nacional.

No campo da vacinação, o Brasil recebia insumos para produzir 8,6 milhões de doses de CoronaVac em vinte dias. Dados da Sputnik V indicavam 91,6% de eficácia, e o México autorizava seu uso emergencial. Em São Paulo, o governador João Doria anunciava flexibilização do Plano São Paulo a partir do fim de semana, permitindo funcionamento noturno e nos finais de semana para estabelecimentos não essenciais.

A bolsa brasileira fechou quarta-feira em alta, marcando o terceiro pregão consecutivo de ganhos. O Ibovespa subiu 1,26%, encerrando em 119.724 pontos, com volume financeiro de R$ 32,02 bilhões negociados. Na semana, o índice acumulava avanço de 4,05%. O movimento refletia alívio nas ruas de São Paulo e nas mesas de operação: as incertezas políticas que pairavam sobre o mercado começavam a se dissipar.

A razão era clara. Arthur Lira, do Progressistas de Alagoas, e Rodrigo Pacheco, do Democratas de Minas Gerais, haviam sido eleitos para presidir a Câmara dos Deputados e o Senado, respectivamente. Ambos chegavam ao cargo com um discurso que o mercado queria ouvir: compromisso com o ajuste fiscal. Em seus pronunciamentos, os novos líderes do Legislativo sinalizaram prioridades que combinavam responsabilidade orçamentária com necessidade social. Falaram em garantir recursos para a aquisição de vacinas e em explorar possibilidades de auxílio emergencial para brasileiros em situação de miséria, tudo dentro do teto de gastos que limita as despesas federais. O presidente Jair Bolsonaro compareceu à sessão solene de abertura do ano legislativo e reforçou a mensagem, colocando a vacinação contra a Covid-19 e o retorno à normalidade como metas centrais do governo.

O noticiário corporativo também alimentou o otimismo. A Vale, ação mais pesada do índice com mais de 12% de participação, aproximava-se de um acordo com o estado de Minas Gerais sobre reparações pelos danos da tragédia de Brumadinho. O Santander Brasil havia divulgado lucro de R$ 3,958 bilhões no quarto trimestre de 2020. Além disso, a Petrobras encerrou o ano anterior com produção recorde de 2,836 milhões de barris de óleo equivalente por dia, crescimento de 2,4% em relação a 2019, impulsionado principalmente pela produção do pré-sal.

No exterior, o cenário era mais misto. As bolsas americanas fecharam entre ganhos e perdas apesar dos resultados robustos da Amazon e da Alphabet, controladora do Google, que superaram expectativas no quarto trimestre. A Amazon, porém, enfrentava cautela dos investidores pela notícia de que Jeff Bezos deixaria o cargo de CEO. Em Washington, o presidente Joe Biden negociava com senadores republicanos a possibilidade de reduzir seu pacote de estímulos, que estava em US$ 1,9 trilhão. Senadores democratas aprovaram a abertura do debate sobre uma resolução orçamentária que aceleraria o processo de análise do pacote.

Na Europa, o cenário econômico se deteriorava. O índice de gerentes de compras composto do IHS Markit para a zona do euro caiu a 47,8 pontos em janeiro, de 49,1 em dezembro, sinalizando contração econômica aprofundada pelas novas restrições contra o coronavírus que afetavam o setor de serviços. Na Itália, porém, o otimismo prevalecia: o índice FTSE MIB fechou em alta de 2% após notícias de que Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu, poderia integrar um governo de união. A Siemens, conglomerado alemão, elevou significativamente suas previsões para 2021 após primeiro trimestre fiscal com pedidos, receita e lucro acima do esperado.

Na Ásia, a maioria das bolsas fechou em alta, com exceção notável de Shanghai. O índice Caixin/Markit de gerentes de compras da China para janeiro marcou 52 pontos, indicando o menor ritmo de crescimento em nove meses, queda em relação aos 56,3 pontos de dezembro. O dólar comercial, enquanto isso, valorizou-se 0,29%, fechando a R$ 5,3692 na compra e R$ 5,3702 na venda. O dólar futuro com vencimento em março subia 0,16%, a R$ 5,379 no after-market.

No front da vacinação, o Brasil recebia 5.400 litros de insumo para a produção da CoronaVac pelo Instituto Butantan, quantidade suficiente para produzir cerca de 8,6 milhões de doses em vinte dias. Dados publicados sobre a eficácia da Sputnik V apontavam 91,6% de proteção contra a Covid-19, e o México autorizava seu uso emergencial. No Brasil, a União Química já havia solicitado autorização de uso emergencial à Anvisa, embora a agência reguladora afirmasse ainda não ter acesso aos dados completos dos estudos clínicos. João Doria, governador de São Paulo, anunciou suspensão de algumas medidas restritivas do Plano São Paulo a partir do sábado seguinte, permitindo que estabelecimentos comerciais não essenciais funcionassem à noite e nos finais de semana.

As duas Casas conversarão com especialistas para avaliar o modo de tornar o Brasil mais apto a ter acesso à maior quantidade de vacinas, boas vacinas, que já tenham sido atestadas internacionalmente
— Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, presidentes da Câmara e Senado
Governo federal está preparado para implementar o plano nacional de vacinação contra a Covid-19 e colocou a volta à normalidade como meta principal
— Presidente Jair Bolsonaro
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o mercado reagiu tão bem à eleição de Lira e Pacheco? Não são apenas nomes novos na liderança?

Model

Não é só a mudança de rostos. É o que eles representam. Ambos chegam com um discurso explícito sobre ajuste fiscal, sobre respeitar o teto de gastos. Para o mercado, isso reduz uma incerteza enorme que vinha pairando.

Inventor

Mas como isso se concilia com auxílio emergencial e vacinação em massa? Não são gastos?

Model

São, mas gastos dentro de um limite. O mercado está apostando que há espaço para fazer as duas coisas — proteger os mais pobres e manter a disciplina fiscal — sem explodir o orçamento. É uma aposta na competência política.

Inventor

E a Vale? Por que um acordo sobre Brumadinho move tanto a bolsa?

Model

Porque a Vale é pesada demais no índice. Mais de 12% de participação. Qualquer movimento dela reverbera em todo o Ibovespa. Um acordo reduz risco regulatório e legal para a empresa.

Inventor

O que você acha do cenário internacional? Parece mais frágil.

Model

É. A zona do euro está contraindo, a China desacelerou. Mas o Brasil está se beneficiando de uma coisa: o mercado está olhando para dentro, vendo sinais de estabilidade política. Quando há caos político, ninguém quer estar aqui. Agora há esperança.

Inventor

A vacinação é só notícia ou muda realmente o cálculo econômico?

Model

Muda tudo. Se o Brasil conseguir vacinar rápido, volta à normalidade mais cedo. Volta o consumo, volta o emprego. É por isso que Bolsonaro colocou isso como meta central. O mercado acredita que dessa vez é sério.

Contact Us FAQ