Ibovespa sobe 0,32% com Petrobras em alta e incertezas no Oriente Médio

O Brasil recebe fluxos em momento de aversão global ao risco
Estrategistas do JPMorgan destacam o extraordinário influxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira apesar da crise geopolítica.
Mark

Por que o Ibovespa subiu tão pouco — apenas 0,32% — se a Petrobras teve ganho de 2,69% e o petróleo subiu 4,55%?

Mimi

Porque o resto do mercado estava puxando para baixo. Os bancos devolveram ganhos, o consumo caiu, e havia incerteza global. O ganho da Petrobras não foi suficiente para compensar.

Luke

Mas qual é o tamanho real da Petrobras no índice? Se ela subiu tanto e o índice quase não se moveu, ou ela não pesa tanto quanto parece, ou havia vendas em outros setores que não estão claras no texto.

Mark

E quanto aos sinais do Irã? Trump diz que as conversas são produtivas, mas o Irã lança mísseis e nega negociações. Qual é a verdade?

Mimi

Ninguém sabe. Fontes iranianas dizem que houve apenas discussões preliminares, não negociações reais. O Irã endureceu sua postura e quer concessões significativas. Trump está falando de forma mais otimista.

Luke

Então temos Trump dizendo uma coisa, o parlamento iraniano negando, e fontes anônimas em Teerã dizendo outra. O mercado está reagindo emocionalmente porque não há informação clara — é especulação pura.

Mark

Por que o Brasil está recebendo tanto capital estrangeiro se o mundo inteiro está com medo?

Mimi

Porque o Brasil é visto como um porto seguro dentro dos mercados emergentes. Oferece juros altos, está cortando taxas de forma controlada, e a América Latina é preferida em relação a outras regiões emergentes.

Luke

Mas R$ 6,9 bilhões em março até o dia 20 — isso é fluxo líquido ou bruto? Se for líquido, significa que saíram R$ X e entraram R$ X+6,9. O número é impressionante, mas precisamos saber se é entrada pura ou apenas o saldo.

Mark

O que o corte de juros do BC muda nessa história?

Mimi

Abre espaço para mais cortes se a situação geopolítica melhorar. Se o petróleo cair e a incerteza diminuir, o BC pode acelerar para 0,50 ponto. Se piorar, mantém 0,25.

Luke

A ata diz que o BC "deixou a porta aberta". Isso é linguagem de banco central para "não sabemos o que fazer ainda". Eles estão esperando ver como o Oriente Médio se resolve antes de decidir.

  • Ibovespa subiu 0,32% para 182.509,14 pontos com volume de R$ 25 bilhões
  • Petrobras PN avançou 2,69%, petróleo Brent fechou em alta de 4,55% a US$ 104,49
  • Irã lançou mísseis contra Israel enquanto Trump reafirma conversas 'produtivas'
  • Entrada líquida de R$ 6,9 bilhões de estrangeiros em março até dia 20
  • BC iniciou ciclo de corte de juros com redução de 0,25 ponto para 14,75% ao ano

Ibovespa subiu a 182.509,14 pontos com volume de R$ 25 bilhões, sustentado principalmente pela Petrobras em alta de 2,69% acompanhando o petróleo Brent a US$ 104,49. Irã lançou mísseis contra Israel nesta terça, mas Trump reafirma conversas 'produtivas' com Teerã, criando volatilidade emocional nos mercados globais dependentes de notícias geopolíticas.

Ibovespa fechou em alta de 0,32% nesta terça-feira, impulsionado pela Petrobras e alta do petróleo, enquanto investidores monitoram incertezas sobre a guerra no Oriente Médio e negociações entre EUA e Irã.

A bolsa brasileira fechou terça-feira em terreno positivo, com o Ibovespa avançando 0,32% para 182.509,14 pontos, movimentando R$ 25 bilhões em volume financeiro. O ganho modesto refletia uma dinâmica contraditória nos mercados globais: enquanto a Petrobras subia 2,69% puxada pela alta do petróleo Brent — que fechou em elevação de 4,55%, a US$ 104,49 — investidores internacionais permaneciam em estado de cautela diante de sinais confusos vindos do Oriente Médio.

O dia anterior havia sido bem mais animador. Na segunda-feira, o Ibovespa havia disparado mais de 3%, aproximando-se dos 183 mil pontos, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que suspenderia ataques à infraestrutura energética iraniana e descrever suas conversas com o Irã como "produtivas". Essa sinalização havia acalmado os mercados e elevado as esperanças de uma desescalada no conflito. Mas terça-feira trouxe ruído: o Irã lançou ondas de mísseis contra Israel, segundo as Forças Armadas israelenses, enquanto o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, negava que houvesse negociações em andamento. Fontes de alto escalão em Teerã informaram à Reuters que o país havia tido apenas discussões preliminares com Paquistão, Turquia e Egito sobre a possibilidade de negociações com os EUA para encerrar a guerra. De acordo com essas mesmas fontes, a postura iraniana havia endurecido significativamente desde o início do conflito, e o país exigiria concessões substanciais dos americanos caso os esforços de mediação evoluíssem para conversas sérias.

Trump, porém, reforçou terça-feira que os EUA estavam conversando com "as pessoas certas" no Irã e que os iranianos desejavam muito chegar a um acordo. Essa contradição entre os sinais oficiais e as informações de fontes iranianas criou o que analistas descrevem como volatilidade emocional nos mercados. Willian Queiroz, sócio e advisor da Blue3 Investimentos, resumiu o clima: o mundo observava o Oriente Médio tentando entender como os EUA tentariam resolver a questão da guerra com o Irã, e o ambiente permanecia cauteloso globalmente. Ipek Ozkardeskaya, analista do Swissquote, foi mais direta: o sentimento do mercado estava totalmente dependente das notícias sobre a guerra e dos preços de energia. "As reações são altamente emocionais: os investidores querem que a guerra termine, que a recente queda seja 'a oportunidade de compra' e querem aproveitar essa queda. Mas a incerteza permanece."

Em Wall Street, o S&P 500 caiu 0,37%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA avançava para 4,3896%, ante 4,336% na véspera. No Brasil, a agenda doméstica oferecia algum suporte. O Banco Central, na ata de sua última reunião do Comitê de Política Monetária, havia indicado que dependeria da incorporação de novos dados para determinar o tamanho e a duração do ciclo de "calibração" da Selic. O BC havia iniciado um ciclo de corte de juros na semana anterior, reduzindo a taxa básica em 0,25 ponto percentual para 14,75% ao ano. Analistas do BTG Pactual interpretaram a ata como consistente com a leitura de que o Copom deixara a porta aberta tanto para acelerar quanto para manter o ritmo de 0,25 ponto, a depender da evolução do cenário geopolítico. Eles estimavam que uma redução de incerteza com impactos positivos sobre o preço do petróleo levaria a uma aceleração do ritmo para 0,50 ponto.

O mais notável, porém, era o fluxo extraordinário de capital estrangeiro para a bolsa paulista. Estrategistas do JPMorgan chamaram atenção para o fato de que, mesmo com a piora no cenário externo em meio à guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, investidores internacionais continuavam entrando no Brasil. Dados da B3 mostravam uma entrada líquida de quase R$ 6,9 bilhões em março até o dia 20, ampliando o ganho positivo no ano para cerca de R$ 48,6 bilhões. "É realmente extraordinário o fato de o Brasil estar recebendo fluxos em um momento de aversão global ao risco", afirmou relatório do JPMorgan assinado por Emy Shayo e Cinthya Mizuguchi. Essa situação reforçava a visão de que, dentro dos mercados emergentes, a América Latina era um porto seguro e, dentro da América Latina, o Brasil era o mais bem posicionado.

Entre os destaques do pregão, a Petrobras PN avançou 2,69%, acompanhada por pares menores como PRIO ON (2,53%), BRAVA ON (1,94%) e PETRORECONCAVO ON (0,08%). O setor bancário devolveu parte dos ganhos da véspera: Itaú Unibanco PN recuou 0,56%, Bradesco PN cedeu 0,32%, Banco do Brasil ON caiu 1,29% e Santander Brasil Unit perdeu 0,63%, enquanto BTG Pactual Unit avançou 0,72%. Vale ON subiu 0,79% em dia de alta dos futuros do minério de ferro na China. Embraer ON caiu 1,84%, corrigindo parte do avanço anterior, quando havia saltado quase 7% após notícia de que a Finnair renovaria sua frota com 18 aeronaves E195-E2. MRV&CO subiu 1,18% e Cury ON avançou 1,14% após aprovação de mudanças no Minha Casa Minha Vida que ampliavam a renda máxima de famílias elegíveis. Azzas 2154 ON recuou 2,83%, afetada pelo movimento na curva futura de juros que impactava papéis sensíveis à economia doméstica.

É realmente extraordinário o fato de o Brasil estar recebendo fluxos em um momento de aversão global ao risco
— JPMorgan (Emy Shayo e Cinthya Mizuguchi)
As reações são altamente emocionais: os investidores querem que a guerra termine, que a recente queda seja 'a oportunidade de compra' e querem aproveitar essa queda. Mas a incerteza permanece
— Ipek Ozkardeskaya, Swissquote
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