Investidores estrangeiros aportaram R$ 9,6 bilhões na bolsa brasileira em setembro, revertendo saídas do mês anterior e sinalizando confiança renovada. O Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual para 13,75%, quinta flexibilização consecutiva, deixando porta aberta para novos cortes nos próximos meses.
Ibovespa salta 5% em setembro com retomada de fluxo estrangeiro e foco nas eleições
Quando estrangeiros voltam, é porque acreditam que há oportunidades
Por que o retorno do investimento estrangeiro foi tão importante para o Ibovespa em setembro?
Porque sinaliza confiança renovada. Quando estrangeiros saem, é sinal de que veem risco. Quando voltam com R$ 9,6 bilhões em um mês, é porque acreditam que o Brasil oferece oportunidades novamente.
Mas é importante notar que esse fluxo ainda é pequeno comparado ao saldo anual de R$ 27,7 bilhões. Setembro recuperou uma queda, mas não criou um novo patamar.
E as eleições? Como elas influenciam o mercado?
O mercado está dividido. As pesquisas tradicionais mostram uma disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, mas os mercados preditivos internacionais indicam vantagem para Bolsonaro. Se isso se confirmar, os agentes financeiros acreditam que haverá uma reação positiva dos ativos.
Aqui precisamos ser cuidadosos: os mercados preditivos são proibidos no Brasil, então estamos falando de apostas internacionais que podem não refletir a realidade eleitoral brasileira. É uma aposta, não uma previsão.
Magazine Luiza subiu 50%. Isso foi só pela parceria com Mercado Livre?
Não foi só isso. A Anvisa revogou uma proibição sobre medicamentos, a empresa é muito alavancada e se beneficia muito de juros menores — cada queda de 100 pontos-base na Selic aumenta o lucro por ação em 10%.
Verdade, mas é importante dizer que essa sensibilidade extrema também significa que qualquer reversão nos juros pode derrubar a ação com a mesma força. É uma faca de dois gumes.
E Natura? Por que caiu tanto?
O JP Morgan viu três problemas: a empresa não conseguiu melhorar a geração de caixa como esperava, o valuation ficou caro comparado aos concorrentes, e há problemas operacionais reais que sugerem que uma reestruturação pode ser necessária.
O banco também revisou para baixo as estimativas de lucro em 15% e aumentou o custo de capital por causa da alta dos juros nos EUA. Então não é só uma questão de execução brasileira, é também pressão externa.
O Pulso
- Ibovespa subiu 5,03% em setembro, fechando em 186.340,46 pontos
- Investidores estrangeiros aportaram R$ 9,6 bilhões na bolsa brasileira até 28 de setembro
- Banco Central cortou Selic de 14% para 13,75%, quinta flexibilização consecutiva
- Magazine Luiza saltou mais de 50%, melhor desempenho do mês
- Natura caiu quase 24%, com JP Morgan reduzindo preço-alvo de R$ 11 para R$ 8,50
Investidores estrangeiros aportaram R$ 9,6 bilhões na bolsa brasileira em setembro, revertendo saídas do mês anterior e sinalizando confiança renovada. O Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual para 13,75%, quinta flexibilização consecutiva, deixando porta aberta para novos cortes nos próximos meses.
O Ibovespa recuperou perdas de agosto e subiu 5,03% em setembro, impulsionado pela retomada de investimento estrangeiro e proximidade das eleições presidenciais brasileiras.
Setembro trouxe alívio para o mercado de ações brasileiro depois de um agosto fraco. O Ibovespa subiu 5,03% no mês, fechando em 186.340,46 pontos e recuperando completamente a queda de 0,33% acumulada no mês anterior. Dois fatores principais explicam essa recuperação: o retorno de investidores estrangeiros à bolsa e a proximidade das eleições presidenciais, que mantêm o mercado atento aos possíveis cenários políticos à frente.
Os investidores internacionais voltaram com força. Até o dia 28 de setembro, estrangeiros aportaram R$ 9,6 bilhões na bolsa brasileira, revertendo a saída significativa registrada em agosto. No acumulado do ano, o saldo de investimento estrangeiro segue positivo em R$ 27,7 bilhões, segundo dados da B3. Para os agentes financeiros, esse retorno de capital externo sinaliza confiança renovada no mercado brasileiro, apesar das incertezas políticas que pairam sobre o país.
A disputa presidencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, e o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e candidato pelo PL, segue acirrada conforme as pesquisas eleitorais tradicionais. Porém, os mercados preditivos internacionais — proibidos no Brasil — indicam uma vantagem do senador sobre Lula. Para os operadores de mercado, uma eventual consolidação desse cenário poderia abrir espaço para uma reação ainda mais positiva dos ativos brasileiros nos meses seguintes.
No front da política monetária, o Banco Central cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, reduzindo-a de 14% para 13,75% ao ano. Foi a quinta flexibilização consecutiva dos juros, e a decisão do Comitê de Política Monetária saiu unânime, alinhada com as expectativas do mercado. O comunicado trouxe poucas novidades em relação ao mês anterior, mas deixou a porta aberta para novos cortes nas próximas reuniões. Essa perspectiva de juros menores beneficiou especialmente as empresas mais alavancadas, como varejistas e companhias de consumo.
Magazine Luiza foi a grande estrela de setembro, com a ação saltando mais de 50% e se tornando o melhor desempenho do índice no mês. A varejista anunciou uma parceria com o Mercado Livre para oferecer produtos de estoque próprio das marcas Magazine Luiza, KaBuM! e Época Cosméticos dentro da plataforma de marketplace do Meli. Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária revogou uma medida que proibia a comercialização, distribuição e propaganda de medicamentos pela empresa. O JP Morgan destacou que Magalu, por ser uma das empresas mais alavancadas em sua cobertura, apresenta elevada sensibilidade à queda de juros — para cada variação de 100 pontos-base, o lucro por ação se altera em 10%.
No lado oposto, Natura registrou queda de quase 24% em setembro. No último pregão do mês, o JP Morgan rebaixou a classificação da empresa de Overweight para Neutra e reduziu o preço-alvo de R$ 11 para R$ 8,50. O banco citou três razões principais: a não concretização da tese de melhora na geração de caixa, um valuation não atrativo em relação aos pares, e um fraco momento operacional com problemas de execução que colocam uma nova rodada de reestruturação no radar.
No cenário internacional, as negociações de paz entre Estados Unidos e Irã para encerrar os conflitos no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz continuaram em impasse, mantendo o petróleo Brent acima de US$ 100 por barril. Nos EUA, o Federal Reserve elevou os juros em 25 pontos-base pela primeira vez desde julho de 2023, para a faixa de 3,75% a 4,00%. O presidente do Fed, Kevin Warsh, manteve um tom firme ao afirmar que a inflação está muito alta e há muito tempo assim, e que os índices do verão não indicam melhora significativa nas tendências subjacentes. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano atingiram máximas de anos — o Treasury de 30 anos alcançou o maior nível desde 2002, enquanto o de 10 anos renovou máximas em 19 anos. Wall Street teve um saldo misto: o Dow Jones recuou 4,34%, o S&P 500 caiu 0,25%, mas o Nasdaq acumulou alta de 2,21%.
O dólar à vista acumulou desvalorização de apenas 0,10% sobre o real em setembro, encerrando a última sessão cotado a R$ 5,1750. Com a eleição se aproximando e o mercado atento aos possíveis desdobramentos políticos, os investidores seguem monitorando tanto os números domésticos quanto o comportamento dos mercados internacionais, que continuam pressionados pelas incertezas geopolíticas e pela postura mais firme dos bancos centrais globais.
Citações Notáveis
A inflação está muito alta e já está assim há muito tempo. Os índices de inflação deste verão não me indicam que as tendências subjacentes tenham melhorado significativamente.— Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve