Ibovespa salta 2% e toca 188 mil pontos com fluxo estrangeiro e otimismo eleitoral

Mercado precifica possível alternância de poder e potencial euforia
Investidores começam a apostar em cenários de mudança de governo a quatro dias das eleições presidenciais.
Mark

O que exatamente mudou nos números de inflação americana que fez o mercado reagir assim?

Mimi

O PCE subiu apenas 0,3% em agosto, bem abaixo do que se esperava. Isso convenceu os investidores de que o Federal Reserve provavelmente vai manter os juros onde estão em outubro, em vez de continuar subindo.

Luke

Mas a inflação anual ainda está em 3,4%, acima da meta de 2%. Isso não é exatamente uma vitória completa, certo?

Mimi

Verdade, mas é uma melhora em relação aos 3,7% do mês anterior. O mercado está vendo a tendência, não o número absoluto.

Mark

E quanto ao lado político? Como as eleições entram nessa história?

Mimi

Faltam quatro dias para o primeiro turno, e a disputa está muito acirrada. Parte do mercado já está apostando que uma mudança de governo poderia trazer um movimento positivo na Bolsa, especialmente se associarem isso a um melhor controle das contas públicas.

Luke

Mas isso é especulação, não é? As pesquisas não apontam um vencedor claro, então ninguém sabe realmente o que vai acontecer.

Mimi

Exato. É por isso que o mercado está precificando a possibilidade, não a certeza. Leandro Nogueira da Cordier citou o precedente de 2018, quando houve cerca de 30% de ganho no índice.

Mark

Esse fluxo estrangeiro que voltou — é sinal de que os investidores internacionais estão confiantes no Brasil?

Mimi

Parece que sim. O EWZ, que é o fundo que rastreia o mercado brasileiro, subiu 2,70%. Isso sugere que capital estrangeiro está entrando.

Luke

Mas é um dia. Um dia de bom humor global, com inflação americana mais baixa. Não sabemos se isso vai durar ou se é apenas uma reação tática.

Mimi

Verdade. O mercado está respondendo a dois fatores positivos simultâneos — alívio externo e incerteza doméstica que pode resultar em mudança. Mas tudo isso é muito sensível ao que acontecer nos próximos dias.

  • Ibovespa subiu 2,18%, atingindo 187.834,97 pontos
  • PCE dos EUA subiu 0,3% em agosto, abaixo das expectativas
  • Probabilidade de manutenção de juros pelo Fed em outubro saltou de 49,1% para 60,7%
  • EWZ (fundo que replica mercado brasileiro) subiu 2,70% na NYSE
  • Magazine Luiza liderou ganhos com alta de mais de 10%

Dados de inflação nos EUA abaixo das expectativas reduziram apostas de novos aumentos de juros, aliviando pressão sobre a curva de juros global e brasileira. Incerteza sobre resultado das eleições presidenciais brasileiras em quatro dias leva mercado a precificar possível alternância de poder e potencial euforia na Bolsa.

O Ibovespa avançou 2,18% nesta quarta-feira, atingindo 187.834 pontos, impulsionado por dados de inflação americana mais brandos que o esperado e pela incerteza da eleição presidencial brasileira.

A Bolsa brasileira ganhou fôlego nesta quarta-feira, 30 de setembro, com o Ibovespa subindo 2,18% e tocando a marca de 187.834,97 pontos — um avanço de 4.007,38 pontos desde o fechamento anterior. O movimento refletiu dois fatores distintos que convergiram para impulsionar o mercado: a notícia de inflação mais moderada nos Estados Unidos e a incerteza política que marca a reta final da campanha presidencial brasileira, a apenas quatro dias do primeiro turno.

Nos EUA, o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) subiu 0,3% em agosto na comparação mensal — resultado mais brando do que o mercado esperava. No acumulado do ano, a inflação preferida do Federal Reserve ficou em 3,4%, acima da meta de 2% perseguida pelo banco central norte-americano, mas abaixo dos 3,7% registrados no mês anterior. A leitura mais tranquilizadora abriu espaço para que investidores revisassem suas apostas sobre novos aumentos de juros. A ferramenta FedWatch, do CME Group, agora aponta 60,7% de chance de o Fed manter os juros na faixa de 3,75% a 4,00% em outubro — um salto em relação aos 49,1% de probabilidade registrados no dia anterior. William Castro, estrategista-chefe da Avenue, avaliou que o resultado ajuda a aliviar a pressão que vinha sendo observada sobre os rendimentos dos Treasuries e sobre as expectativas de uma sequência mais intensa de altas nas taxas norte-americanas.

No plano doméstico, a disputa presidencial entre o incumbente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro segue acirrada, sem um vencedor claro segundo as pesquisas eleitorais. Parte do mercado já começou a precificar uma eventual mudança de governo. Leandro Nogueira, sócio da Cordier, observou que uma alternância de poder poderia desencadear um movimento positivo expressivo na Bolsa no curto prazo, caso os investidores associem o cenário a um maior controle das contas públicas. Ele citou o precedente do primeiro mandato de Jair Bolsonaro, quando o índice registrou cerca de 30% de oscilação positiva.

O fluxo estrangeiro retornou ao mercado brasileiro, sinal visível no desempenho do iShares MSCI Brazil (EWZ), um fundo de índice negociado na Bolsa de Nova York que replica o desempenho do mercado acionário brasileiro. Por volta das 15h, o EWZ subia 2,70%, a US$ 37,46 na máxima intradia. As ações de maior capitalização lideraram os ganhos. O setor financeiro avançou 3,60%, com destaque para o Itaú, que subiu mais de 5% e superou R$ 500 bilhões em valor de mercado pela sexta vez neste ano. O Santander recuava, pressionado pela possível deslistagem na B3. Vale e Petrobras também operavam em alta, sinalizando entrada de capital estrangeiro.

A Magazine Luiza liderou os ganhos do índice com um salto de mais de 10%, impulsionada pelo alívio na curva de juros futuros e pela visão otimista do JPMorgan sobre a varejista. O banco espera ganhos de participação de mercado provenientes da recuperação judicial da Casas Bahia, da recente parceria com o Mercado Livre e da expectativa de juros mais baixos. Na ponta negativa, a Totvs recuava 2,71%, a R$ 33,70. No mercado de câmbio, o dólar operava em queda ante as moedas globais, com o indicador DXY — que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes — operando perto da estabilidade, a 101.419 pontos. O cenário de juros mais baixos nos EUA e a renovada confiança em ativos brasileiros criaram um ambiente favorável para o mercado acionário, ainda que a incerteza eleitoral permaneça como fator de volatilidade nos próximos dias.

O resultado ajuda a aliviar parte da pressão que vinha sendo observada sobre os yields dos Treasuries e sobre as expectativas de uma sequência mais intensa de altas nos juros dos EUA
— William Castro, estrategista-chefe da Avenue
Uma eventual alternância de poder poderia desencadear um movimento positivo expressivo na Bolsa no curto prazo, caso o mercado associe o cenário a um maior controle das contas públicas
— Leandro Nogueira, sócio da Cordier
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