Ibovespa perde força às vésperas do 1º turno e chega à eleição sob pressão

Mercado não fica nesse patamar após as eleições
Analista da XP projeta movimento mais amplo após o segundo turno, com alta ou queda significativa.
Mark

Por que o mercado perde força justamente agora, uma semana antes da eleição?

Mimi

O Ibovespa tinha recuperado quase 25 mil pontos em menos de um mês, saindo de 164 mil para 189 mil. Mas desde o começo de setembro, quando atingiu essa máxima, o índice começou a oscilar em uma faixa mais estreita. A proximidade da eleição amplifica a incerteza — o mercado não sabe qual será o resultado, e isso reduz o apetite por risco.

Luke

Mas o estrangeiro continua comprando, certo? R$ 8,97 bilhões em setembro. Isso não deveria estar sustentando a alta?

Mimi

Sustenta, parcialmente. É por isso que o Ibovespa ainda está acima de 183 mil pontos e não caiu mais. Mas o fluxo estrangeiro agora precisa atravessar uma semana com política, dados econômicos e questões fiscais todas acontecendo ao mesmo tempo.

Mark

Qual é o risco fiscal que o mercado está vendo?

Mimi

O governo anunciou medidas que custam até R$ 42,3 bilhões — Bolsa Família, Desenrola, fim das bets. Essas despesas não estavam no orçamento de 2027, e a pergunta é como o governo vai compensar isso sem furar o teto de gastos.

Luke

Mas o governo disse que vai acomodar dentro das regras fiscais. Isso não é suficiente?

Mimi

Não, porque o mercado quer saber como. Remanejamento de onde? Corte de qual despesa? Enquanto isso não ficar claro, a dúvida permanece.

Mark

E se a eleição for apertada? As pesquisas mostram Lula com 40% e Flávio com 36%, dentro da margem de erro.

Mimi

Exatamente. Há 7% de eleitores "decididos indecisos" e uma parcela maior que ainda não escolheu candidato. A última semana pode produzir mudanças significativas.

Luke

Os analistas falam em dois cenários muito diferentes — 210 mil pontos ou 165 mil. Isso significa que ninguém sabe o que vai acontecer?

Mimi

Não é que ninguém saiba. É que o índice está em um ponto de inflexão. Se superar 189.500 pontos, sinaliza alta. Se cair abaixo de 180.800, abre espaço para uma correção maior. Tudo depende de como o mercado absorver a eleição e as informações econômicas dos próximos dias.

Mark

Então a semana que vem é realmente decisiva?

Mimi

Sim. Temos payroll americano no último pregão antes da votação, pesquisas eleitorais que podem se mover, e a possibilidade de novos anúncios do governo. Qualquer um desses fatores pode mexer com o índice.

  • Ibovespa caiu 0,95% na semana, encerrando aos 183.476 pontos
  • Recuperação de 164 mil para 189 mil pontos em menos de um mês (14 de agosto a 8 de setembro)
  • Investidores estrangeiros com entrada líquida de R$ 8,97 bilhões em setembro
  • Medidas do governo com impacto fiscal de até R$ 42,3 bilhões no próximo mandato
  • Pesquisa Datafolha: Lula 40%, Flávio Bolsonaro 36%, diferença dentro da margem de erro

O índice recuperou-se de 164 mil para 189 mil pontos em agosto, mas perdeu velocidade e agora oscila em faixa estreita entre 180 mil e 185 mil pontos. Investidores estrangeiros mantêm entrada líquida positiva de R$ 8,97 bilhões em setembro, sustentando parcialmente os ganhos acumulados de 13,87% no ano.

O Ibovespa chega ao primeiro turno das eleições com menos impulso, caindo 0,95% na semana e encerrando aos 183,5 mil pontos. A proximidade das urnas, incertezas fiscais e medidas anunciadas pelo governo aumentam a volatilidade do mercado.

A Bolsa brasileira chega ao primeiro turno das eleições de 2026 com menos força do que trazia semanas atrás. O Ibovespa encerrou a sexta-feira, 25 de setembro, aos 183.476 pontos, acumulando uma queda de 0,95% na semana. A trajetória recente conta uma história de ganhos conquistados e depois parcialmente entregues: em menos de um mês, entre 14 de agosto e 8 de setembro, o índice havia saltado de 164.835 para 189.487 pontos — um avanço de quase 25 mil pontos. Desde então, porém, o movimento perdeu velocidade, e a Bolsa passou a oscilar em uma faixa mais estreita, entre 180 mil e 185 mil pontos.

Apesar do recuo recente, o quadro geral ainda preserva ganhos significativos. O Ibovespa acumula alta de 3,41% em setembro e 13,87% no ano. Os investidores estrangeiros continuam compradores, com entrada líquida de R$ 8,97 bilhões apenas em setembro e R$ 27,26 bilhões acumulados até 23 de setembro. Essa combinação — ganhos preservados, mas impulso perdido — reflete um mercado que convive com fatores de sustentação e incertezas simultâneas. A proximidade das urnas, marcadas para o próximo domingo, 4 de outubro, amplifica o peso da política sobre um ambiente que já enfrentava dúvidas fiscais e fluxos de capital voláteis.

A disputa presidencial entra na reta final com números apertados. Na pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira, Luiz Inácio Lula da Silva aparecia com 40% das intenções de voto contra 36% de Flávio Bolsonaro — uma diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Outras pesquisas também mostravam distâncias estreitas: a Quaest registrou 37% a 33%, enquanto o AtlasIntel/Bloomberg apontou 45,8% a 43,4%. Além disso, cerca de 7% dos eleitores foram classificados como "decididos indecisos", e uma parcela maior ainda não havia definido candidato na pergunta espontânea. Essa indefinição deixa espaço para movimentos finais da campanha, debates e acontecimentos de última hora alterarem o cenário.

O governo anunciou medidas nas últimas semanas que recolocam a questão fiscal no centro das preocupações do mercado. O reajuste do Bolsa Família, a nova etapa do Desenrola e a proibição das apostas on-line têm impacto potencial de até R$ 42,3 bilhões sobre as contas públicas do próximo mandato. O Bolsa Família representa o maior custo, com R$ 22 bilhões adicionais estimados para 2027. O Desenrola 3.0 prevê até R$ 15 bilhões para compra de carteiras de dívidas, enquanto o fim das bets representa uma perda estimada de R$ 5,3 bilhões em receitas. O governo afirma que pretende acomodar essas medidas dentro das regras fiscais, mas a questão para o mercado permanece: como essa compensação será feita e qual espaço fiscal restará para o próximo mandato?

Analistas técnicos da XP, Aliakyn Pereira e Ross, trabalham com dois cenários para o índice. O Ibovespa registrou sua máxima em 189.487 pontos no pregão de 8 de setembro, e essa região se tornou a principal resistência antes do topo histórico de 199.354 pontos, alcançado em abril. Para uma retomada consistente, o índice precisa superar novamente os 189.500 pontos. Abaixo disso, o suporte crítico está nos 180.800 pontos. Se o Ibovespa fechar abaixo desse nível, abre-se um sinal de venda com alvo para os 164.835 pontos — a mínima de agosto e origem do movimento recente. O Índice de Força Relativa de 14 períodos está em 53,81 pontos, dentro da região considerada neutra, refletindo a indecisão do mercado.

Roberto Indech, Head de Relações Institucionais de Renda Variável da XP Inc., avalia que o Ibovespa não permanecerá por muito tempo nos níveis atuais após o processo eleitoral avançar. Na sua leitura, após o segundo turno, o índice pode registrar um movimento mais amplo — subindo para a região dos 210 mil pontos ou caindo para a casa dos 165 mil pontos. Indech ressalta que essa avaliação não está condicionada automaticamente à vitória de um candidato específico. "Independentemente de quem ganhar essas eleições, acredito que o mercado vai se mover, seja para cima ou para baixo, e que não deve permanecer nesse patamar atual de 180 mil a 185 mil pontos."

Os próximos cinco pregões antes do primeiro turno ainda têm gatilhos importantes. A agenda inclui números fiscais no Brasil e indicadores econômicos nos Estados Unidos — PIB, PCE e ADP estão previstos para 30 de setembro, enquanto o payroll será divulgado em 2 de outubro, no último pregão antes da votação. Esses dados podem alterar expectativas para juros, dólar e fluxo de capital para mercados emergentes. O comportamento do investidor estrangeiro continuará sendo uma peça importante: o saldo comprador de R$ 8,97 bilhões em setembro ajuda a explicar por que o Ibovespa ainda preserva parte dos ganhos mesmo depois de perder velocidade. O ponto é que esse fluxo agora precisa atravessar uma semana em que política, fiscal e dados econômicos podem alterar rapidamente as expectativas.

A fotografia para a abertura da semana decisiva é, portanto, diferente daquela observada no início de setembro. O Ibovespa continua com ganhos no mês e no ano, o estrangeiro permanece comprador e a recuperação desde agosto ainda não foi anulada. Mas a queda da última semana deixou o índice com menos impulso justamente quando a eleição entra em sua fase decisiva. No gráfico, a indecisão aparece entre níveis que ainda separam uma retomada da alta de uma correção mais profunda. Fora dele, os próximos cinco pregões dirão quanto dessa perda de força foi apenas uma pausa — e quanto o mercado pretende carregar de cautela até a abertura das urnas no domingo.

O Ibovespa registrou forte alta a partir do pregão de 14 de agosto de 2026, saindo dos 164.835 pontos e atingindo a máxima do movimento em 189.487 pontos. Essa máxima foi registrada no pregão de 8 de setembro e, desde então, a região se tornou a principal resistência do Ibovespa antes do topo histórico.
— Aliakyn Pereira e Ross, analistas técnicos da XP
Independentemente de quem ganhar essas eleições, acredito que o mercado vai se mover, seja para cima ou para baixo, e que não deve permanecer nesse patamar atual de 180 mil a 185 mil pontos.
— Roberto Indech, Head de Relações Institucionais de Renda Variável da XP Inc.
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