Em meio a um ciclo de valorização que já dura cinco semanas, o mercado brasileiro encontrou nesta terça-feira um momento de pausa reflexiva: o Ibovespa avançou apenas 0,18%, como se o próprio índice respirasse fundo antes de decidir seu próximo passo. No centro da jornada, a BRF ergueu uma visão de uma década inteira — 55 bilhões em investimentos, receita de 100 bilhões — lembrando que, mesmo em tempos de cautela coletiva, há empresas que apostam no futuro com convicção.
Ibovespa fecha com alta discreta; BRF dispara 8,69% com plano de crescimento
Indicadores técnicos mostram tendência de alta clara
Por que o Ibovespa subiu tão pouco se a BRF teve um resultado tão forte?
Porque o mercado estava fazendo realização de lucros. Depois de cinco semanas subindo bastante, dos 104 mil para 113 mil pontos, é natural que investidores vendam para embolsar ganhos. A BRF puxou para cima, mas outros setores como bancos e energia puxaram para baixo.
Mas quanto dessa queda em bancos e energia é realmente fraqueza fundamental, e quanto é só movimento tático de realização?
Boa pergunta. Os analistas não especificam isso claramente. Sabemos que Petrobras caiu, mas não sabemos se é por notícia específica ou só por lucro realizado.
E esse plano da BRF é realista? Triplicar o Ebitda em dez anos?
A companhia está apostando em crescimento agressivo com 55 bilhões de investimento. Se conseguir, a receita chega a 100 bilhões. Mas é uma projeção, não uma garantia.
Exatamente. É um plano de dez anos. Muita coisa pode mudar. O mercado reagiu bem porque é otimista, mas não há confirmação de que esses números vão se materializar.
E quanto àquele comentário sobre 120 mil pontos até o final do ano?
É a visão do Bruno Guimarães da EWZ Capital. Ele vê indicadores técnicos positivos e acredita que o viés continua altista, apesar da correção.
Mas é uma opinião de um analista. Não é consenso de mercado. Outros podem ter visões diferentes.
Faz sentido. E o IPO da Rede D'Or, isso é significativo?
Muito. É o maior IPO desde 2013. Mostra que há confiança em trazer empresas para a bolsa, mesmo em um ano de pandemia.
Mas não sabemos ainda como a ação vai se comportar depois do primeiro dia. IPO grande não garante desempenho futuro.
The Pulse
- Após cinco semanas de alta consistente, o mercado sinalizou cansaço: o Ibovespa oscilou durante todo o pregão antes de fechar com ganho simbólico de 0,18%, em 113.793 pontos.
- A BRF rompeu o clima de moderação ao anunciar um plano decenal ousado — 55 bilhões em investimentos e Ebitda crescendo 3,5 vezes —, disparando 8,69% e liderando as altas do dia.
- Bancos e Petrobras pesaram sobre o índice, com Bradesco PN caindo 1,19% e a preferencial da estatal recuando 1,26%, refletindo cautela fiscal doméstica e incerteza no mercado de petróleo.
- Analistas como Bruno Guimarães, da EWZ Capital, reconhecem o risco de uma 'chacoalhada' de curto prazo por realização de lucros, mas mantêm viés altista com meta de 120 mil pontos para o fim de 2020.
- A Rede D'Or São Luiz precificou seu IPO a 57,92 reais por ação — o maior desde 2013 —, marcando um sinal de confiança estrutural no mercado de capitais brasileiro mesmo em ano de pandemia.
Em meio a um ciclo de valorização que já dura cinco semanas, o mercado brasileiro encontrou nesta terça-feira um momento de pausa reflexiva: o Ibovespa avançou apenas 0,18%, como se o próprio índice respirasse fundo antes de decidir seu próximo passo. No centro da jornada, a BRF ergueu uma visão de uma década inteira — 55 bilhões em investimentos, receita de 100 bilhões — lembrando que, mesmo em tempos de cautela coletiva, há empresas que apostam no futuro com convicção.
A bolsa brasileira encerrou a terça-feira com ganhos tímidos, num pregão que traduziu bem o estado de espírito do mercado: ativo, mas cauteloso. O Ibovespa subiu 0,18%, fechando em 113.793 pontos após tocar a máxima de 114.381 pontos durante o dia. O volume de 28,1 bilhões de reais mostrou que o interesse dos investidores não sumiu — apenas ficou mais seletivo.
O grande protagonista foi a BRF, que saltou 8,69% ao apresentar um plano de crescimento para os próximos dez anos: 55 bilhões de reais em investimentos, receita líquida projetada em 100 bilhões e expansão do Ebitda superior a 3,5 vezes. O anúncio funcionou como um contraponto ao clima de realização de lucros que dominou boa parte do pregão, atraindo compradores e reforçando o apetite pelo setor de alimentos.
Eletrobras também brilhou, com as ações ordinárias subindo 5,92% e as preferenciais avançando 4,99%, após o BTG Pactual iniciar cobertura com recomendação de compra. Magazine Luiza ganhou 4,83%, enquanto o varejo online mostrou comportamento misto. Do lado negativo, Bradesco PN recuou 1,19%, Itaú Unibanco PN caiu 0,26% e Petrobras pressionou o índice com quedas tanto na preferencial quanto na ordinária.
Bruno Guimarães, da EWZ Capital, descreveu o movimento como natural após cinco semanas de valorização expressiva, apontando o risco fiscal doméstico como razão para alguma prudência. Ainda assim, ele manteve o otimismo: os indicadores técnicos seguem apontando para cima, e o Ibovespa pode encerrar 2020 próximo dos 120 mil pontos, mesmo que uma correção de curto prazo não esteja descartada.
O dia também ficou marcado pelo IPO da Rede D'Or São Luiz, precificado a 57,92 reais por ação — o maior do país desde 2013 —, num sinal de que, apesar das incertezas, o mercado de capitais brasileiro mantém sua vitalidade. Nos Estados Unidos, Wall Street fechou em alta impulsionada por notícias positivas sobre vacinas contra a Covid-19, embora a indefinição sobre novos estímulos fiscais tenha contido os ganhos.
A bolsa brasileira fechou terça-feira com ganhos modestos, refletindo um dia de oscilações e realização de lucros após semanas de valorização consistente. O Ibovespa subiu apenas 0,18%, terminando em 113.793,06 pontos, mas não sem antes alcançar a máxima de 114.381,14 pontos durante o pregão. O volume financeiro movimentado somou 28,1 bilhões de reais, indicando atividade robusta apesar da cautela dos investidores.
O destaque do dia foi a BRF, que disparou 8,69% após divulgar seu plano de crescimento para a próxima década. A companhia projeta investimentos de 55 bilhões de reais, com receita líquida chegando a 100 bilhões de reais e expansão do Ebitda superior a 3,5 vezes. Esse anúncio ambicioso atraiu compradores e reforçou a confiança em papéis do setor de alimentos.
Analistas observam que o mercado enfrenta um clima de correção natural após cinco semanas de valorização expressiva. Bruno Guimarães, chefe da mesa de renda variável da EWZ Capital, descreveu o movimento como intuitivo, citando o risco fiscal doméstico como fator que justifica alguma prudência. Ainda assim, ele ressaltou que os indicadores técnicos continuam sinalizando tendência de alta clara nos gráficos, com espaço para ganhos adicionais em diversos papéis. Guimarães não descarta uma "chacoalhada" no curto prazo motivada por realização de lucros, mas acredita que será limitada e que o viés permanece altista para o encerramento de 2020, com expectativa de o Ibovespa fechar próximo aos 120 mil pontos.
Outros destaques positivos incluíram as ações da Eletrobras, que avançaram 5,92% (ordinária) e 4,99% (preferencial) após o BTG Pactual iniciar cobertura com recomendação de compra e preços-alvo de 57 reais para as ONs e 63 reais para as PNBs. Magazine Luiza subiu 4,83%, enquanto o setor de varejo online mostrou movimento desigual, com Via Varejo ganhando 1,55% e B2W recuando 0,33%.
Os bancos apresentaram fraqueza relativa. Itaú Unibanco PN caiu 0,26% e Bradesco PN recuou 1,19%, pesando sobre o índice. Vale terminou praticamente estável com variação negativa de 0,06%, mas o setor de mineração e siderurgia sofreu pressão, com Usiminas PNA recuando 4,29%. Petrobras também contribuiu para os ganhos limitados, com a preferencial caindo 1,26% e a ordinária recuando 0,87%, refletindo incerteza nos contratos futuros de petróleo no exterior.
Embraer fechou em queda de 2,03%, após acumular alta de 15,7% nos cinco primeiros pregões do mês. A companhia aérea ainda registra queda superior a 50% no acumulado do ano. Suzano ON subiu apenas 0,15%, apesar do anúncio de aumento de preços de celulose para clientes do Sudeste Asiático e Oriente Médio, fixados em 550 dólares a tonelada. Klabin Unit fechou estável.
O dia também foi marcado pela precificação da oferta de ações da Rede D'Or São Luiz, que saiu a 57,92 reais por papel, representando o maior IPO no país desde 2013. Nos Estados Unidos, Wall Street fechou em alta, impulsionada principalmente pelo setor de saúde com notícias positivas sobre vacinas contra a Covid-19, embora a incerteza em torno de novo estímulo fiscal tenha limitado os ganhos.
Notable Quotes
Esperamos que o Ibovespa feche perto da casa dos 120 mil pontos neste ano ainda— Bruno Guimarães, chefe da mesa de renda variável da EWZ Capital
Há um clima de correção na bolsa brasileira após cinco semanas de valorização relevante— Bruno Guimarães, EWZ Capital