O índice ultrapassou 115 mil pontos impulsionado pelo setor financeiro
Na última quinta-feira de setembro, o mercado brasileiro encontrou em si mesmo uma direção que a manhã não prometia: o Ibovespa cruzou a fronteira dos 115 mil pontos, carregado pelos bancos e pela mineração, enquanto o dólar recuava discretamente após dias de avanço. O movimento reflete não apenas o humor doméstico, mas a atenção permanente dos mercados emergentes ao que se decide nos corredores do Federal Reserve — onde uma taxa de juros no patamar mais alto em 22 anos continua a pesar sobre o apetite global por risco.
- O Ibovespa abriu indeciso e oscilou perto do zero antes de ganhar tração e romper os 115 mil pontos pela primeira vez, encerrando em 115.269,75 pontos.
- Bancos e Vale lideraram o avanço: Banco do Brasil subiu 2,43%, Itaú avançou 1,73% e a mineradora contribuiu com alta de 1,25%, contrastando com o ganho tímido de 0,12% do dia anterior.
- O dólar inverteu a tendência de alta que vinha acumulando, recuando 0,19% para cerca de R$ 5,038, após ter fechado no dia anterior no maior nível desde maio.
- O PIB americano do segundo trimestre foi confirmado em crescimento de 2,1%, reforçando a solidez da maior economia do mundo e influenciando o humor dos investidores brasileiros.
- O verdadeiro suspense ficou para depois do pregão: o mercado aguardava o discurso do presidente do Fed sobre o futuro dos juros americanos, mantidos no nível mais alto em 22 anos após 11 altas nas últimas 13 reuniões.
Na manhã de 28 de setembro, o Ibovespa não dava sinais claros de para onde iria. A abertura foi marcada por volatilidade e oscilação próxima ao zero — o tipo de indecisão que costuma frustrar quem espera por tendências. Mas a tarde trouxe convicção: por volta das 12h45, o índice subia 0,82% e ultrapassava pela primeira vez a barreira dos 115 mil pontos, fechando em 115.269,75 pontos.
O impulso veio principalmente do setor financeiro. O Banco do Brasil avançou 2,43% e o Itaú subiu 1,73%, enquanto a Vale contribuía com alta de 1,25%. O contraste com o dia anterior era evidente: na quarta-feira, o Ibovespa havia encerrado com ganho de apenas 0,12%, em 114,3 mil pontos. A quinta representou um passo mais firme.
O dólar viveu uma jornada de reversão. Após abrir em alta — como vinha fazendo nos dias anteriores — a moeda americana inverteu o sinal e recuava 0,19%, mantendo-se em torno de R$ 5,038. No dia anterior, havia fechado a R$ 5,047, seu maior patamar desde maio.
No pano de fundo, dois elementos moldavam o humor dos investidores. O primeiro era a confirmação do crescimento de 2,1% da economia americana no segundo trimestre, dado que reforça a saúde global e orienta decisões sobre onde alocar capital. O segundo — e mais aguardado — era o discurso do presidente do Federal Reserve após o fechamento do pregão. Com os juros americanos mantidos entre 5,25% e 5,5% ao ano, no nível mais alto em duas décadas, qualquer sinalização sobre o futuro dessa taxa tinha o poder de reconfigurar o apetite dos mercados por ativos brasileiros.
Na quinta-feira, 28 de setembro, o mercado brasileiro acordou indeciso. O Ibovespa abriu sob volatilidade, oscilando perto do zero, mas ganhou força conforme a tarde avançava. Por volta das 12h45, o índice principal da Bolsa de Valores do Brasil subia 0,82%, ultrapassando pela primeira vez a barreira dos 115 mil pontos — fechando em 115.269,75 pontos. O movimento foi puxado principalmente pelo setor financeiro, que respondeu bem às expectativas do dia.
Os bancos lideraram o avanço. As ações do Itaú subiram 1,73%, enquanto o Banco do Brasil avançou 2,43%. A Vale, maior empresa de mineração do país, também contribuiu com alta de 1,25%. Esse desempenho contrasta com o fechamento do dia anterior, quando o Ibovespa havia registrado apenas 0,12% de ganho, encerrando em 114,3 mil pontos. A recuperação de quinta representava um passo mais firme para cima.
O dólar, por sua vez, viveu um dia de reversão. Começou a sessão em alta, como vinha acontecendo nos dias anteriores, mas inverteu o sinal durante a manhã. Às 12h45, a moeda americana recuava 0,19%, mantendo-se em torno de R$ 5,038. A volatilidade foi contida — a máxima do dia chegou a R$ 5,069, enquanto a mínima ficou em R$ 5,016. No dia anterior, o dólar havia fechado em alta de 1,22%, cotado a R$ 5,047, seu maior patamar desde 31 de maio, quando havia encerrado a sessão em R$ 5,073.
Por trás desses movimentos estava a repercussão de dados econômicos americanos. O Departamento de Comércio dos EUA divulgou que a economia americana, a maior do mundo, havia crescido 2,1% entre abril e junho de 2023. O número confirmava a leitura anterior do PIB americano para o segundo trimestre, que havia sido divulgada no fim de agosto. Para os investidores brasileiros, esses dados importam porque sinalizam a saúde da economia global e influenciam decisões sobre onde colocar dinheiro.
Mas o verdadeiro foco do mercado estava em outro lugar: no discurso que o presidente do Federal Reserve — o Banco Central dos EUA — faria após o fechamento do pregão. Havia expectativa de que ele sinalizasse algo sobre a taxa básica de juros americana. Na última reunião do Fed, o banco central americano havia decidido manter os juros no patamar de 5,25% a 5,5% ao ano. Apesar de não ter elevado a taxa, o Comitê Federal de Mercado Aberto optou por mantê-la no nível mais alto em 22 anos. Nas últimas 13 reuniões, houve elevação dos juros em 11 ocasiões e manutenção em duas. Qualquer sinalização sobre o futuro dessa taxa poderia reconfigurar o apetite dos investidores por ativos brasileiros.
Notable Quotes
Na última reunião do Fed, o banco central americano manteve os juros no patamar de 5,25% a 5,5% ao ano, apesar de não ter elevado a taxa— Departamento de Comércio dos EUA / Federal Reserve
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o Ibovespa subiu justamente nesta quinta, depois de abrir tão incerto?
O mercado começou confuso, mas ganhou confiança quando viu que os bancos estavam dispostos a comprar. Quando um setor grande como esse se move, puxa o resto junto.
E o dólar? Por que inverteu de alta para baixa?
Provavelmente porque o mercado começou a precificar a possibilidade de que os juros americanos não vão subir mais. Se os juros não sobem, o dólar fica menos atrativo.
Mas os dados do PIB americano não eram novidade, certo?
Exato. Já tinham sido divulgados antes. O que importava era confirmar que o número estava certo, e isso dava mais segurança para as apostas do dia.
Então tudo dependia do que o Fed ia dizer depois do fechamento?
Tudo. Se o presidente sinalizasse mais aperto, o dólar voltava a subir e o Ibovespa recuava. Se sinalizasse pausa, o que o mercado esperava, a tendência de quinta continuava.
Vale e bancos subiram juntos. Há alguma conexão?
Não direta. Vale subiu porque é sensível ao crescimento global — se a economia americana está bem, a demanda por minério sobe. Os bancos subiram porque juros altos são bons para eles, e a perspectiva de pausa nos juros americanos reduz o risco de crise.