Ibovespa encerra semana em alta após cinco quedas consecutivas

Trégua política acalma, mas cautela ainda predomina
O Ibovespa recupera-se de cinco semanas de perdas, mas o mercado segue atento aos desdobramentos fiscais.
Mark

Como a bolsa conseguiu fechar a semana em alta se a sexta-feira foi de queda?

Mimi

O Ibovespa caiu 0,45% na sexta, mas acumulou ganho de 3,69% na semana inteira. Foram cinco semanas seguidas de perdas antes disso, então essa recuperação foi significativa.

Luke

Mas qual foi o motor dessa recuperação? A sexta-feira em si não explica.

Mimi

Principalmente uma trégua política e sinais do governo sobre as contas públicas. Houve bastante estresse no mercado com questões fiscais, e quando o governo reiterou o compromisso com o teto de gastos, isso acalmou os investidores.

Mark

E os setores? Houve movimento generalizado ou concentrado?

Mimi

Bem concentrado. Petrobras caiu 3%, os bancos tiveram correção, mas construção disparou — MRV subiu 8,51% com boas prévias operacionais.

Luke

Então a semana positiva não foi consenso no mercado. Alguns setores ainda estavam sob pressão.

Mimi

Exato. E a cautela continuava forte por causa das incertezas fiscais. O giro foi robusto, R$ 21,9 bilhões, mas os movimentos mostravam pouca convicção.

Mark

O que o mercado espera agora?

Mimi

Medidas fiscais mais concretas, que devem vir após as eleições municipais. E há otimismo com as vacinas contra Covid-19 — algumas com aprovação prevista ainda em 2020.

Luke

Então o otimismo é condicional. Depende de reformas que ainda não foram anunciadas e de vacinas que ainda estão em testes.

Mimi

Sim. É esperança, mas com ressalvas. Os gestores do fundo Verde falam em recuperação econômica, mas reconhecem que o cenário ainda é de incertezas.

  • O Ibovespa fechou a sexta-feira em queda de 0,45%, incapaz de romper a barreira técnica dos 98 mil pontos, nível cuja perda em setembro abriu caminho para a derrocada até 93 mil.
  • Petrobras recuou mais de 3% acompanhando a queda do petróleo no mercado global, enquanto os bancos devolveram parte dos ganhos conquistados na véspera.
  • O setor de construção civil foi o grande destaque positivo: MRV disparou 8,51% após revelar aumento expressivo em lançamentos e vendas no terceiro trimestre.
  • A trégua política e a reafirmação do compromisso com o teto de gastos aliviaram a pressão, mas medidas fiscais concretas só devem chegar após as eleições municipais.
  • Gestores do fundo Verde e analistas do Morgan Stanley convergem: o mercado olha para 2021 com cautela otimista, apostando no impacto positivo da vacinação e dos juros reais negativos sobre a retomada econômica.

Após cinco semanas seguidas de perdas, o Ibovespa encontrou fôlego para encerrar a semana em alta de 3,69% — um respiro modesto, mas carregado de significado em tempos de incerteza fiscal e política. A trégua não veio de resoluções concretas, mas de sinais de que o caos poderia ser contido: o governo reafirmou o teto de gastos, e o horizonte da vacinação contra a Covid-19 começou a ganhar contornos mais nítidos. Como tantas vezes na história dos mercados, foi a esperança — e não a certeza — que moveu os ponteiros.

A sexta-feira foi de movimentos contidos na bolsa brasileira. O Ibovespa oscilou em faixa estreita e fechou em queda de 0,45%, aos 97.483 pontos, em pregão marcado pela cautela típica de véspera de feriado nos dois países. Ainda assim, o giro financeiro surpreendeu positivamente, alcançando R$ 21,9 bilhões — acima da média diária do ano.

Entre os destaques negativos, Petrobras ON e PN recuaram mais de 3%, acompanhando a queda do petróleo no mercado internacional. Os bancos, que haviam avançado na quinta-feira, devolveram parte dos ganhos. Para o analista Rafael Ribeiro, da Clear Corretora, a incapacidade de superar os 98 mil pontos é um sinal de alerta: esse patamar precisa ser rompido para que o mercado avance de verdade, e a recuperação do setor bancário será peça-chave nesse movimento.

O contraponto veio da construção civil. MRV liderou os ganhos da sessão com alta de 8,51%, impulsionada por prévias operacionais que mostraram crescimento expressivo em lançamentos e vendas no terceiro trimestre ante o mesmo período de 2019. Cyrela também se destacou, com valorização de 4,59%.

Apesar da queda na sexta, o índice encerrou a semana em alta de 3,69%, quebrando uma sequência de cinco perdas consecutivas. O alívio veio de uma relativa trégua política e da reafirmação governamental de compromisso com o teto de gastos — embora medidas mais concretas só devam ser anunciadas após as eleições municipais, como destacaram analistas do Morgan Stanley.

Os gestores do fundo Verde, em carta de setembro, expressaram confiança no equilíbrio fiscal e apontaram para sinais encorajadores: o auxílio emergencial havia mais que compensado a queda de renda, os juros reais negativos estimulariam a retomada, e as perspectivas de vacinação contra a Covid-19 já no início de 2021 abriam espaço para um cenário bastante positivo para ações.

A sexta-feira foi um dia de movimentos contidos na bolsa brasileira. O Ibovespa oscilou entre 98.642 e 97.161 pontos, ensaiando uma leve alta em alguns momentos, mas fechou em queda de 0,45%, aos 97.483 pontos. A cautela que marcou o pregão era típica de véspera de feriado — segunda-feira seria ponto facultativo nos Estados Unidos e no Brasil — mas havia algo mais profundo alimentando a hesitação dos investidores. O giro financeiro, porém, foi robusto: R$ 21,9 bilhões, acima da média diária do ano de R$ 20,5 bilhões.

Entre os papéis de maior peso, Vale ON subiu levemente 0,51%, enquanto Petrobras ON e PN recuaram 3,30% e 3,13%, respectivamente, acompanhando a queda dos preços globais de petróleo. O setor bancário, que havia ganho terreno na quinta-feira, devolveu parte dos ganhos: Itaú Unibanco PN cedeu 0,29% e Bradesco ON recuou 0,21%, embora Bradesco PN tenha valorizado 0,44%. Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, observou que os bancos não conseguiram sustentar a força do dia anterior e que o índice não foi capaz de romper a barreira dos 98 mil pontos — justamente o nível perdido no final de setembro que abriu caminho para a queda até 93 mil. Para que o mercado avance de verdade no curtíssimo prazo, disse, será necessário romper esse patamar, e a recuperação dos bancos será vital para isso.

O destaque positivo veio do setor de construção. MRV ON liderou os ganhos da sessão com alta de 8,51%, após divulgar prévias operacionais mostrando aumento de lançamentos e vendas no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2019. Cyrela ON também se destacou, ganhando 4,59%. Apesar da queda na sexta, porém, o índice encerrou a semana em alta de 3,69%, interrompendo uma sequência de cinco semanas consecutivas de perdas.

O que permitiu ao mercado respirar foi uma relativa trégua no cenário político, embora a cautela ainda predominasse. O principal foco de preocupação continuava sendo o rumo das contas públicas. Após período de estresse significativo, o governo sinalizou que buscaria alternativas para financiar o programa Renda Cidadã e reiterou seu compromisso com a manutenção do teto de gastos. Mas as medidas mais concretas só devem chegar após as eleições municipais. Os analistas do Morgan Stanley foram diretos em seu relatório: no Brasil, não esperavam grandes novidades na agenda de reformas ou nas discussões orçamentárias, pois as eleições municipais passariam para o primeiro plano.

Os gestores do fundo Verde, em carta referente a setembro, enfatizaram a importância do teto de gastos e expressaram confiança de que o país continuaria perseguindo o equilíbrio fiscal. Eles apontavam para sinais positivos: o auxílio emergencial de R$ 600 havia sido muito significativo e mais que compensou a queda da renda total no país. Agora reduzido a R$ 300, seria acompanhado pela volta das atividades econômicas. O ambiente de juros reais negativos também estimularia a recuperação do PIB. A expectativa para o fim do ano era receber boas notícias sobre as diferentes vacinas para a Covid-19, várias delas na terceira e última fase de testes, algumas com aprovação prevista ainda em 2020. Ao longo do primeiro trimestre de 2021, era possível que a economia já refletisse o impacto positivo do início da vacinação. Diante da correção dos preços dos ativos e das boas perspectivas sobre o fim da pandemia, os gestores mantinham uma visão bastante positiva para investimentos em ações.

Para o mercado evoluir de verdade no curtíssimo prazo, será preciso romper a barreira dos 98 mil pontos, e a retomada dos bancos será vital
— Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora
No Brasil, não esperamos grandes novidades na agenda de reformas ou nas discussões orçamentárias. As eleições municipais passarão para o primeiro plano
— Analistas do Morgan Stanley
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