Ibovespa cai com tombo da Petrobras e dólar em máxima do ano; Focus e Copom no radar

O dólar avançou 9,04% na semana, a maior alta desde outubro de 2008
O salto do câmbio na semana pós-eleição foi o maior desde a crise financeira global.
Mark

Por que essa semana ficou tão marcada?

Mimi

Porque juntou duas quedas raras: o Ibovespa perdeu 18,12%, a quinta maior queda semanal desde 1994, e o dólar subiu 9,04%, o maior salto desde outubro de 2008.

Mark

E hoje, o que pesou?

Mimi

A Petrobras, com queda de cerca de 3,7% nas ações, junto com o petróleo, que já tinha caído mais de 7% na segunda. A Vale também recuou, por causa do minério.

Luke

Vale separar: a reportagem liga a queda à reeleição de Lula, mas isso é a leitura do mercado, não uma causalidade comprovada. Os números de semana e de dia são confirmados; a explicação é atribuída.

Mark

O Copom está dividido?

Mimi

Está. De 75 instituições, 39 esperam corte de 0,25 ponto e 36 esperam manutenção em 13,75%.

Luke

Uma diferença de três votos não é consenso. Ninguém sabe a decisão, e a pesquisa é só uma amostra de instituições.

Mark

E o Focus?

Mimi

Mostra a inflação de 2026 em 5,22%, acima do teto de 4,5%, e o dólar projetado em R$ 5,34, contra R$ 5,05 antes.

Luke

São medianas de projeções, não previsões garantidas. E sobre a proposta de Lara Resende, o ministro Durigan só diz que não está na mesa; o conteúdo dela não aparece no texto.

  • O Ibovespa despencou 18,12% em uma única semana, uma das quedas mais duras desde o Plano Real, e a Petrobras arrasta o índice com ações em forte baixa.
  • O dólar disparou 9,04% frente ao real na semana, o maior salto desde a crise de 2008, deixando investidores em alerta com a fragilidade das contas públicas.
  • A proposta fiscal do economista Lara Resende foi rejeitada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que pede um ajuste gradual e nega que a ideia esteja na mesa do governo.
  • O Copom de quarta-feira está dividido entre cortar a Selic em 0,25 ponto e mantê-la em 13,75%, e a decisão deve definir o humor dos próximos pregões.
  • Balanço do Itaú e as expectativas inflacionárias acima do teto da meta mantêm a cautela, com a perspectiva de juros mais altos por mais tempo.

Em uma terça-feira de início de novembro, a Bolsa brasileira seguiu em queda depois de um outubro carregado de incertezas, num movimento que mistura o peso da Petrobras, a fraqueza do petróleo e a reavaliação dos ativos do país após a reeleição de Lula. O dólar, cotado perto de R$ 5,49, atingiu o maior patamar do ano, enquanto investidores medem o custo de uma política fiscal ainda sem rumo claro e de juros que podem permanecer altos. Como em outros momentos de virada eleitoral, o mercado tenta distinguir o que é ruído do que é tendência, e ainda não encontrou resposta definitiva.

O primeiro pregão de novembro começou com o mercado brasileiro ainda digerindo um outubro pesado. O Ibovespa fechou o mês com perda de 9,88% e voltou a cair nesta terça-feira, enquanto investidores tentavam entender o tamanho da reavaliação dos ativos brasileiros após a reeleição de Lula.

O dólar à vista subiu 0,79% e foi cotado a R$ 5,4872, o maior patamar do ano. A semana anterior tinha sido de estrago real: o Ibovespa acumulou queda de 18,12%, a quinta maior baixa semanal desde 1994, e o dólar avançou 9,04%, o maior salto semanal desde outubro de 2008.

Hoje, a Petrobras puxou o índice para baixo, com as ações ordinárias recuando 3,65% e as preferenciais 3,79%, acompanhando o petróleo, que segue em queda. A Vale também perdeu terreno, pressionada pelo minério de ferro, e o Itaú cedia antes de divulgar seu balanço.

No campo fiscal, o ministro Dario Durigan afirmou que a proposta de Lara Resende tem deficiências e que o governo defende um ajuste gradual. Já o Boletim Focus mostrou projeções de inflação e juros subindo, com o IPCA de 2026 acima do teto da meta.

Agora, todos os olhos estão no Copom de quarta-feira. Com o mercado dividido entre corte e manutenção da Selic em 13,75%, a decisão pode indicar se o pior já passou ou se o país ainda tem um caminho difícil pela frente.

O primeiro pregão de novembro começou com o mercado brasileiro ainda digerindo um outubro pesado. O Ibovespa fechou o mês com desvalorização acumulada de 9,88% e voltou a cair nesta terça-feira, com investidores avaliando os efeitos da forte reprecificação dos ativos brasileiros após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O dólar à vista subiu 0,79% contra o real e foi cotado a R$ 5,4872, o maior patamar do ano. A cautela dos investidores se divide entre os rumos da política monetária e as incertezas fiscais depois das eleições. A expectativa predominante é de manutenção da Selic em 13,75% ao ano, com atenção ao comunicado do Banco Central e às sinalizações sobre os próximos passos dos juros.

Os números da semana anterior dão a dimensão do estrago. O Ibovespa acumulou queda de 18,12%, a quinta maior baixa semanal desde o início do Plano Real, em 1994, segundo levantamento da Elos Ayta. No câmbio, o dólar avançou 9,04% frente ao real, a maior alta semanal desde outubro de 2008, em plena crise financeira.

No pregão de hoje, o peso da Petrobras foi decisivo. As ações ordinárias (PETR3) caíram 3,65% e as preferenciais (PETR4), 3,79%, acompanhando o recuo dos contratos futuros de petróleo. Brent e WTI recuaram de novo, estendendo perdas acima de 7% registradas na segunda-feira (2), quando a Bolsa brasileira esteve fechada pelo feriado de Finados. A Vale (VALE3) perdeu 2,85%, pressionada pelo minério de ferro, que fechou em baixa de 0,74% na Bolsa de Dalian, na China, e de 0,59% em Singapura. No pregão anterior, os papéis da mineradora haviam subido 3,28% após o balanço do terceiro trimestre. O Itaú (ITUB4) cedia 0,47% antes de divulgar seu resultado trimestral, após o fechamento. Em Nova York, o EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado nos EUA, recuou 1,34%, sinal de saída de capital estrangeiro.

O Boletim Focus trouxe o primeiro consenso após a reeleição de Lula. A mediana do IPCA para 2026 passou de 5,19% para 5,22%, acima do teto da meta, de 4,5% ao ano. A projeção para a Selic no fim deste ano subiu de 13,25% para 13,5%. Para o dólar no fim de 2026, a mediana saltou de R$ 5,05 para R$ 5,34.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), na quarta-feira (4), é incerta. Pesquisa do Projeções Broadcast com 75 instituições financeiras mostrou 39 apostando em corte de 0,25 ponto porcentual e 36 em manutenção da taxa em 13,75%.

No campo fiscal, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a proposta de Lara Resende tem várias deficiências e que nada parecido está na mesa do governo, que sequer tem agenda marcada sobre o tema. Defendeu um "ajuste gradual" nas contas públicas e classificou a ideia como incipiente, posta para debate público, mas ainda não uma proposta a ser avaliada.

Lá fora, o quadro foi misto. O Dow Jones caiu 0,38%, enquanto o S&P 500 subiu 0,37% e o Nasdaq, 0,83%. Milhões de americanos votam nas eleições de meio de mandato, para renovar a Câmara e um terço do Senado. O relatório JOLTS mostrou 7,523 milhões de vagas abertas em setembro, acima dos 7,125 milhões previstos por analistas consultados pela FactSet, dado acompanhado de perto pelo Federal Reserve.

O mercado agora olha para o balanço do Itaú e, sobretudo, para o Copom de quarta-feira, em que a Selic pode cair ou ficar onde está.

É uma ideia incipiente que foi colocada para debate público, mas não é uma proposta a ser avaliada ainda.
— Dario Durigan, ministro da Fazenda
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