A quatro dias de um prazo que pode redesenhar as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o Ibovespa encerrou sua terceira sessão consecutiva em queda, recuando 1,04% para 132.129,26 pontos, enquanto investidores aguardam, em silêncio tenso, a possível imposição de tarifas de 50% sobre exportações brasileiras. O Brasil foi singularizado em meio a um cenário global onde outros blocos negociam acordos — a Europa fechou com Washington, a China estendeu sua trégua — mas os canais diplomáticos brasileiros permanecem bloqueados. É o tipo de momento em que os mercados não oscilam por dados,
Ibovespa cai 1,04% em terceira sessão de perdas com tarifas de Trump no radar
O tempo passa e nenhum dos telefones até agora tocou
Por que exatamente o mercado brasileiro está tão assustado com as tarifas de Trump quando outros países conseguiram negociar reduções?
Porque o Brasil foi isolado. Enquanto Trump ofereceu 15% para a Europa e está negociando com a China, o Brasil recebeu uma ameaça de 50%. Não é uma questão de mercado — é uma questão de poder político. O Brasil não tem o mesmo peso que a UE ou a China nas negociações.
Os senadores estão tentando fazer Lula ligar para Trump. Qual é a chance real de isso funcionar neste ponto?
Honestamente? Pequena. Se não conseguiram agendar uma reunião com o ministro das Relações Exteriores, é improvável que um telefonema mude a posição de Trump. Ele já sinalizou que quer tarifas, e o Brasil não tem muita moeda de troca.
Mas há boas notícias — a ONU disse que o Brasil saiu do Mapa da Fome. Por que isso não está animando o mercado?
Porque o mercado não pensa em longo prazo quando está assustado. Uma conquista social importante é invisível quando há risco de uma crise cambial e comercial iminente. O mercado quer certeza, não esperança.
A Europa e a China conseguiram acordos. O que o Brasil poderia oferecer que não ofereceu?
Talvez compras de produtos americanos, como fez a Europa. Ou concessões em setores específicos. Mas o governo Lula está em uma posição difícil — ceder demais politicamente é arriscado, e não ceder o suficiente comercialmente também é.
Então estamos vendo um mercado que está esperando por um resultado que provavelmente não virá?
Exatamente. E isso é o pior cenário possível. A incerteza paralisa. O volume de negócios caiu para 1 milhão de operações — as pessoas estão esperando, não investindo. Quando a sexta-feira chegar e as tarifas entrarem em vigor, o mercado pode ter uma reação muito mais violenta.
Le Pouls
- O prazo de 1º de agosto se aproxima como uma tempestade anunciada: tarifas de 50% sobre exportações brasileiras podem entrar em vigor em menos de quatro dias, sem que qualquer acordo tenha sido firmado.
- O volume de negócios na B3 mal ultrapassou 1 milhão de operações — um mercado que não recua, mas congela, paralisado pela incerteza de quem não sabe para onde correr.
- Enquanto Europa e China avançam em negociações com Washington, o Brasil permanece isolado: o chanceler Mauro Vieira não conseguiu sequer agendar uma reunião com Trump, e senadores em missão nos EUA pedem que Lula ligue diretamente ao presidente americano.
- O dólar subiu para R$ 5,59 e os grandes bancos derreteram — Itaú caiu 2,10%, Banco do Brasil recuou 1,48% —, enquanto a Petrobras foi a única exceção positiva em um pregão dominado pelo pessimismo.
- A 'Super Quarta' se aproxima com decisões simultâneas do Copom e do Federal Reserve, oferecendo ao mercado uma rara janela de redefinição — mas o alívio nos juros futuros reflete espera, não confiança.
A quatro dias de um prazo que pode redesenhar as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o Ibovespa encerrou sua terceira sessão consecutiva em queda, recuando 1,04% para 132.129,26 pontos, enquanto investidores aguardam, em silêncio tenso, a possível imposição de tarifas de 50% sobre exportações brasileiras. O Brasil foi singularizado em meio a um cenário global onde outros blocos negociam acordos — a Europa fechou com Washington, a China estendeu sua trégua — mas os canais diplomáticos brasileiros permanecem bloqueados. É o tipo de momento em que os mercados não oscilam por dados, mas por ausência de palavras entre líderes que ainda não se falaram.
Na tarde de segunda-feira, 28 de julho, o Ibovespa encerrou aos 132.129,26 pontos, acumulando sua terceira queda consecutiva com recuo de 1,04%. O volume de negócios foi mínimo — pouco mais de 1 milhão de operações —, revelando um mercado não em pânico, mas em suspensão. A razão é conhecida: em quatro dias, as tarifas de 50% anunciadas pelo governo Trump sobre exportações brasileiras podem entrar em vigor.
O Brasil ocupa uma posição incômoda no tabuleiro comercial global. Enquanto Estados Unidos e União Europeia fecharam um acordo com tarifas reduzidas a 15%, e a China sinalizou extensão de uma trégua por 90 dias, os canais diplomáticos brasileiros permanecem travados. O ministro Mauro Vieira não conseguiu agendar reunião com Trump. Senadores brasileiros em missão nos EUA pedem que o presidente Lula ligue diretamente ao líder americano. Os telefones, até agora, não tocaram.
No mercado financeiro, o dólar subiu 0,52%, chegando a R$ 5,59. Os juros futuros caíram ao longo de toda a curva — não por otimismo, mas pela expectativa da chamada 'Super Quarta', quando Copom e Federal Reserve anunciam suas decisões de política monetária simultaneamente. Entre as ações, os bancos lideraram as perdas: Itaú caiu 2,10%, Banco do Brasil recuou 1,48%, Bradesco cedeu 0,77%. A B3 despencou 2,83%. Apenas a Petrobras escapou, subindo 0,13% com o apoio do petróleo internacional.
Há conquistas reais no horizonte brasileiro que o mercado ainda não consegue processar. A ONU confirmou que o Brasil saiu do Mapa da Fome, com menos de 2,5% da população em subnutrição entre 2022 e 2024. O Boletim Focus revisou a inflação para baixo pela nona semana seguida. Mas a dívida pública federal subiu 2,77% em junho, e o ruído tarifário abafa qualquer sinal positivo.
Uma voz isolada de otimismo veio de João Braga, da Encore, que afirmou não se lembrar de um momento tão favorável para a bolsa brasileira. Mas o mercado, por ora, ouve outro relógio — o que conta os dias até sexta-feira.
O relógio marca os últimos dias antes de um prazo que assombra o mercado brasileiro. Na segunda-feira, 28 de julho, o Ibovespa desabou 1,04%, fechando aos 132.129,26 pontos — uma perda de 1.394,92 pontos que marca a terceira queda consecutiva. O volume de negócios mal ultrapassou 1 milhão de operações, um sinal claro de que os investidores estão paralisados pela incerteza. A culpa é simples: em quatro dias, no próximo sexta-feira, as tarifas do governo Trump entram em vigor, e o Brasil enfrenta a ameaça de uma taxa de 50% sobre suas exportações para os Estados Unidos.
O cenário é particularmente angustiante porque, enquanto Trump anuncia que as tarifas globais ficarão entre 15% e 20%, o Brasil foi singularizado com uma ameaça muito mais severa. Os canais de negociação com Washington estão travados. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ainda não conseguiu agendar uma reunião com Trump. O governo brasileiro reafirmou sua disposição em negociar, mas também deixou claro que a soberania nacional é inegociável. Enquanto isso, o tempo passa. Senadores brasileiros em missão nos EUA pedem que o presidente Lula ligue diretamente para Trump. Os telefones, até agora, não tocaram.
O dólar comercial subiu 0,52% nesta segunda, chegando a R$ 5,59, refletindo o nervosismo com a possibilidade de uma guerra comercial que poderia desvalorizar a moeda brasileira ainda mais. Os juros futuros caíram por toda a curva — não por otimismo, mas porque o mercado aguarda duas decisões cruciais na quarta-feira: a do Copom, que deve manter a Selic, e a do Federal Reserve americano. É uma "Super Quarta" que pode redefinir o cenário para os próximos meses.
No exterior, havia motivos para algum otimismo. Os Estados Unidos e a União Europeia fecharam um acordo comercial no fim de semana, com tarifas reduzidas para 15% sobre produtos europeus. A China também sinalizou disposição em estender uma trégua tarifária por 90 dias. Mas essas boas notícias não chegaram ao Brasil. A bolsa brasileira seguiu seu próprio caminho de queda, enquanto Wall Street oscilava sem força. Vale caiu 0,97%, pressionada pelos temores sobre demanda global. Os bancos derreteram: Banco do Brasil recuou 1,48%, Bradesco caiu 0,77%, Itaú despencou 2,10%. A B3 cedeu 2,83%. Petrobras foi a exceção, subindo 0,13%, ajudada pela alta do petróleo internacional.
Há, porém, notícias positivas no Brasil que o mercado ainda não consegue processar. A ONU anunciou que o país saiu do Mapa da Fome, com menos de 2,5% da população em situação de subnutrição entre 2022 e 2024. É uma conquista significativa para o governo Lula, que havia retornado ao mapa infame entre 2018 e 2020. O Boletim Focus também revisou para baixo a inflação pela nona semana consecutiva, e as projeções para o dólar também recuaram. Mas o Tesouro Nacional anunciou que a dívida pública federal subiu 2,77% em junho, um lembrete de que os desafios fiscais persistem.
João Braga, da Encore, disse estar "otimista" com a bolsa brasileira, afirmando que não se lembra de um momento tão positivo. Mas sua voz é solitária em um mercado dominado pelo medo. A semana será crucial. Do anúncio das tarifas ao resultado da Super Quarta, o Brasil enfrenta uma sequência de eventos que pode definir se o mercado consegue se recuperar ou se mergulha em uma crise mais profunda. O relógio continua marcando, e os ponteiros não param.
Citations marquantes
O Brasil continua e seguirá aberto para negociar com os Estados Unidos, mas a soberania nacional e o Estado democrático de Direito são inegociáveis— Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
Não me lembro de um momento bem otimista como esse— João Braga, da Encore