Ibovespa cai 0,31% com Petrobras em pressão e rejeição de MP fiscal

Incerteza sobre o equilíbrio das contas públicas
Analista resume o sentimento do mercado após a rejeição da principal medida de ajuste fiscal do governo.
Mark

Por que a rejeição dessa medida provisória mexeu tanto com o mercado?

Mimi

Porque era a principal forma que o governo tinha para equilibrar as contas em 2026. Sem ela, fica claro que há um buraco fiscal que precisa ser preenchido de outra forma, e ninguém sabe exatamente como.

Mark

Mas o governo não disse que apresentaria alternativas?

Mimi

Disse, mas o mercado não gosta de incerteza. Quando você tem um plano A que cai, o plano B ainda é um mistério. Isso gera dúvida sobre se as contas vão fechar mesmo.

Mark

E a Petrobras caiu por causa disso ou por outra razão?

Mimi

Principalmente por outra razão — o preço do petróleo caiu lá fora. Mas o clima de incerteza fiscal não ajuda ninguém, então tudo cai junto.

Mark

O IPCA veio menor que o esperado. Isso não é bom para o mercado?

Mimi

Tecnicamente sim, porque inflação menor é positivo. Mas neste caso, o mercado já estava esperando por essa redução. O grande problema do dia foi mesmo a MP.

Mark

Então a bolsa caiu pouco — 0,31% — porque o mercado já estava precificando a rejeição?

Mimi

Exatamente. Se a queda tivesse sido maior, significaria que o mercado foi pego de surpresa. Mas 0,31% sugere que havia expectativa de que a MP não passaria.

  • Ibovespa fechou em queda de 0,31%, a 141.708,19 pontos
  • Câmara dos Deputados rejeitou a Medida Provisória 1303, que previa arrecadação de R$ 17 bilhões
  • IPCA subiu 0,48% em setembro, abaixo da estimativa de 0,52%
  • Petrobras PN caiu 1,44%, pressionada pela queda do barril Brent a US$ 65,22

Câmara dos Deputados rejeitou a Medida Provisória 1303, principal proposta de ajuste fiscal do governo para 2026, eliminando arrecadação prevista de R$ 17 bilhões. IPCA subiu 0,48% em setembro, abaixo da estimativa de 0,52%, mantendo inflação em 12 meses em 5,17%, o que não deve alterar expectativas de flexibilização monetária.

O Ibovespa fechou em queda de 0,31% pressionado pela Petrobras, em pregão marcado pela rejeição da MP 1303 e IPCA abaixo do esperado, gerando incerteza sobre o equilíbrio das contas públicas.

A bolsa brasileira fechou em queda nesta quinta-feira, pressionada pela Petrobras e pela repercussão de um revés político que atingiu em cheio as contas do governo. O Ibovespa cedeu 0,31%, terminando em 141.708,19 pontos, após ter marcado máxima de 143.212,02 e mínima de 141.603,17 pontos. O volume financeiro movimentado foi de R$ 18 bilhões.

O principal fator de pressão veio da rejeição da Medida Provisória 1303 pela Câmara dos Deputados na quarta-feira. A MP era o carro-chefe do ajuste fiscal do governo para 2026 e pretendia compensar a redução de alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras que havia sido derrubada. Mesmo após o governo e seus aliados reduzirem o impacto da proposta de R$ 20,9 bilhões para R$ 17 bilhões em arrecadação, a medida não conseguiu avançar na votação em plenário. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizou que apresentará várias medidas alternativas para contornar a situação.

O analista Bruno Shahini, da Nomad, resumiu o sentimento do mercado: houve ruído político após a rejeição da MP que tratava de fontes de arrecadação alternativas ao IOF, aumentando a incerteza sobre o equilíbrio das contas públicas. Essa incerteza fiscal pesou sobre as decisões de investimento ao longo do pregão.

Em paralelo, o IBGE divulgou que o IPCA subiu 0,48% em setembro, abaixo da estimativa de 0,52% que economistas esperavam. Em 12 meses, a inflação acumulada chegou a 5,17%, ligeiramente acima dos 5,13% de agosto. Apesar do resultado menor que o previsto, a economista-chefe do InvestSmart XP, Mônica Araújo, afirmou que não espera mudança na expectativa do mercado para o início da flexibilização da política monetária, que deve ocorrer no final do primeiro trimestre de 2026.

Entre as ações, a Petrobras foi a maior responsável pela queda do índice. As ações preferenciais caíram 1,44% e as ordinárias recuaram 1,35%, contaminadas pela queda dos preços do petróleo no exterior, onde o barril Brent fechou em baixa de 1,55%, a US$ 65,22. No mesmo setor, a Brava ON perdeu 5,09%, pressionada pelo anúncio de interrupção da produção de parte das unidades da Bacia Potiguar para adequações, em meio a uma auditoria da ANP iniciada em 29 de setembro.

A Braskem PNA recuou 3,98%, com analistas do BTG Pactual apontando que a rejeição da MP 1303 afeta diretamente o Projeto de Lei 892/25, que visa estimular a indústria química. Os recursos que seriam gerados pela MP já foram incorporados ao Orçamento de 2026 para fechar o déficit primário, deixando pouco espaço discricionário para novas iniciativas.

Houve ganhos em setores específicos. A WEG ON valorizou-se 4,79%, revertendo perdas do mês, após declarações do presidente-executivo da Light sobre a possibilidade de renovação antecipada de sua concessão no Rio de Janeiro. Analistas do Bradesco BBI destacaram que uma aprovação dessa renovação poderia impulsionar a demanda pelas soluções de geração, transmissão e distribuição da WEG nos próximos anos. A B3 ON avançou 1,03%, favorecida pelo fato de que a MP 1303 previa aumento da CSLL para a companhia.

A Vale ON fechou com declínio de 0,15%, perdendo fôlego durante a sessão após subir 2% na máxima, renovando máxima intradia do ano acima de R$ 60. O movimento foi referendado pela alta dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian encerrou com alta de 0,96%, a 790,5 iuans (US$ 110,90) a tonelada. Ações de construtoras tiveram desempenho negativo: Direcional ON caiu 2,23%, Cyrela ON perdeu 2,24%, Cury ON cedeu 1,28% e MRV&CO ON caiu 1,57%. A Mercado Livre, listada nos EUA, subiu 4,36% após anunciar conversas com autoridades para permitir a venda de medicamentos em seu marketplace.

Houve algum ruído político após a rejeição da MP que tratava de fontes de arrecadação alternativas ao IOF, aumentando a incerteza sobre o equilíbrio das contas públicas
— Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad
Apesar do índice abaixo do esperado, não esperamos mudança na expectativa do mercado para o início da flexibilização da política monetária, que deve se manter para o final do primeiro trimestre de 2026
— Mônica Araújo, economista-chefe do InvestSmart XP
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