IBM admite fracasso: ações caem 26% na maior queda desde 1968

Neste trimestre nós falhamos. Não nos adaptamos com rapidez suficiente.
Admissão do presidente-executivo da IBM sobre o fracasso em acompanhar a mudança de prioridades dos clientes.

Em um único dia, as ações da IBM recuaram 26% — o maior tombo desde 1968 —, revelando não apenas uma falha trimestral, mas uma tensão mais profunda entre a velocidade da transformação tecnológica e a capacidade das grandes corporações de se reinventarem. Enquanto o mundo corria para construir a infraestrutura da inteligência artificial, os clientes da IBM desviaram seus orçamentos para chips e servidores, deixando para trás os mainframes e softwares que sustentaram décadas de liderança. O CEO Arvind Krishna admitiu publicamente o fracasso, mas a pergunta que paira é se a IBM ainda tem tempo e agilidade para encontrar seu lugar em uma era que ela mesma ajudou a anunciar.

  • A IBM registrou a maior queda diária de suas ações em quase seis décadas, com um tombo de 26% após revelar receitas muito abaixo das expectativas do mercado.
  • A escassez global de semicondutores empurrou clientes a concentrar gastos em servidores e memória para IA, esvaziando os orçamentos destinados aos produtos tradicionais da IBM.
  • O CEO Arvind Krishna admitiu publicamente que a empresa 'falhou' ao não prever que seus próprios clientes redirecionariam investimentos para longe de seus produtos.
  • A estratégia de reinvenção da IBM como empresa de software de alto crescimento — sustentada por aquisições como Red Hat e HashiCorp — agora enfrenta a ameaça de que ferramentas de IA substituam exatamente esses produtos.
  • Analistas alertam que o problema da IBM pode ser apenas o primeiro sinal de uma deterioração mais ampla nos gastos com tecnologia da informação, com outras empresas de software prestes a divulgar resultados semelhantes.

As ações da IBM despencaram 26% em um único pregão — a maior queda desde 1968 — depois que a empresa divulgou receitas abaixo das projeções e seu CEO, Arvind Krishna, admitiu sem eufemismos na carta aos investidores: "Neste trimestre nós falhamos."

O colapso tem uma causa estrutural clara. A expansão global dos data centers para inteligência artificial gerou uma escassez severa de semicondutores, elevando custos em toda a cadeia tecnológica. Diante dessa pressão, os clientes da IBM fizeram uma escolha pragmática: concentraram seus orçamentos em servidores, armazenamento e memória para se proteger de futuras altas de preço. Sobrou menos dinheiro para os mainframes da linha Z e os softwares que historicamente são o núcleo do negócio IBM. Vários grandes contratos não foram fechados nos prazos esperados.

O momento é especialmente delicado porque a IBM vinha tentando se reinventar como empresa de software de alto crescimento, por meio de aquisições como Red Hat, HashiCorp e Confluent. Agora, porém, enfrenta uma ameaça dupla: a possibilidade de que ferramentas de IA substituam seus próprios produtos de software — uma startup já demonstrou capacidade de modernizar a linguagem de programação usada nos mainframes IBM — e a crescente distração dos clientes com preocupações de cibersegurança.

A empresa argumenta que a IA fortalecerá seus negócios, ampliando a demanda pelo software de infraestrutura que permite aos clientes operar os grandes modelos. O mercado, por ora, não está convencido. Analistas alertam que os gastos com tecnologia da informação devem continuar piorando, e que a IBM — que deveria liderar essa transição — acabou sendo deixada para trás por ela.

As ações da IBM despencaram 26% em um único dia — a maior queda desde 1968 — depois que a empresa divulgou receitas abaixo das projeções e admitiu, sem rodeios, que não conseguiu acompanhar a velocidade das mudanças no mercado. O presidente-executivo Arvind Krishna foi direto na carta aos investidores: "Neste trimestre nós falhamos."

O que aconteceu é uma história sobre prioridades que se deslocaram. A expansão global dos data centers necessários para alimentar sistemas de inteligência artificial criou uma escassez severa de semicondutores, especialmente chips de memória. Essa restrição elevou custos para fabricantes de tudo — de iPads a consoles Xbox. Mas o problema real para a IBM foi que seus clientes, enfrentando essa crise de oferta e preços em alta, fizeram uma escolha: concentraram seus orçamentos de tecnologia em servidores, armazenamento e memória para se proteger contra futuras altas. Isso deixou menos dinheiro para os mainframes e softwares que historicamente foram o coração do negócio IBM.

Krishna reconheceu que a empresa esperava que problemas na cadeia de suprimentos afetassem os resultados. O que não previu foi que seus próprios clientes redirecionariam investimentos para longe dos produtos IBM. "O que aconteceu foi pior do que esperávamos," escreveu. Os mainframes da linha Z e os softwares relacionados foram responsáveis por grande parte da decepção. Vários grandes contratos não foram fechados nos prazos esperados. As equipes, segundo ele, simplesmente não executaram com a perfeição que o momento exigia.

Esse fracasso chega em um momento particularmente delicado. A IBM tem tentado se reinventar como uma empresa de software de alto crescimento através de grandes aquisições — Red Hat, HashiCorp, Confluent. Mas agora enfrenta uma ameaça dupla. Primeiro, há a questão de se a própria inteligência artificial vai substituir muitos de seus produtos de software. Em fevereiro, as ações já tinham caído quando a startup Anthropic revelou uma ferramenta capaz de modernizar uma linguagem de programação antiga usada nos mainframes IBM. Segundo, há a distração dos clientes com preocupações crescentes sobre cibersegurança — o modelo Mythos da Anthropic, lançado no início do ano, alarmou governos e empresas ao demonstrar capacidade de identificar vulnerabilidades que poderiam ser exploradas por agentes maliciosos.

A IBM tem argumentado que a inteligência artificial fortalecerá seus negócios, não os destruirá. Executivos apontam que projetos de IA aumentam a demanda pelo software de infraestrutura da empresa, que permite aos clientes trabalhar com os principais modelos de IA. Mas o mercado, pelo menos por enquanto, não está convencido. Analistas como Anurag Rana já alertam que os gastos com tecnologia da informação estão piorando e que esse será provavelmente o principal tema quando outras empresas de software divulgarem seus resultados. A IBM, que deveria estar liderando essa transição, acabou sendo deixada para trás.

O que aconteceu foi pior do que esperávamos. Essas condições exigem que nossas equipes executem tudo com perfeição, e neste trimestre nós falhamos.
— Arvind Krishna, presidente-executivo da IBM
Os gastos com tecnologia da informação estão piorando e provavelmente serão o principal tema entre a maioria das empresas de software quando divulgarem seus resultados.
— Anurag Rana, analista
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que exatamente os clientes da IBM desviaram seus investimentos? Não era só sobre escassez de chips?

Model

A escassez foi o gatilho, mas a lógica foi mais estratégica. Se os preços dos semicondutores estão subindo e a oferta é limitada, você protege seu negócio comprando o máximo que pode agora — servidores, memória, armazenamento. Isso deixa menos orçamento para outras coisas.

Inventor

E a IBM não viu isso vindo?

Model

Esperava problemas na cadeia de suprimentos, sim. Mas não esperava que seus próprios clientes fariam essa escolha. Krishna foi honesto sobre isso: "O que aconteceu foi pior do que esperávamos."

Inventor

Há quanto tempo a IBM não enfrentava uma queda assim?

Model

Desde 1968. Estamos falando de mais de 50 anos. É um sinal de que algo fundamental mudou, não apenas um trimestre ruim.

Inventor

A inteligência artificial é o vilão aqui?

Model

É mais complicado. A IA está redirecionando investimentos para infraestrutura — servidores, chips, memória. E ao mesmo tempo, ferramentas de IA estão começando a fazer o trabalho que o software IBM fazia. A empresa está presa no meio.

Inventor

A IBM consegue se recuperar?

Model

Depende se consegue convencer os clientes de que seus produtos de software são essenciais para trabalhar com IA, não obsoletos. Mas essa carta de Krishna — admitindo falha — sugere que a empresa sabe que tem muito trabalho pela frente.

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