Há séculos, o mundo aprendeu a se ver através de mapas que colocavam certas regiões no centro e outras nas margens — uma escolha técnica com profundas consequências culturais. No Dia da Independência do Brasil, o IBGE disponibilizou gratuitamente uma série de mapas-múndi com o país posicionado no centro, alinhando-se a uma resolução da ONU que questiona a neutralidade das projeções cartográficas convencionais. O gesto é ao mesmo tempo pedagógico e simbólico: redesenhar o mapa é, em alguma medida, redesenhar a narrativa sobre quem ocupa o centro do mundo.