Ibaneis nega negociações com Vorcaro e diz ter confiado em Paulo Henrique

Cheguei lá mudo e saí calado
Ibaneis descreve seu comportamento durante almoço na casa de Vorcaro, negando ter discutido operações bancárias.
Mark

Então o governador está dizendo que nunca falou sobre o negócio com Vorcaro, mas Vorcaro disse à polícia que conversaram várias vezes sobre isso. Como isso se resolve?

Mimi

Essa é a questão central. Ibaneis confirma os encontros mas nega as conversas. Ele diz que "chegou lá mudo e saí calado". Vorcaro diz o oposto. Um deles está mentindo ou distorcendo a memória.

Luke

Mas a gente precisa ser cuidadoso aqui. O depoimento de Vorcaro à PF é de segunda mão — a gente só sabe o que o Estado de S. Paulo publicou dele. Não temos o depoimento completo, não sabemos o contexto, não sabemos se Vorcaro estava falando de conversas diretas ou indiretas.

Mark

Entendi. Mas Ibaneis apoiou politicamente a operação. Ele disse isso claramente. Então como ele apoiou algo que nunca discutiu com a pessoa que estava vendendo?

Mimi

Ele diz que apoiou porque Paulo Henrique Costa, o presidente do BRB, disse que era um excelente negócio. Costa tinha credibilidade — sete anos no cargo, transformou o banco. Ibaneis confiou nele.

Luke

Mas isso levanta outra pergunta: se Ibaneis realmente não sabia nada sobre as operações técnicas, como ele podia "bancar politicamente" algo? Qual era exatamente o papel político dele?

Mark

Boa pergunta. Parece que ele estava usando sua influência como governador para apoiar a operação publicamente, mesmo sem entender os detalhes.

Mimi

Exatamente. Ele diz que não entendia nada de banco, que confiava em Costa, e que sua função era política, não técnica. Mas isso significa que ele emprestou o peso do cargo dele a uma operação que depois gerou prejuízo.

Luke

E aqui está o problema: não sabemos ainda se houve má conduta real ou se foi apenas um erro de julgamento baseado em confiança mal colocada. O depoimento de Vorcaro pode esclarecer isso, mas a gente não tem acesso completo a ele.

  • O depoimento de Vorcaro à PF afirma que ele conversou 'algumas vezes' com Ibaneis sobre a venda do Master ao BRB — contradição direta com a versão do governador.
  • Ibaneis insiste que 'chegou mudo e saiu calado' nos encontros com o banqueiro, atribuindo toda a negociação técnica ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
  • A operação foi barrada pelo Banco Central e gerou prejuízos ao BRB, mas o governador afirma não se arrepender, alegando ter agido com base nas informações disponíveis à época.
  • A estratégia de defesa de Ibaneis repousa sobre a separação entre função política e responsabilidade técnica — uma linha tênue que a investigação em curso pode questionar.

Em meio a contradições entre versões oficiais e depoimentos à Polícia Federal, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sustenta que seu papel na frustrada compra do Banco Master pelo BRB foi estritamente político — uma confiança delegada ao ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa. A negação de qualquer conversa substantiva com o banqueiro Daniel Vorcaro revela a tensão clássica entre responsabilidade pública e distância técnica: quem governa pode alegar ignorância sobre aquilo que endossou?

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, confirmou ter se encontrado com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em pelo menos duas ocasiões — um almoço na mansão do banqueiro em Brasília e uma festa de aniversário em São Paulo. Mas negou categoricamente que qualquer conversa sobre negócios bancários tenha ocorrido nesses momentos. 'Cheguei lá mudo e saí calado', declarou ao Metrópoles.

A posição de Ibaneis colide com trechos do depoimento de Vorcaro à Polícia Federal, divulgados pelo jornal Estado de S. Paulo, nos quais o banqueiro afirma ter conversado 'algumas vezes' com o governador sobre a venda do Master ao BRB. Diante da contradição, Ibaneis mantém sua narrativa: todo o processo foi conduzido por Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, em quem depositava confiança irrestrita após sete anos de gestão que transformaram o banco em uma instituição de alcance nacional.

'O Paulo sempre me afirmou que era um excelente negócio. Não tinha motivo para desconfiar', explicou o governador, acrescentando que não possuía formação técnica para avaliar os detalhes da operação. Questionado sobre possíveis arrependimentos — a compra foi barrada pelo Banco Central e gerou prejuízos ao BRB —, Ibaneis foi direto: 'Não vejo erro político'. Para ele, sua função era política, não técnica, e agiu com base nas informações que tinha disponíveis naquele momento.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, negou nesta quinta-feira ter discutido operações bancárias com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apesar de confirmar que se encontrou com o banqueiro em pelo menos duas ocasiões. Em entrevista ao Metrópoles, Ibaneis afirmou que um desses encontros foi um almoço na mansão de Vorcaro em Brasília, e outro ocorreu durante a festa de aniversário de um amigo comum em São Paulo. Mas, segundo o governador, nenhuma conversa sobre negócios bancários aconteceu nesses momentos.

"Estive na casa dele uma vez. Fui convidado para um almoço. Nunca tratei de banco com ele. As operações todas foram feitas pelo Paulo. Cheguei lá mudo e saí calado", declarou Ibaneis, referindo-se a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília. O governador reforçou que não tinha conhecimento técnico sobre as operações e que depositava confiança total nas informações que recebia de Costa, que ocupava o cargo há sete anos.

A negação de Ibaneis vem após o jornal Estado de S. Paulo divulgar trechos do depoimento de Vorcaro à Polícia Federal, no qual o banqueiro afirmou ter conversado "algumas vezes" com o governador sobre a venda do Master ao BRB. Essa versão contradiz diretamente o que Ibaneis está dizendo agora. O governador, porém, mantém sua posição de que apoiou politicamente a operação de compra baseado exclusivamente nas recomendações de Costa.

"Toda a negociação de compra foi feita pelo Paulo Henrique. O Paulo sempre me afirmou que era um excelente negócio, porque o Master tinha muitos ativos e só iria trazer parte boa. Não tinha motivo para desconfiar do Paulo", explicou Ibaneis. Ele destacou que Costa havia transformado o BRB de um banco quebrado em uma instituição de âmbito nacional durante seus sete anos à frente, o que justificaria sua confiança nas decisões do executivo.

O governador também ressaltou sua prática de nomear pessoas com formação técnica para cargos de responsabilidade. Costa, segundo Ibaneis, era vice-presidente da Caixa Econômica antes de chegar ao BRB, e seu trabalho era amplamente elogiado nos círculos empresariais de Brasília. "Toda roda de empresário que você chegava só tinha elogios ao trabalho do Paulo", afirmou.

Questionado se se arrepende de ter apoiado publicamente a operação, que acabou gerando prejuízos ao banco após ser barrada pelo Banco Central, Ibaneis respondeu que não. Segundo ele, agiu com base nas informações que tinha disponíveis naquele momento. "Você me dá uma informação, eu confio na informação que você me passa e eu defendo a informação. Não vejo erro político", disse o governador.

Ibaneis também argumentou que questões técnicas sobre a compra de carteiras bancárias eram responsabilidade de Costa, não sua. Como não tinha formação para entender os detalhes das operações, preferiu confiar completamente nas avaliações do ex-presidente do BRB. "Não sabia o que estava comprando, vendendo, o que estava fazendo", enfatizou, sugerindo que sua função era política e não técnica na decisão.

Toda a negociação de compra foi feita pelo Paulo Henrique. O Paulo sempre me afirmou que era um excelente negócio
— Ibaneis Rocha, governador do DF
Não sabia o que estava comprando, vendendo, o que estava fazendo
— Ibaneis Rocha, sobre seu conhecimento técnico das operações
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