Em São Paulo, engenheiros e especialistas do setor industrial reuniram-se para reconhecer o que já não pode ser ignorado: a inteligência artificial não está chegando à engenharia — ela já chegou. O debate, realizado na Jornada da Engenharia da Abemi, revelou uma tensão fundamental da nossa era: a tecnologia amadureceu mais rápido do que as organizações e os profissionais que deveriam integrá-la. O engenheiro do futuro não compete com a máquina, mas precisa aprender a ser o julgamento que ela ainda não possui.
IA transforma engenharia industrial, mas supervisão humana permanece essencial
Segurança é o ser humano. A máquina não pode ser confiada sozinha.
Então a IA já está madura o suficiente para trabalhar em projetos industriais de verdade? Não é mais ficção científica?
Segundo Guilherme Klein, da Siemens, sim — a tecnologia já atingiu um nível de maturidade que permite lidar com responsabilidades industriais reais. Não é promessa, é realidade.
Mas maturidade técnica é uma coisa. Ele disse que a IA está sendo usada em larga escala nas empresas brasileiras, ou apenas que ela *pode* ser usada?
Boa pergunta. Então qual é o gargalo real?
Nelson Romano deixou isso claro: indivíduos estão usando IA o tempo todo, mas as empresas ainda não integraram isso em seus processos. É um abismo entre o uso pessoal e o corporativo.
E quanto ao risco? Se a tecnologia é madura, por que todos insistem em supervisão humana?
Porque maturidade técnica não significa segurança absoluta. Klein foi bem claro: não se pode confiar 100% em respostas geradas apenas por máquinas em tarefas críticas.
Então o engenheiro não está sendo substituído, está sendo redefinido?
Exatamente. Fregolente disse que o engenheiro precisa aprender continuamente e saber aplicar a IA nos seus processos. Sem isso, não há eficiência.
Mas quem define o que é "supervisão adequada"? Quanto de verificação humana é suficiente? Isso não ficou claro no debate.
Não, ficou em aberto. É um dos desafios que as empresas ainda precisam resolver na prática.
E o Brasil, especificamente? Está preparado para essa transformação?
Está começando. Mas há um longo caminho entre a conversa técnica e a implementação real nas empresas.
O Pulso
- A IA já opera em decisões industriais reais, mas a maioria das empresas brasileiras ainda não incorporou a tecnologia em seus processos corporativos — o indivíduo avançou; a instituição ficou para trás.
- Especialistas alertam que delegar tarefas críticas à máquina sem supervisão humana rigorosa representa um risco concreto, não uma preocupação abstrata.
- O engenheiro que não desenvolver habilidades cognitivas contínuas e não aprender a integrar a IA ao seu trabalho diário corre o risco de se tornar irrelevante em um mercado que já não espera.
- A cena simbólica do evento resume o paradoxo: quase toda a plateia usou IA naquela semana, mas quase nenhuma empresa representada ali a adotou de forma estruturada.
Em São Paulo, engenheiros e especialistas do setor industrial reuniram-se para reconhecer o que já não pode ser ignorado: a inteligência artificial não está chegando à engenharia — ela já chegou. O debate, realizado na Jornada da Engenharia da Abemi, revelou uma tensão fundamental da nossa era: a tecnologia amadureceu mais rápido do que as organizações e os profissionais que deveriam integrá-la. O engenheiro do futuro não compete com a máquina, mas precisa aprender a ser o julgamento que ela ainda não possui.
Durante a segunda edição da Jornada da Engenharia, promovida pela Abemi em São Paulo, especialistas do setor industrial debateram uma transformação que já saiu do campo teórico: a inteligência artificial está presente nos processos de decisão e planejamento de grandes projetos. A questão não era mais se a tecnologia chegaria, mas como os engenheiros precisam se reinventar para trabalhar ao lado dela.
André Fregolente, consultor da Octave, foi categórico: o engenheiro do futuro precisará desenvolver habilidades cognitivas, manter aprendizado permanente e saber integrar a IA ao seu cotidiano profissional. Sem essa integração prática, não há ganho de eficiência real. A autocapacitação, segundo ele, deixou de ser opcional — é irreversível.
Guilherme Klein, da Siemens, confirmou que a IA já atingiu maturidade suficiente para responsabilidades industriais de peso. Mas essa capacidade técnica não elimina uma verdade que todos os presentes reconheceram: a supervisão humana é absolutamente indispensável. 'A gente não pode confiar 100% cegamente numa saída gerada simplesmente por uma máquina', afirmou Klein. A delegação de responsabilidades à IA exige camadas crescentes de segurança — um desafio permanente, não um problema resolvido.
Nelson Romano, presidente da Abemi, encerrou o debate com um contraste revelador. Ao perguntar quantos na plateia haviam usado IA naquela semana, quase todos levantaram a mão. Quando a pergunta foi direcionada às empresas, o silêncio foi a resposta. O Brasil não está atrasado na conversa sobre inteligência artificial — está atrasado em transformar essa conversa em prática industrial de verdade.
Em São Paulo, durante a segunda edição da Jornada da Engenharia promovida pela Abemi (Associação Brasileira de Engenharia Industrial), especialistas do setor reuniram-se para discutir uma transformação que já não é mais teórica: a inteligência artificial está dentro dos processos de decisão e planejamento de grandes projetos industriais. O debate não girou em torno de se a tecnologia chegaria, mas de como os engenheiros precisam se reinventar para trabalhar ao lado dela.
André Fregolente, consultor executivo da Indústria da Octave, foi direto ao ponto. O engenheiro do futuro não terá escolha — precisará desenvolver habilidades cognitivas, manter-se em aprendizado permanente e, mais importante, saber integrar a tecnologia aos seus processos de trabalho diário. "Ele tem que aprender, não vai ter jeito, é irreversível esse processo", disse Fregolente, acrescentando que sem essa integração prática não há ganho de eficiência real dentro da empresa. A autocapacitação contínua, segundo ele, deixou de ser opcional.
Guilherme Klein, gerente de Entrega de Serviços da Siemens, trouxe uma perspectiva técnica clara: a inteligência artificial já alcançou um patamar de maturidade suficiente para lidar com responsabilidades industriais de peso. A tecnologia não é mais um experimento — ela está pronta para responder a questões complexas do ambiente fabril. Mas essa capacidade técnica não elimina uma verdade incômoda que todos os especialistas presentes reconheceram: a supervisão humana permanece absolutamente essencial.
Essa foi talvez a mensagem mais unânime do evento. Apesar dos avanços, ninguém na sala estava disposto a confiar cegamente em respostas geradas apenas por máquinas quando tarefas críticas estão em jogo. Klein foi explícito: "Segurança é o ser humano. A gente não pode confiar 100% cegamente numa saída gerada simplesmente por uma máquina". A delegação de responsabilidades à IA exige camadas de segurança cada vez mais sofisticadas — não é um problema resolvido, é um desafio permanente. Fregolente, por sua vez, adotou um tom de otimismo cauteloso: vê um futuro promissor, mas apenas se os devidos cuidados forem tomados.
O contraste que Nelson Romano, presidente da Abemi, desenhou no final do debate revela o verdadeiro desafio do Brasil. Quando perguntou à plateia quantos tinham usado inteligência artificial naquela semana, praticamente todos levantaram a mão. Quando a mesma pergunta é feita às empresas — quantas estão realmente integrando IA em seus processos corporativos — a resposta é muito pouco. A tecnologia está nas mãos dos indivíduos, mas a adoção empresarial ainda enfrenta um caminho longo e cheio de obstáculos. O Brasil não está atrasado na conversa sobre IA; está atrasado em transformar essa conversa em prática industrial de verdade.
Citações Notáveis
Ele tem que aprender, não vai ter jeito, é irreversível esse processo. Mas ele tem que saber utilizar nos seus processos de trabalho atual, senão não tem eficiência dentro da sua empresa.— André Fregolente, consultor executivo da Indústria da Octave
Segurança é o ser humano. A gente não pode confiar 100% cegamente numa saída gerada simplesmente por uma máquina.— Guilherme Klein, gerente de Entrega de Serviços da Siemens