Nas águas turvas da América do Sul, o Gymnotus carapo navega há milhões de anos sem depender da luz — guiado por um campo elétrico invisível que lhe revela o mundo ao redor. Pesquisadores da USP de São Carlos recorreram à inteligência artificial para decifrar esse sentido ancestral, reconstruindo em três dimensões cada movimento e postura do animal a partir de seus próprios sinais elétricos. O que emerge não é apenas ciência do comportamento animal, mas um espelho: a natureza já resolveu, com elegância biológica, problemas de percepção e navegação que a engenharia humana ainda tenta alcançar.