Seis chatbots apontaram pesquisas sobre GLP-1 como digna do Nobel de Medicina, com três cientistas específicos sendo favoritos. A IA identifica padrões em dados públicos como citações científicas e prêmios anteriores, mas comete erros ao sugerir candidatos falecidos ou prêmios inexistentes.
IA prevê vencedores do Nobel 2026, com GLP-1 e Can Xue como favoritas
A IA procura padrões, não compreensão
Por que a DW fez essa pergunta a nove sistemas diferentes? Não seria mais simples usar apenas um?
Porque um único sistema pode ter vieses ou limitações particulares. Consultando nove, você vê onde há consenso real e onde há divergência. O consenso sugere que o padrão nos dados é forte.
Mas isso assume que consenso entre máquinas significa algo. Todas elas foram treinadas em dados similares, então é claro que convergem nos mesmos pontos. Não é independência — é eco.
Então por que as IAs acertaram em Medicina e erraram em Paz?
Porque Medicina tem dados estruturados. Citações científicas, publicações, prêmios anteriores — tudo quantificável. A Paz é sobre valores humanos, contexto político, escolhas morais. As IAs não têm ferramentas para isso.
E mesmo em Medicina, elas estão apenas reciclando o que a Clarivate já publicou. Não estão descobrindo nada — estão confirmando o óbvio.
O erro do ChatGPT com o Nobel de Matemática — como uma máquina comete um erro tão básico?
Porque ela está procurando padrões em dados de treinamento. Se viu "Nobel" e "Matemática" juntos em algum lugar, pode ter confundido. Não tem um banco de dados verificado de fatos.
Exatamente. Essas máquinas não sabem o que sabem. Elas geram texto que parece confiante, mas não têm nenhuma verificação interna. Podem inventar um prêmio inteiro e soar completamente certos.
Então não devemos confiar em nenhuma previsão de IA?
Devemos confiar onde há dados abundantes e estruturados. As previsões em Medicina provavelmente têm peso. Mas sempre com ceticismo — são padrões, não verdades.
E sempre perguntando: essa máquina realmente entende isso, ou está apenas repetindo o que viu? No caso da Paz, ela estava claramente apenas reciclando vencedores antigos. Não pensou em nada novo.
The Pulse
- Seis de nove chatbots apontaram pesquisas sobre GLP-1 como dignas do Nobel de Medicina
- Cinco sistemas escolheram a escritora chinesa Can Xue para o Nobel de Literatura
- ChatGPT sugeriu um vencedor para um Nobel de Matemática que não existe
- As IAs baseiam previsões em citações científicas, prêmios anteriores e cobertura da mídia
Seis chatbots apontaram pesquisas sobre GLP-1 como digna do Nobel de Medicina, com três cientistas específicos sendo favoritos. A IA identifica padrões em dados públicos como citações científicas e prêmios anteriores, mas comete erros ao sugerir candidatos falecidos ou prêmios inexistentes.
Nove sistemas de IA foram consultados sobre quem vencerá os Prêmios Nobel em 2026. Os modelos apresentaram consenso em Medicina (pesquisas sobre GLP-1) e Literatura (escritora chinesa Can Xue), mas cometeram erros significativos.
A Deutsche Welle fez uma pergunta simples a nove sistemas de inteligência artificial: quem deveria ganhar o Prêmio Nobel em 2026? Os chatbots consultados foram Africa GPT, ChatGPT, Claude, Copilot, DeepSeek, Gemini, Grok, Meta AI e Mistral. O que emergiu foi um retrato tanto das capacidades quanto dos limites fundamentais de como essas máquinas entendem o mundo.
Os Prêmios Nobel, que distribuem aproximadamente um milhão de euros e uma medalha de ouro com a imagem de Alfred Nobel, são concedidos em cinco categorias principais: Medicina, Física, Química, Literatura e Paz, além do Prêmio em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, que tecnicamente não faz parte dos prêmios originais. Quando as IAs foram questionadas sobre seus palpites, algumas áreas produziram consenso notável, enquanto outras revelaram confusão e erros básicos.
Na categoria de Medicina, seis dos nove sistemas apontaram na mesma direção: as descobertas relacionadas ao GLP-1, um hormônio intestinal que sinaliza saciedade ao cérebro. Cinco desses chatbots concordaram especificamente em nomear três pesquisadores: Daniel J. Drucker da Universidade de Toronto, Jens Juul Holst da Universidade de Copenhague e Svetlana Mojsov da Universidade Rockefeller em Nova York. Esses trabalhos levaram ao desenvolvimento de medicamentos contra diabetes e obesidade, incluindo a semaglutida, comercializada sob nomes como Ozempic. Um sistema de IA descreveu isso como "o prêmio mais óbvio desde a vacina de mRNA", enquanto outro chamou os três cientistas de "a aposta mais segura dos últimos anos". A convergência aqui era impressionante, sugerindo que os algoritmos estavam identificando um padrão claro nos dados disponíveis.
Em Literatura, cinco das nove IAs escolheram a escritora chinesa Deng Xiaohua, que publica sob o pseudônimo Can Xue. Nascida em 1953, ela já era considerada favorita em anos anteriores. O Nobel de Literatura, diferentemente de outras categorias que podem ser compartilhados por até três pessoas, é tradicionalmente concedido a um único indivíduo. Em Química, cinco sistemas apostaram no pesquisador David R. Liu de Harvard, um cientista de 53 anos que desenvolveu técnicas de edição de bases e edição prime, métodos que permitem reescrever seletivamente letras específicas do DNA. Essas técnicas poderiam, em teoria, permitir modificações genéticas em plantas e seres humanos no futuro.
A Física produziu resultados menos conclusivos. A menção mais frequente foi à pesquisadora britânica Nicola A. Spaldin da ETH Zurique, especialista em ciência dos materiais que trabalha com multiferroicos, materiais que podem exibir simultaneamente propriedades magnéticas e elétricas. Mas o Nobel da Paz revelou o verdadeiro limite da tecnologia. Os sistemas não chegaram a nenhum consenso, sugerindo desde a Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares até a organização russa de direitos humanos Memorial, passando pela ativista climática Greta Thunberg. O problema era óbvio: tanto a Ican quanto a Memorial já haviam recebido o Nobel. Thunberg recebeu o chamado Nobel Alternativo, não o prêmio em si.
Esses erros apontam para como os sistemas de IA realmente funcionam. Eles identificam padrões em dados públicos disponíveis — citações científicas, prêmios acadêmicos anteriores, cobertura da mídia, listas de previsões. Nas ciências naturais, onde há ampla visibilidade e dados estruturados, como a lista anual da Clarivate de pesquisadores altamente citados, as previsões tendem a ser mais confiáveis. Mas a tecnologia também cometeu erros reveladores. O ChatGPT sugeriu um vencedor para um Nobel de Matemática que não existe. O Copilot tentou conceder um prêmio a um candidato já falecido, violando as regras da Fundação Nobel que só permitem isso se a morte ocorrer após o anúncio oficial. Essas falhas não são bugs menores — são janelas para como essas máquinas processam informação, frequentemente confundindo padrões com compreensão, dados com sabedoria.
O exercício revelou algo importante sobre o estado atual da inteligência artificial. Onde os dados são abundantes e estruturados, os sistemas podem fazer previsões razoáveis. Onde o julgamento humano é central — como na seleção de um prêmio de paz em um mundo complexo — eles tropeçam. As IAs não entendem contexto profundo ou nuance moral. Elas veem padrões e os extrapolam. Quando funcionam, é porque o padrão é real. Quando falham, é porque confundiram correlação com causalidade, ou simplesmente reciclaram informações obsoletas como se fossem atuais.
Notable Quotes
Este é o prêmio mais óbvio desde a vacina de mRNA— Um sistema de IA, sobre as pesquisas de GLP-1
A obesidade e o diabetes tipo 2 mataram mais pessoas do que a maioria das guerras— Um chatbot, justificando a escolha de GLP-1