IA e o apocalipse: por que apostar contra o fim do mundo é tão difícil

Potencial risco de extinção da humanidade e desenvolvimento de armas biológicas por atores hostis, conforme temem pesquisadores de laboratórios de IA.
É impossível fazer hedge contra o próprio fim
O limite fundamental dos mercados financeiros ao tentar precificar riscos existenciais da IA.
Mark

Por que é tão difícil os mercados precificarem os riscos da IA se os pesquisadores estão tão preocupados?

Mimi

Porque risco, para os mercados, é algo que pode ser medido e quantificado. Os perigos da IA são novos, imprevisíveis e mal definidos. Não há dados históricos suficientes.

Luke

Mas alguns riscos já estão sendo precificados — as ações de segurança cibernética subiram. Então o mercado consegue precificar algo.

Mimi

Consegue precificar os riscos moderados e mais tangíveis. Ataques cibernéticos são um problema real e presente. Mas extinção humana? Armas biológicas desenvolvidas por IA? Isso é diferente.

Mark

O economista Tyler Cowen faz uma pergunta interessante: se o risco é real, por que os alarmistas não apostam dinheiro nisso?

Mimi

É uma pergunta justa. Se você realmente acredita que o apocalipse está próximo, deveria ganhar dinheiro com essa previsão antes que ela se materialize.

Luke

Mas há um problema lógico aí. Se o risco é realmente existencial — se significa o fim da humanidade — então não há contrapartida para pagar a indenização. É impossível fazer hedge contra o próprio fim.

Mark

Então os seguros não conseguem cobrir esses riscos?

Mimi

Não conseguem. As seguradoras pediram aos reguladores para excluir danos causados por IA generativa de suas apólices. Startups tentam preencher a lacuna, mas são minúsculas.

Luke

E isso é importante porque mostra que mesmo os atores financeiros que ganhariam dinheiro com essas coberturas não conseguem precificar o risco. Se fosse fácil, haveria um mercado robusto.

Mark

Então estamos presos. Os alarmistas não conseguem provar suas previsões através de apostas financeiras, e os mercados não conseguem proteger contra os piores cenários.

Mimi

Exatamente. É um vazio entre a retórica e a realidade dos mercados. E esse vazio é, talvez, o mais honesto que podemos ser sobre o que realmente sabemos e o que apenas tememos.

  • Pesquisadores temem que IA possa facilitar desenvolvimento de armas biológicas por Estados hostis e grupos terroristas
  • CrowdStrike, empresa de segurança cibernética, viu preço mais que dobrar em seis meses
  • Insurance Services Office excluiu danos de IA generativa de coberturas de apólices em 2026
  • Mercado de seguros contra riscos de IA desenvolveu-se lentamente, com startups tentando preencher lacuna

Pesquisadores temem que IA possa facilitar desenvolvimento de armas biológicas por Estados hostis e grupos terroristas, com alguns prevendo risco de extinção humana. Mercados já precificam alguns riscos moderados de IA, como ataques cibernéticos, elevando ações de empresas de segurança digital como CrowdStrike.

Economistas e pesquisadores debatem se os riscos catastróficos da IA deveriam afetar os mercados financeiros. Enquanto alguns alertam sobre possíveis extinções, outros questionam a falta de apostas financeiras que comprovem essas previsões.

Os mercados financeiros vivem um dilema peculiar: como precificar o fim do mundo? A questão não é retórica. Pesquisadores dos principais laboratórios de inteligência artificial temem genuinamente que suas criações possam ser usadas por Estados hostis ou grupos terroristas para desenvolver armas biológicas. Alguns vão além e atribuem probabilidades não negligenciáveis à extinção da humanidade — um resultado que, como observa um economista com certa ironia, tornaria qualquer oferta pública inicial bastante irrelevante.

O economista Tyler Cowen propôs um desafio direto aos alarmistas: se realmente acreditam que o apocalipse está próximo, por que não apostam dinheiro nisso? Se suas previsões fossem precisas, os sinais de catástrofe iminente deveriam começar a aparecer nos mercados muito antes do desastre final. Cowen e seus colegas chamam esse tipo de aposta de "imposto sobre a conversa fiada" — uma forma de separar a retórica genuína da especulação vazia. O argumento é elegante: quem tem convicção coloca dinheiro na mesa.

Mas a realidade dos mercados financeiros é mais complicada. Alguns dos riscos moderados associados à IA já estão sendo precificados. As preocupações com ataques cibernéticos impulsionados por sistemas de inteligência artificial elevaram significativamente o valor das ações de empresas de segurança digital. A CrowdStrike, por exemplo, viu seu preço mais que dobrar nos últimos seis meses e agora é negociada a quase 200 vezes seu lucro projetado para os próximos 12 meses. Para essas companhias, o medo é um ativo valioso.

Investidores mais sofisticados poderiam explorar essa lógica de forma inversa. Se empresas de segurança cibernética estão sendo negociadas com prêmio, então as organizações mais vulneráveis a ataques — bancos regionais, operadoras de telecomunicações, empresas de saúde e transportes — deveriam teoricamente estar com desconto. Uma estratégia seria comprar contratos de swap de crédito contra a dívida dessas instituições, apostando que seus custos de financiamento aumentarão conforme os riscos se materializarem.

O mercado de seguros, porém, revela as limitações reais dessa lógica. Para riscos convencionais como enchentes ou incêndios florestais, a solução é simples: compre um seguro. Mas o mercado de seguros contra riscos relacionados à IA desenvolveu-se lentamente. No início deste ano, o Insurance Services Office — a organização que estabelece padrões para o setor — divulgou um novo modelo de apólice que explicitamente exclui danos causados por IA generativa de uma ampla gama de coberturas. Grandes seguradoras pediram aos reguladores autorização para excluir essas ameaças ainda mal compreendidas. Algumas startups tentam preencher essa lacuna, mas permanecem minúsculas diante da escala do problema.

O obstáculo fundamental é conceitual. Na economia, risco é um termo preciso: refere-se a probabilidades que podem ser quantificadas com base em dados históricos. Os perigos associados à IA são diferentes. São novos, pouco compreendidos, imprevisíveis e mal definidos. A base de evidências é pequena. Nem compradores nem vendedores de seguros sabem como precificá-los adequadamente. Seguradoras não conseguem cobrir o que não conseguem medir.

Ao longo da história, muitos profetas do apocalipse fizeram previsões vagas sobre colapsos nas cadeias de abastecimento, crises financeiras ou desastres econômicos. Se fossem tão visionários quanto afirmam, poderiam facilmente ganhar dinheiro com essas previsões. Mas a IA representa um caso diferente. No extremo mais radical do espectro, os riscos são por natureza impossíveis de proteger através de hedge financeiro. Mesmo que fosse possível calcular as probabilidades de uma ameaça existencial, não haveria muito sentido em comprar proteção de contrapartes que não estariam mais aqui para pagar a indenização. É o ponto em que a lógica dos mercados encontra seus próprios limites.

Se estiverem certos sobre o apocalipse, os sinais de que o fim se aproxima deveriam começar a afetar os mercados antes que o cataclismo de fato aconteça
— Tyler Cowen, economista
Risco é um conceito organizado e preciso demais para aquilo que está em jogo com a IA
— Análise do mercado de seguros
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