Bom gosto deixou de ser luxo. Passou a ser sobrevivência.
Num momento em que a inteligência artificial nivelou o campo técnico do marketing, tornando acessível a qualquer pessoa a produção de copy, design e estratégia em minutos, emerge uma nova hierarquia profissional — não fundada em ferramentas, mas em julgamento. Ivo Gomes, CEO da MOB Agency, argumenta que o bom gosto, outrora detalhe de excelência, tornou-se a única vantagem que a IA não consegue replicar com uma atualização de modelo. É uma inversão silenciosa: o que parecia subjetivo e intangível revela-se, afinal, o ativo mais concreto de uma carreira.
- A IA eliminou a vantagem técnica de anos de especialização ao democratizar produção aceitável de marketing para qualquer pessoa com acesso à internet.
- O nível médio do setor subiu tanto que a competência técnica deixou de distinguir profissionais — o que antes era diferencial tornou-se piso mínimo.
- O bom gosto — julgamento sob incerteza, decisões que não cabem em dashboards — emerge como o único ativo verdadeiramente difícil de substituir ou automatizar.
- Esse atributo não se adquire em bootcamps nem com prompts: exige dez mil horas de observação atenta, exposição sistemática e uma paciência que a cultura do output está a extinguir.
- Profissionais que desenvolveram bom gosto estão prestes a ver o mercado pagar explicitamente por aquilo que sempre possuíram; os restantes arriscam ser substituídos pela próxima versão de um modelo.
Há uma década, o bom gosto era o detalhe que coroava o trabalho de quem já dominava as ferramentas — sinal de excelência, não de competência básica. Ivo Gomes, CEO da MOB Agency, observa hoje um cenário radicalmente diferente: a inteligência artificial democratizou a produção de copy, design e estratégia aceitáveis em minutos e por poucos euros, tornando o domínio técnico irrelevante como fator de diferenciação.
O que aconteceu foi simples e brutal: o nível médio subiu tanto que deixou de ser vantagem. Sobrou apenas a cereja — e afinal era isso que sempre importou. O bom gosto, aquele atributo que parecia pessoal e impossível de medir, tornou-se o ativo mais valioso do marketing. Não se trata de preferência estética, mas de julgamento sob incerteza: a capacidade de tomar decisões que não se provam em reunião nem se justificam com dados.
O problema é que não existe atalho para o adquirir. Nenhum curso o ensina, nenhum prompt o substitui. Treina-se com tempo, exposição sistemática e atenção genuína — ver muito, consumir com a cabeça ligada durante anos, estar perto de pessoas com bom gosto tempo suficiente para compreender porque decidem o que decidem. Gomes invoca Kobe Bryant, que se tornou melhor tornando-se estudante do mundo. O princípio é o mesmo: dez mil horas a olhar para campanhas, marcas, filmes, embalagens, sem atalho.
A maioria das pessoas vê. Quase ninguém repara. E é por isso que o bom gosto se está a tornar raro — não porque seja difícil de adquirir, mas porque exige uma paciência em extinção numa cultura que valoriza output acima de tudo. O trabalho silencioso de absorção não tem entregável, não cabe num relatório, não se mete num portfólio. Mas é exatamente o que vai separar quem terá relevância nos próximos dez anos de quem será substituído pela próxima atualização do modelo. Para quem já o possui, estas são, finalmente, boas notícias.
Há uma década, o bom gosto era um luxo no marketing. Era o detalhe que coroava o trabalho de quem já dominava as ferramentas básicas — o sinal de um profissional excepcional, não apenas competente. Ivo Gomes, CEO da MOB Agency, vê agora um cenário radicalmente diferente. As ferramentas deixaram de ser o desafio. A inteligência artificial democratizou a capacidade de produzir copy aceitável, design aceitável, estratégia aceitável em minutos e por poucos euros. Qualquer pessoa em qualquer canto do mundo consegue isso agora.
O que aconteceu foi simples e brutal: o nível médio do trabalho subiu tanto que deixou de ser vantagem. O bolo desapareceu. Sobrou apenas a cereja — e afinal era isso que sempre importou. O bom gosto, aquele atributo que parecia pessoal, subjetivo, impossível de medir, tornou-se de repente o ativo mais valioso que um profissional de marketing pode possuir. Não é preferência estética. Não é ter olho bonito. É julgamento sob incerteza — a capacidade de tomar decisões que não se provam em reunião, que não cabem num dashboard, que não se justificam com dados.
Mas aqui está o problema: não se aprende em nenhum curso. Não há bootcamp que o ensine. Não há prompt mágico que o substitua. O bom gosto treina-se com tempo, com exposição sistemática, com atenção genuína. Exige-se ver muito, consumir durante anos com a cabeça ligada. Significa copiar com honestidade, falhar com método, viajar, viver. Significa estar perto de pessoas com bom gosto durante tempo suficiente para compreender porque é que elas decidem o que decidem. Gomes invoca Kobe Bryant, que disse ter-se tornado melhor em basquetebol tornando-se estudante do mundo. O princípio é o mesmo: dez mil horas a olhar para campanhas, marcas, embalagens, sites, anúncios, capas de álbuns, filmes, séries, restaurantes. Sem atalho.
A maioria das pessoas vê. Quase ninguém repara. E é por isso que o bom gosto se está a tornar raro — não porque seja difícil de adquirir, mas porque exige um tipo de paciência que está em extinção. Numa cultura que valorizou output acima de tudo, o trabalho silencioso de absorção parece tempo perdido. Não tem entregável. Não cabe num relatório semanal. Não se mete num portfólio. Mas é exatamente o que separa quem vai ter relevância nos próximos dez anos de quem vai ser substituído pela próxima atualização do modelo.
Para quem já possui bom gosto desenvolvido, estas são boas notícias. Durante muito tempo, a indústria funcionou com uma cumplicidade silenciosa: o cliente queria meter o seu gosto pessoal, o profissional aceitava apesar de se queixar nos bastidores, porque era mais fácil executar do que defender. Mas os dias em que o cliente pagará especificamente para alguém escolher melhor estão próximos. O bom gosto deixou de ser luxo. É agora sobrevivência.
Citações Notáveis
Bom gosto é julgamento sob incerteza que não se prova, não se justifica em reunião, e não cabe num dashboard— Ivo Gomes, CEO da MOB Agency
Não há atalho. Não há bootcamp. Não há prompt mágico que substitua dez mil horas a olhar para campanhas, marcas, embalagens, sites, anúncios, capas de álbuns, filmes, séries, restaurantes.— Ivo Gomes, CEO da MOB Agency
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Se a IA consegue produzir estratégia aceitável em minutos, porque é que o bom gosto não pode ser ensinado da mesma forma?
Porque o bom gosto não é um algoritmo. É julgamento sob incerteza — a capacidade de escolher quando não há resposta certa. Isso só se desenvolve através de observação atenta durante anos.
Mas então está a dizer que a única vantagem que resta é algo que leva uma década a construir?
Exatamente. E é por isso que é tão valioso agora. Quando as ferramentas técnicas se democratizam, o que fica é o que não se consegue replicar rapidamente.
Como é que alguém começa, então? Se não há curso, não há bootcamp...
Começa por ver. Consome-se com atenção — campanhas, marcas, design, filmes, tudo. Copia-se honestamente. Falha-se com método. Viaja-se. Vive-se perto de pessoas que já têm bom gosto.
Isso soa a privilégio. Nem toda a gente tem tempo ou recursos para fazer isso.
É verdade. E é por isso que o bom gosto se está a tornar raro. Não porque seja difícil de adquirir, mas porque exige paciência. Numa cultura de output constante, o trabalho silencioso de absorção parece tempo perdido.
Então quem tem bom gosto desenvolvido está protegido?
Por enquanto, sim. Mas apenas se continuar a desenvolver-se. O bom gosto não é um destino — é um processo contínuo de observação e aprendizagem.