IA decifra enigma napoleônico de 200 anos e revela papiros carbonizados

O que a IA traz é perseverança sem fadiga
Carter Church explica por que a tecnologia conseguiu resolver em horas um enigma que desafiou historiadores por 200 anos.
Mark

Como exatamente um modelo de IA conseguiu decifrar em seis horas o que levaria semanas de trabalho manual?

Mimi

O modelo da OpenAI testou sistematicamente padrões criptográficos contra o texto codificado. Onde um humano precisaria descansar, pensar, reconsiderar, a IA mantém a perseverança constante — testando combinações, refinando hipóteses, sem fadiga.

Luke

Mas precisamos ser claros: isso funcionou porque a carta tinha uma estrutura reconhecível. Nem toda criptografia do século 19 será tão acessível. E a IA não "entendeu" o código — executou força bruta inteligente.

Mark

E quanto aos papiros de Herculano? Como raios X e IA conseguem ler algo que estava literalmente carbonizado?

Mimi

Os raios X penetram o papiro e revelam a tinta, mesmo através das camadas de carbono. A IA então reconhece os padrões de escrita — as letras gregas — e reconstrói o texto. Em junho, conseguiram ler um tratado estoico inteiro.

Luke

Isso é impressionante, mas vale notar: ainda estamos falando de um papiro. Nem todos os rolos de Herculano foram tão bem preservados ou tão legíveis. É um sucesso real, mas não universal.

Mark

Qual é o impacto real disso para historiadores?

Mimi

Imagine ter acesso a milhões de documentos que antes eram invisíveis — cartas codificadas, textos frágeis, manuscritos dispersos. O projeto Midrash está transcrevendo dez milhões de páginas de manuscritos hebraicos. Nenhum humano poderia fazer isso sozinho.

Luke

Verdade. Mas também precisamos perguntar: quem treinou esses modelos? Quais idiomas e escritas estão bem representados, e quais estão negligenciados? A IA pode ampliar nosso conhecimento, mas também pode ampliar nossas lacunas existentes.

Mark

Então estamos criando uma espécie de banco de dados histórico consultável?

Mimi

Exatamente. Stökl Ben Ezra chama de "grande Facebook do passado" — você pode buscar conexões entre pessoas, lugares, textos e ideias espalhados por milhões de documentos. Antes era impossível. Agora é pesquisável.

Luke

Desde que os dados estejam bem organizados e o modelo seja transparente sobre suas limitações. Mas sim, o potencial é real.

  • Uma carta militar de Napoleão, codificada em 1809 e insolúvel por mais de 200 anos, foi decifrada em apenas seis horas por um engenheiro de 27 anos usando IA — o que antes exigiria semanas de trabalho manual.
  • Papiros de Herculano, destruídos pelo Vesúvio em 79 d.C. e frágeis demais para serem tocados, foram escaneados com raios X e analisados por IA, revelando um tratado estoico sobre ética preservado por quase dois milênios.
  • Milhares de documentos diplomáticos e militares europeus, compostos por símbolos inventados, permanecem esquecidos em arquivos — e pesquisadores admitem estar 'totalmente perdidos' diante desse volume sem o auxílio tecnológico.
  • Projetos como Back in time e Midrash estão construindo vastos bancos de dados consultáveis — dez milhões de páginas de manuscritos hebraicos, por exemplo — criando o que um pesquisador chama de 'um grande Facebook do passado'.
  • A pesquisa histórica caminha para uma era em que documentos antes inacessíveis por codificação, fragilidade ou puro volume tornam-se não apenas legíveis, mas exploráveis em escala sem precedentes.

Por séculos, o silêncio dos arquivos guardou segredos que nenhuma mão humana conseguia desvendar — cartas cifradas de generais, papiros carbonizados por vulcões, manuscritos em línguas quase esquecidas. Hoje, a inteligência artificial emerge não como substituta do historiador, mas como sua memória infinita e sua paciência inabalável, capaz de percorrer em horas o que levaria gerações. O que está em jogo não é apenas a decifração de documentos isolados, mas uma reconfiguração profunda da relação entre a humanidade e seu próprio passado.

Em Paris, um enigma que resistiu a historiadores por mais de dois séculos foi resolvido em menos de um dia. Carter Church, engenheiro de inteligência artificial de 27 anos, usou um modelo da OpenAI para decifrar em seis horas uma carta secreta que Napoleão ordenou codificar em 1809, endereçada a um de seus generais e repleta de detalhes sobre posições militares. "O que a IA traz, acima de tudo, é perseverança", explicou Church à AFP.

Mas a tecnologia não se limita a resolver mistérios — ela está abrindo acesso a documentos que literalmente não podiam ser tocados. Os papiros de Herculano, carbonizados pela erupção do Vesúvio em 79 d.C., eram frágeis demais para ser desenrolados sem se desintegrar. Pesquisadores os escanearam com raios X e alimentaram as imagens em sistemas de IA. Em junho, anunciaram a primeira reconstituição virtual completa de um papiro preservado na Biblioteca Nacional de Nápoles — um tratado estoico dedicado à ética, segundo a professora Federica Nicolardi, da Universidade de Nápoles.

Essas descobertas são apenas o início de uma transformação mais ampla. Na França, o projeto Back in time reúne historiadores, criptógrafos e especialistas em IA para decifrar antigas missivas diplomáticas e militares codificadas. Milhares de documentos compostos por triângulos, círculos e sinais inventados dormem esquecidos em arquivos europeus — séculos de história sobre os quais os pesquisadores estão, nas palavras da criptógrafa Cécile Pierrot, "totalmente perdidos".

O potencial vai além da decodificação. O projeto Midrash usa IA para transcrever dez milhões de páginas de manuscritos hebraicos, formando vastos corpus consultáveis sobre a cultura judaica. "Não existe ser humano capaz de processar uma quantidade dessas", afirma Daniel Stökl Ben Ezra, da École Pratique des Hautes Études. Esses bancos de dados funcionam como um "grande Facebook do passado", onde conexões entre pessoas, lugares e ideias dispersas em milhões de documentos finalmente se tornam visíveis — e a história, explorável em escala nunca antes imaginada.

Em Paris, um enigma que desafiou historiadores por mais de dois séculos acaba de ser resolvido. Uma carta secreta que Napoleão ordenou codificar em 1809, endereçada a um de seus generais e contendo detalhes sobre posições militares francesas e aliadas, permaneceu ilegível até agora. Carter Church, engenheiro de inteligência artificial com apenas 27 anos, conseguiu decifrar a mensagem usando um modelo desenvolvido pela OpenAI em apenas seis horas. Sem as ferramentas digitais disponíveis hoje, o trabalho teria consumido semanas de esforço manual. "O que a IA traz, acima de tudo, é perseverança", explica Church à AFP.

Mas a tecnologia não está apenas resolvendo mistérios antigos — está abrindo acesso a documentos que literalmente não podiam ser tocados. Os papiros de Herculano, carbonizados durante a erupção do Vesúvio em 79 d.C., permaneceram frágeis demais para serem desenrolados sem desintegração. Pesquisadores escanearam esses rolos com raios X e depois alimentaram as imagens em sistemas de inteligência artificial. Em junho, anunciaram a primeira reconstituição virtual completa de um papiro preservado na Biblioteca Nacional de Nápoles — um tratado estoico dedicado à ética, segundo Federica Nicolardi, professora associada de papirologia na Universidade de Nápoles.

Essas descobertas isoladas são apenas o começo de uma transformação maior na pesquisa histórica. Na França, um projeto chamado Back in time reúne historiadores, criptógrafos e especialistas em IA para desenvolver ferramentas capazes de transcrever e decifrar antigas missivas diplomáticas e militares codificadas. Milhares de documentos compostos por triângulos, círculos e sinais inventados permanecem esquecidos em arquivos europeus, representando séculos inteiros de história sobre os quais os pesquisadores estão "totalmente perdidos", conforme descreve Cécile Pierrot, criptógrafa do Instituto Nacional de Pesquisa em Ciências e Tecnologias Digitais da França e responsável científica pelo projeto.

O potencial vai além da decodificação. Os historiadores agora podem analisar quantidades imensas de documentos — algo que seria simplesmente impossível sem essa tecnologia. O projeto Midrash exemplifica essa possibilidade ao usar IA para transcrever dez milhões de páginas de manuscritos hebraicos e constituir vastos corpus consultáveis sobre a cultura judaica. "É algo gigantesco. Não existe ser humano capaz de processar uma quantidade dessas", afirma Daniel Stökl Ben Ezra, diretor de estudos em Ciências Históricas na École Pratique des Hautes Études, em Paris.

Os textos digitalizados alimentam grandes bancos de dados que permitem realizar buscas em corpus antes completamente inacessíveis. Stökl Ben Ezra compara esse sistema a uma espécie de "grande Facebook do passado", onde os historiadores podem revelar conexões entre pessoas, lugares, textos ou ideias dispersos em milhões de documentos. Com esses avanços tecnológicos, Pierrot espera proporcionar "um conhecimento, uma abordagem muito mais ampla sobre a história". A pesquisa histórica está entrando em uma era em que o que era invisível — seja por codificação, fragilidade ou simplesmente volume — torna-se não apenas acessível, mas explorável.

O que a IA traz, acima de tudo, é perseverança
— Carter Church, engenheiro de IA
Não existe ser humano capaz de processar uma quantidade dessas
— Daniel Stökl Ben Ezra, diretor de estudos em Ciências Históricas na École Pratique des Hautes Études
Envie de l'histoire complète ? Lire l'original sur Estadão ↗
Nous contacter FAQ