Numa era em que a inteligência artificial promete transformar até o acaso em ciência, uma publicação portuguesa pediu a uma IA que analisasse 104 sorteios do Euromilhões e gerasse duas combinações — uma com os números mais frequentes, outra com os menos frequentes. O exercício é honesto na sua contradição: produz resultados com aparência de rigor estatístico enquanto reconhece, sem hesitação, que as bolas não têm memória e que nenhuma estratégia altera uma probabilidade de 1 em 139 milhões. É, no fundo, um espelho da condição humana — a nossa necessidade de encontrar padrões onde reina o puro