Hyundai testa no Brasil carro a hidrogênio Nexo, com combustível extraído do etanol

Aqui, o Nexo serve como laboratório
A Hyundai não planeja vender o SUV a hidrogênio no Brasil; ele será usado em testes com etanol na USP.
Mark

Então o Nexo não vai ser vendido aqui. Por que testá-lo?

Mimi

Porque serve de laboratório. O projeto é anterior a 2018 e a matriz já trabalha em substitutos. O que interessa é o hidrogênio vindo do etanol, não o carro em si.

Mark

E qual é a aposta do Brasil nisso?

Mimi

A distribuição. O CEO diz que o etanol já chega das usinas aos postos, então dá para evitar o transporte do hidrogênio, que é caro e delicado.

Luke

Vale notar que essa é a tese do executivo da Hyundai, não um resultado dos testes. Os testes nem começaram.

Mark

E os números de autonomia?

Mimi

Com 6 kg de hidrogênio, quase 900 km, contra cerca de 300 km de um flex 1.0 com 30 litros de etanol.

Luke

Convém lembrar que são números apresentados pela empresa. A purificação de 450 mil litros de ar também vem da Hyundai, e a retenção da poluição é afirmação dela.

Mark

Qual o custo hoje?

Mimi

A reformadora fica em torno de R$ 150 mil, valor pouco divulgado. E a produção ainda não sustenta demanda comercial.

Luke

Esse valor é aproximado e sem fonte oficial clara. E sobre modelos futuros, nada foi confirmado: o CEO se recusou a comentar.

Mimi

Ele só projeta frutos até 2026, dependendo de incentivo público e parcerias privadas.

  • O Nexo deixa de ser veículo de demonstração e começa a rodar pelo campus da USP em novembro, saindo da vitrine para o asfalto real.
  • O hidrogênio será arrancado do etanol por reformadoras da Hytron, num processo que tenta contornar a parte mais cara e frágil da cadeia: o transporte do gás.
  • O custo de uma reformadora de 6 kg por hora gira em torno de R$ 150 mil, e a produção nacional de hidrogênio ainda é insuficiente para demanda comercial.
  • Não há plano de venda; a aposta depende de incentivos como o programa Mover e a Lei do Combustível do Futuro, com resultados esperados até 2026.

Num momento em que o Brasil busca caminhos próprios para a mobilidade limpa, a Hyundai decidiu levar seu SUV a hidrogênio, o Nexo, das vitrines para as ruas do campus da USP, em São Paulo. A ideia que sustenta o teste é antiga e simples: o etanol, que já percorre o país até os postos, poderia carregar em si o combustível do futuro. O carro não será vendido por ora; ele funciona como um laboratório sobre rodas, onde se medem custos, limites e possibilidades de uma tecnologia que ainda espera a escala para deixar de ser promessa.

Desde abril, uma unidade do Hyundai Nexo circula pelo Brasil como veículo de demonstração. Em novembro, ele ganha um novo papel: passa a carro de teste e começa a rodar pelo campus da USP, na Zona Oeste de São Paulo. É um SUV elétrico movido a célula de combustível a hidrogênio, e o combustível que vai alimentá-lo nasce do etanol.

O anúncio veio de Airton Cousseau, presidente e CEO da Hyundai para a América do Sul e Central, logo após a apresentação do Novo Creta. O programa reúne a Hytron, a Raízen e a USP. A montadora vive um momento intenso no país, com o Palisade já à venda, o Ioniq 5 em pré-venda e a linha 2025 do Creta. Quem esperava um Creta elétrico terá de aguardar, mas o Nexo, com seu porte generoso e recarga de 6 a 10 minutos, serve como vitrine de uma alternativa diferente.

Não há plano de venda. O projeto é anterior a 2018 e a matriz já trabalha em substitutos, então o carro cumpre o papel de laboratório. A Hyundai admite a possibilidade de ampliar a frota de testes com outras unidades.

A aposta de Cousseau é que o Brasil tem uma vantagem rara: o etanol já chega a qualquer posto, e o hidrogênio poderia ser extraído ali mesmo, sem o transporte caro e delicado que trava a tecnologia em outros países. As reformadoras da Hytron transformam 30 litros de etanol em 6 kg de hidrogênio por hora, rendendo quase 900 km ao Nexo, três vezes a autonomia de um flex comum com o mesmo volume.

Os obstáculos, porém, são concretos. Cada reformadora custa algo perto de R$ 150 mil e a produção nacional ainda não sustenta uma demanda comercial. Cousseau aposta no programa Mover e na recém-assinada Lei do Combustível do Futuro para destravar esse caminho. Sobre modelos menores, como um Creta a hidrogênio, preferiu não comentar. Ainda assim, acredita que os testes podem render frutos até 2026.

Desde abril, uma unidade do Hyundai Nexo está no Brasil com o status de veículo de demonstração. Em novembro, ela passa a carro de teste e começa a rodar pelo campus da USP, na Zona Oeste de São Paulo. O Nexo é um SUV elétrico movido a célula de combustível a hidrogênio, e o hidrogênio que ele vai consumir virá do etanol.

O anúncio foi feito por Airton Cousseau, presidente e CEO da Hyundai Motor América do Sul e Central, logo depois da apresentação do Novo Creta. O programa de testes será conduzido em parceria com a Hytron, a Raízen e a Universidade de São Paulo. A fabricante sul-coreana vive uma sequência intensa de lançamentos no país: em pouco mais de dois meses, começou a vender o SUV grande premium Palisade, abriu a pré-venda do crossover elétrico Ioniq 5 e apresentou a linha 2025 do Creta, que mantém os preços e ganha um motor 1.6 turbo a gasolina.

Quem esperava um Creta elétrico, que já roda na Índia, terá de aguardar. O Nexo mede 4,67 metro de comprimento e tem 2,79 m de entre-eixos. É mais espaçoso que o Tucson e quase tão amplo quanto o Santa Fe. A recarga do tanque de hidrogênio leva de 6 a 10 minutos, semelhante à de um carro a GNV. Não há plano de vendê-lo no Brasil: o projeto é anterior a 2018, e a matriz já trabalha em substitutos. Aqui, ele serve como laboratório. Cousseau afirma que a Hyundai pode incorporar outras unidades para ampliar a fase de rodagem.

A arquitetura lembra o projeto anterior da Toyota com o sedã Mirai, embora os termos de teste sejam diferentes. O hidrogênio virá de reformadoras de etanol fabricadas pela Hytron, que hoje quebram as moléculas de 30 litros de etanol e geram 6 kg de hidrogênio por hora. Num carro flex 1.0, esses 30 litros rendem cerca de 300 km; o Nexo percorre quase 900 km com os 6 kg equivalentes.

A Hyundai também destaca o lado ambiental. Para gerar eletricidade, o Nexo capta ar da atmosfera e combina o oxigênio com o hidrogênio do tanque. Segundo a empresa, os filtros internos retêm a poluição, e o escapamento libera apenas água destilada e ar limpo. Ao longo daqueles quase 900 km, o carro purificaria cerca de 450 mil litros de ar. Ele entrega 163 cv e 40,2 kgf/m de torque, e seus mostradores indicam o quanto o veículo está "fazendo bem" ao meio ambiente.

Para Cousseau, o etanol dá ao Brasil uma vantagem. Ele lembra que Coreia do Sul, Japão, países da Europa e a Califórnia já usam hidrogênio como combustível, mas com produção cara e distribuição por tanques, barcos ou gasodutos que inviabiliza a escala. No Brasil, o etanol já chega das usinas a qualquer posto, e o hidrogênio poderia ser extraído ali mesmo, sem a etapa de transporte, mais delicada e cara.

Os obstáculos são concretos. Uma reformadora de 6 kg por hora custa caro, na faixa de um carregador elétrico de alta potência de 150 ou 200 kW; os valores são pouco divulgados, mas giram em torno de R$ 150 mil. A capacidade de produção de hidrogênio também segue baixa, insuficiente para uma demanda comercial de modelos como o Nexo. O executivo diz que o programa Mover e a recém-assinada Lei do Combustível do Futuro podem ajudar a reduzir custos e ampliar produção e uso.

Sobre a possibilidade de modelos menores, como um Creta a hidrogênio ou um Novo Tucson FCEV, inclusive montados no Brasil, Cousseau preferiu não comentar. Disse acreditar que os testes podem dar frutos até 2026, revelando oportunidades, sobretudo com incentivo público e parcerias privadas.

O Brasil pode usar o etanol que já está no posto para obter hidrogênio, sem a etapa delicada e cara do transporte.
— Airton Cousseau, CEO da Hyundai Motor América do Sul e Central (paráfrase)
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