Hovione conclui expansão de 40 milhões e aumenta capacidade produtiva em 25%

Somos líderes mundiais nesta tecnologia e os únicos a operar à escala industrial
António Almeida, co-CEO da Hovione, sobre a posição da empresa em tecnologia contínua de comprimidos.

Numa terça-feira de inauguração oficial em Loures, a Hovione revelou ao mundo o resultado de uma década de transformação silenciosa: 40 milhões de euros convertidos em 25% mais capacidade para fabricar os medicamentos mais complexos do nosso tempo. A empresa portuguesa, que já participa no desenvolvimento de 1 em cada 10 novos fármacos aprovados pela FDA, não celebra apenas uma fábrica ampliada — afirma, com concreto e tecnologia de ponta, que Portugal pode ser protagonista na soberania farmacêutica europeia. O próximo capítulo, um investimento de 200 milhões no Seixal previsto para 2027, sugere que esta ambição está longe de ter atingido o seu limite.

  • A Europa perdeu terreno para a Ásia na produção farmacêutica, e a Hovione responde com uma expansão que reposiciona Portugal no centro dessa disputa estratégica global.
  • Transformar um edifício vazio e inadequado numa unidade de produção de classe mundial exigiu uma década de esforço técnico, regulatório e financeiro inteiramente suportado pela própria empresa.
  • A nova linha de produção contínua de comprimidos — tecnologia em que a Hovione é líder mundial e, em alguns segmentos, a única operadora à escala industrial — eleva o patamar competitivo da unidade de Loures.
  • Com 19 das 20 maiores farmacêuticas do mundo na carteira de clientes e 550 milhões de euros de faturação em 2025, a empresa cresce a dois dígitos e planeia contratar mais 50 especialistas só em Loures.
  • O investimento de 200 milhões de euros no Seixal, pensado para durar 50 a 60 anos, sinaliza que a Hovione não está a reagir ao mercado — está a moldar o futuro da cadeia de abastecimento farmacêutico ocidental.

A Hovione inaugurou oficialmente a sua expansão em Loures numa cerimónia que reuniu ministros, autarcas e reguladores, encerrando uma década de transformação de um edifício comum numa instalação farmacêutica de referência mundial. O investimento de 40 milhões de euros, inteiramente financiado pela empresa, traduziu-se num aumento de 25% da capacidade produtiva e na consolidação de tecnologias que poucos no mundo dominam.

O co-CEO António Almeida recordou que o projeto arrancou lentamente, mas ganhou velocidade com a introdução, em 2022, de uma linha de produção contínua de comprimidos — inovação em que a Hovione ocupa posição única à escala industrial global. A nova área concluída combina essa tecnologia com processos por lote mais avançados, respondendo a uma procura crescente por medicamentos sofisticados. A empresa participa no desenvolvimento ou fabrico de 1 em cada 10 novos fármacos aprovados anualmente pela FDA e tem 19 das 20 maiores farmacêuticas mundiais como clientes.

O ministro da economia, Manuel Castro Almeida, enquadrou o investimento na urgência europeia de recuperar autonomia produtiva num setor que perdeu terreno para a Ásia. A Hovione, com faturação de 550 milhões de euros em 2025 e crescimento médio anual de 10% nos últimos 15 anos, emprega mais de 2600 pessoas de 60 nacionalidades, sendo que 1250 trabalham em Loures — onde estão previstas mais 50 contratações.

Mas Loures é apenas um capítulo. A empresa tem já em curso um novo ciclo de 200 milhões de euros no Seixal, com operação prevista para 2027. Almeida explicou que estes investimentos são pensados a 50 ou 60 anos, não a uma ou duas décadas — uma visão que transforma a Hovione de empresa exportadora em arquiteta de cadeias de abastecimento farmacêutico mais resilientes e próximas dos mercados ocidentais.

A Hovione abriu as portas de seu novo centro de produção em Loures numa terça-feira de cerimónia oficial, marcando o fim de uma década de transformação. O que começou como um edifício vazio e inadequado tornou-se, após 40 milhões de euros em investimento próprio, uma instalação capaz de aumentar a capacidade produtiva da empresa em 25%. A expansão não é apenas uma questão de tamanho — é uma declaração sobre onde Portugal se posiciona na indústria farmacêutica global.

A Hovione, com mais de 60 anos de história em desenvolvimento e fabrico de medicamentos, enfrentou um desafio técnico considerável quando adquiriu o edifício há uma década. Transformar um espaço comum em unidade de produção farmacêutica exigiu salas limpas, áreas dedicadas e conformidade com regulações que são, simultaneamente, exigentes e caras. António Almeida, um dos co-CEOs, explicou que o projeto arrancou lentamente, com a empresa evoluindo tecnologicamente ao longo dos anos. Em 2022, um marco: a introdução de uma linha de produção contínua de comprimidos, uma inovação onde a Hovione assume posição única a nível mundial. "Somos líderes mundiais nesta tecnologia e, em várias áreas, os únicos a operar desta forma à escala industrial", destacou Almeida.

A nova área concluída agora combina essa tecnologia de ponta com processos por lote mais avançados, respondendo a uma procura crescente por medicamentos mais sofisticados. Marco Gil, o outro co-CEO, sublinhou que a empresa prevê que a procura pelos seus serviços continue a evoluir positivamente. O portfólio de clientes da Hovione inclui 19 das 20 maiores empresas farmacêuticas do mundo, e as suas equipas estão envolvidas no desenvolvimento ou fabrico de 1 em cada 10 novos medicamentos aprovados anualmente pela FDA, a agência reguladora norte-americana.

A cerimónia de inauguração contou com presença política de peso: Manuel Castro Almeida, ministro da economia e coesão territorial, Madalena Oliveira e Silva, presidente da AICEP, Raquel Ascenção, vice-presidente do INFARMED, e Ricardo Leão, presidente da Câmara de Loures. Castro Almeida posicionou o investimento como exemplo do caminho que Portugal deve seguir, destacando que a indústria farmacêutica é estratégica para a autonomia europeia. "Este é um projeto que mostra como Portugal pode competir à escala global em setores de elevado valor acrescentado", afirmou. O ministro sublinhou também a necessidade de a Europa recuperar capacidade produtiva de medicamentos, num contexto em que o continente perdeu terreno para a Ásia.

A Hovione, que registou crescimento médio anual de cerca de 10% nos últimos 15 anos e atingiu faturação de 550 milhões de euros em 2025, emprega atualmente mais de 2600 trabalhadores de 60 nacionalidades. Em Loures especificamente, a operação emprega 1250 pessoas e planeia contratar mais 50 colaboradores qualificados. O negócio é fortemente exportador: os Estados Unidos representam entre 55% e 60% das vendas, seguidos pela Europa e Ásia.

Mas a expansão de Loures é apenas um capítulo. A empresa já tem em curso um novo ciclo de investimento de 200 milhões de euros no Seixal, que deverá entrar em operação em 2027. Almeida explicou que quando a empresa pensa nestes investimentos, não pensa a 10 ou 20 anos, mas a 50 ou 60 anos. A escolha do Seixal resulta da proximidade ao centro de investigação no Lumiar, ao aeroporto, à base de talento da região de Lisboa e da margem sul, e à disponibilidade de espaço para expansão futura. Num contexto em que a Europa e os Estados Unidos perderam capacidade produtiva farmacêutica para a Ásia, a Hovione posiciona-se numa área de maior valor acrescentado, centrada em medicamentos inovadores e em construir cadeias de abastecimento mais resilientes e próximas dos mercados.

Este é um projeto que mostra como Portugal pode competir à escala global em setores de elevado valor acrescentado
— Manuel Castro Almeida, ministro da economia e coesão territorial
Quando pensamos nestes investimentos não pensamos a 10 ou 20 anos, pensamos a 50 ou 60 anos
— António Almeida, co-CEO da Hovione
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Porque é que uma empresa farmacêutica portuguesa consegue ser líder mundial em tecnologia contínua de comprimidos?

Model

Porque apostou numa inovação muito específica e desenvolveu expertise profunda nela. Enquanto outros seguiam o caminho tradicional, a Hovione viu a oportunidade e investiu. Agora é praticamente a única a operar desta forma à escala industrial.

Inventor

Mas isso não é arriscado? Colocar tudo numa tecnologia que ninguém mais usa?

Model

É, mas é também protetor. Se és o único a fazer algo bem, tens vantagem competitiva. E a procura está a crescer — as farmacêuticas querem medicamentos mais sofisticados, mais rápido.

Inventor

Porque é que o investimento demorou uma década?

Model

Porque começaram com um edifício que não era farmacêutico. Tiveram de o transformar completamente — salas limpas, áreas dedicadas, conformidade regulatória. Isso é caro e complexo. Mas também significa que evoluíram tecnologicamente enquanto construíam.

Inventor

E agora vão fazer o mesmo no Seixal, mas com 200 milhões?

Model

Sim, mas desta vez já têm a experiência. Sabem o que funciona. E o Seixal é estratégico — perto do aeroporto, perto do centro de investigação, perto do talento. Estão a pensar a 50, 60 anos.

Inventor

Isso parece muito tempo.

Model

É. Mas quando investes 200 milhões, não podes pensar em ciclos curtos. Precisas de estabilidade, de mercados previsíveis, de talento que se mantenha. Portugal oferece isso agora.

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