Homens recebem 15% mais que mulheres em 2023, aponta IBGE

A disparidade salarial afeta 52,6 milhões de assalariados brasileiros, com mulheres recebendo proporcionalmente menos pela mesma participação na força de trabalho.
Mulheres recebem proporcionalmente menos apesar de formarem quase metade da força de trabalho
Homens ganham 58,1% da massa salarial sendo 54,5% dos assalariados; mulheres ganham 41,9% sendo 45,5%.

Em 2023, o Brasil registrou uma leve redução na desigualdade salarial entre gêneros: homens passaram a ganhar 15% a mais que mulheres, ante 17% no ano anterior. O levantamento do IBGE, baseado em dados de 10 milhões de organizações formais e 52,6 milhões de assalariados, revela que o progresso existe, mas caminha em passos cautelosos sobre um terreno ainda profundamente desigual. A segregação setorial, o peso da escolaridade e a concentração desproporcional da massa salarial nas mãos masculinas lembram que números melhores não são, por si só, justiça conquistada.

  • Apesar da queda de dois pontos percentuais na disparidade salarial, mulheres ainda recebem proporcionalmente menos do que sua participação na força de trabalho justificaria.
  • Homens concentram 58,1% de toda a massa salarial mesmo representando apenas 54,5% dos assalariados — uma assimetria que afeta dezenas de milhões de brasileiras.
  • A segregação por setor aprofunda o problema: construção e indústrias extrativas são esmagadoramente masculinas, enquanto saúde e educação — historicamente menos remunerados — são dominados por mulheres.
  • A escolaridade emerge como variável decisiva: quem tem diploma universitário ganha três vezes mais, e setores feminizados como educação concentram mais trabalhadores com ensino superior, sem que isso se traduza em salários equivalentes.
  • A tendência aponta para melhora gradual, mas a pergunta que fica é se esse ritmo lento será suficiente — ou se a lacuna simplesmente se estabilizará antes de desaparecer.

O IBGE divulgou nesta quinta-feira dados que trazem uma notícia de dois lados: a desigualdade salarial entre homens e mulheres no Brasil diminuiu, mas segue expressiva. Em 2023, homens ganhavam 15% a mais que mulheres — redução em relação aos 17% de 2022. A melhora é real, porém modesta.

Os números vêm do estudo Estatísticas do Cadastro Central de Empresas, que mapeou 10 milhões de organizações formais ativas ao fim de 2023 — crescimento de 6,3% — empregando 66 milhões de pessoas. Desse total, 52,6 milhões eram assalariados. A proporção revela o desequilíbrio: homens formavam 54,5% dos assalariados, mas recebiam 58,1% de toda a massa salarial. Mulheres, com 45,5% da força de trabalho, ficavam com 41,9% da renda total.

A distribuição setorial ajuda a explicar parte da lacuna. Construção (87,4% masculina), indústrias extrativas (83,1%) e transporte (81,3%) são dominados por homens. Já saúde e serviços sociais concentram 75% de mulheres, educação 67,7% — setores historicamente menos remunerados. A escolaridade também pesa: quem tem diploma universitário ganha em média R$ 7.489,16 — três vezes mais do que quem não tem formação superior (R$ 2.587,52). O salário médio geral chegou a R$ 3.745,45, alta de 2% sobre 2022.

A redução de dois pontos percentuais na diferença salarial indica movimento na direção certa. Mas sobre um universo de 52,6 milhões de assalariados, uma lacuna de 15% ainda significa que mulheres continuam recebendo menos pela mesma presença no mercado de trabalho. A questão que persiste é se essa tendência de melhora gradual se sustenta — ou simplesmente para no meio do caminho.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou nesta quinta-feira um levantamento que traz uma notícia com matiz: a desigualdade salarial entre homens e mulheres no Brasil diminuiu, mas continua significativa. Em 2023, os homens ganhavam 15% a mais que as mulheres — uma redução em relação aos 17% registrados em 2022. A melhora é real, mas modesta.

Os números vêm do estudo Estatísticas do Cadastro Central de Empresas, que consolida informações de todas as organizações formais com Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica — desde empresas privadas até órgãos públicos e entidades sem fins lucrativos. O Brasil tinha 10 milhões dessas organizações ativas ao final de 2023, um crescimento de 6,3% em relação ao ano anterior. Juntas, empregavam 66 milhões de pessoas, alta de 5,1%. Desse total, 52,6 milhões eram assalariados; os demais eram sócios e proprietários.

O quadro da desigualdade fica claro quando se olha para a proporção. Homens formavam 54,5% dos assalariados, mas recebiam 58,1% de toda a massa salarial paga pelas empresas e organizações. Mulheres, que representavam 45,5% dos trabalhadores assalariados, ficavam com 41,9% da renda total. Essa diferença não reflete necessariamente disparidades dentro da mesma função — o IBGE mediu o rendimento total pago por setor e organização, não comparações diretas de cargo por cargo.

A distribuição de homens e mulheres pelos setores econômicos ajuda a explicar parte da lacuna. Entre os homens, quase um em cada cinco trabalha na indústria de transformação (19,4%), seguido pelo comércio e reparação de veículos (18,8%) e administração pública (13%). Já as mulheres concentram-se na administração pública (19,9%), comércio (18,2%) e, significativamente, em saúde e serviços sociais (11,1%). Quando se olha para setores específicos, a segregação é ainda mais pronunciada: a construção é 87,4% masculina, as indústrias extrativas 83,1%, e o transporte 81,3%. Por outro lado, saúde e serviços sociais são 75% femininos, educação 67,7%, e atividades financeiras 57,5%.

A educação formal também marca diferenças profundas. O IBGE constatou que 76,4% dos assalariados não tinham ensino superior. Quem tinha diploma universitário recebia, em média, R$ 7.489,16 por mês — exatamente três vezes o salário de quem não tinha formação superior, que era R$ 2.587,52. Na educação, 65,5% dos assalariados tinham ensino superior; em atividades financeiras, 59,9%; em organismos internacionais, 57,4%. No extremo oposto, alojamento e alimentação tinha 96,1% de assalariados sem diploma, e a agropecuária 93,8%.

O salário médio geral em 2023 foi de R$ 3.745,45, uma elevação de 2% em relação a 2022. Enquanto a redução de dois pontos percentuais na diferença salarial entre gêneros sugere movimento na direção certa, a persistência de uma lacuna de 15% sobre um universo de 52,6 milhões de assalariados significa que mulheres continuam recebendo menos pela mesma participação no mercado de trabalho. A questão agora é se essa tendência de melhora gradual se mantém ou se estabiliza.

Os dados do IBGE não mostram diferença de salário entre homens e mulheres especificamente na mesma função, e sim no total de rendimentos pago por empresas e organizações
— IBGE
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a diferença caiu de 17% para 15% em apenas um ano? Isso é uma mudança real ou flutuação?

Model

É uma redução pequena, mas o IBGE registrou. Pode refletir tanto políticas de equidade quanto mudanças na composição do emprego — mais mulheres em setores melhor remunerados, ou reajustes salariais que beneficiaram mulheres proporcionalmente mais.

Inventor

Os dados mostram que mulheres trabalham em setores diferentes. Isso explica toda a diferença de 15%?

Model

Explica parte. Saúde, educação e serviços sociais — onde as mulheres se concentram — tendem a pagar menos que construção e indústrias extrativas, onde os homens dominam. Mas mesmo dentro do mesmo setor, há disparidades que o IBGE não detalha neste levantamento.

Inventor

E a educação? Mulheres formam a maioria dos universitários no Brasil.

Model

Sim, mas o levantamento mostra que ter diploma universitário triplica o salário. Se mais mulheres estão se formando, isso deveria reduzir a lacuna — mas a redução de 2 pontos em um ano sugere que outras barreiras ainda operam.

Inventor

Qual setor mais precisa mudar?

Model

Saúde e serviços sociais empregam 75% de mulheres e historicamente pagam menos. Se esses setores remunerassem melhor, ou se mais mulheres entrassem em construção e indústria extrativa, a lacuna diminuiria. Mas isso envolve mudanças culturais e estruturais profundas.

Inventor

O que esse número de 52,6 milhões de assalariados significa na prática?

Model

Significa que essa lacuna de 15% afeta dezenas de milhões de pessoas. Não é um problema abstrato — é renda que deixa de chegar às famílias de mulheres trabalhadoras todos os meses.

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