Homem inocentado após 27 anos de prisão perpétua nos EUA

Lamar Johnson passou 27 anos encarcerado injustamente, perdendo quase três décadas de sua vida em prisão perpétua por crime que não cometeu.
Ele abriu um sorriso largo ao sair do tribunal, mas se recusou a falar
Johnson deixou o tribunal após 27 anos de prisão injusta, sua reação contida refletindo o peso do que havia vivido.
Mark

Como é possível que alguém passe 27 anos na prisão por um crime que não cometeu, especialmente quando havia um álibi?

Mimi

O álibi dele — estar com a namorada — foi considerado insuficiente pelo tribunal na época. Mas o que realmente importa é que ninguém investigou adequadamente depois. Levou décadas para que advogados e uma organização sem fins lucrativos reunissem as provas que deveriam ter estado lá desde o início.

Luke

Mas precisamos ser claros: o álibi foi rejeitado pelo tribunal em 1995. Não sabemos exatamente por quê — o material disponível não detalha a razão específica. O que sabemos é que depois surgiram outras evidências.

Mark

E quanto à testemunha que recuou? Como isso foi permitido?

Mimi

Ela confessou que se sentiu pressionada a escolher alguém de uma lista. E descobriram que a Procuradoria a havia pagado US$ 4 mil antes do julgamento sem revelar isso. É exatamente o tipo de coisa que deveria ter sido divulgado.

Luke

O procurador original disse que o pagamento pode ter sido por proteção à vida dela, não por suborno. Ele também disse que não podia ter certeza porque era 25 anos depois. Então temos uma explicação possível, mas não confirmada.

Mark

Dois outros homens confessaram? Por que isso levou tanto tempo?

Mimi

Eles confessaram anos depois, afirmando que o crime foi por dinheiro de drogas. Mas o sistema não revisita casos antigos automaticamente. Levou ativistas e advogados dedicados para forçar a questão.

Luke

E mesmo com as confissões, a apelação à Suprema Corte do Missouri foi recusada. Só em 2021, quando o estado aprovou uma nova lei facilitando novos julgamentos, as coisas mudaram. Isso mostra como o sistema estava travado.

Mark

Johnson pode processar o Estado pelos 27 anos?

Mimi

Não. A lei estadual não permite. É por isso que o Projeto Inocência criou um crowdfunding para ajudá-lo.

Luke

Isso é importante notar: a exoneração não vem com compensação automática. Ele recupera sua liberdade, mas não há reparação financeira pelo tempo perdido.

  • Uma testemunha ocular recuou de seu depoimento original, revelando que se sentiu pressionada a apontar um culpado — o alicerce da condenação desmoronou.
  • Veio à tona que a Procuradoria pagou US$ 4.000 à testemunha antes do julgamento sem jamais divulgar o fato, configurando grave má-conduta processual.
  • Dois homens confessaram separadamente ter cometido o crime, alegando motivação ligada a uma disputa por dinheiro de drogas — mas reabrir o caso exigiu décadas de luta jurídica.
  • A Suprema Corte do Missouri recusou o pedido de novo julgamento mesmo com apoio de mais de 30 procuradores de outros estados, revelando a rigidez do sistema.
  • Uma lei aprovada em 2021 desbloqueou o caminho legal, e a procuradora de St. Louis apresentou o processo que culminou na liberdade de Johnson em fevereiro de 2023.
  • Livre, mas sem direito a indenizar-se do Estado, Johnson depende agora de uma campanha de crowdfunding para reconstruir a vida que lhe foi tirada por quase três décadas.

Durante 27 anos, Lamar Johnson carregou o peso de uma condenação que não era sua — preso por um assassinato que dois outros homens mais tarde confessariam ter cometido. Em 14 de fevereiro de 2023, um juiz do Missouri anulou a sentença de prisão perpétua imposta em 1995, devolvendo a Johnson, aos 49 anos, o direito de simplesmente voltar a viver. Sua libertação é o resultado lento e doloroso de décadas de investigação persistente, testemunhos recantados e uma lei estadual que, finalmente, abriu caminho para que a verdade prevalecesse sobre o processo.

Lamar Johnson saiu do tribunal no Missouri na terça-feira, 14 de fevereiro, com um sorriso largo — aos 49 anos, acabava de ouvir um juiz anular a sentença de prisão perpétua que o mantinha encarcerado havia 27 anos. Condenado em 1995 pelo assassinato de Marcus Boyd, morto a tiros na varanda de sua casa por dois homens mascarados, Johnson sempre alegou estar com a namorada no momento do crime. O tribunal, porém, considerou seu álibi insuficiente e o condenou sem possibilidade de liberdade condicional.

A libertação foi o resultado de uma convergência lenta e persistente de evidências. A advogada Lindsay Runnels e o Projeto Inocência no Meio-Oeste nunca abandonaram o caso: dois homens confessaram posteriormente ter cometido o crime por uma disputa ligada a dinheiro de drogas, e a única testemunha ocular do julgamento original recuou de seu depoimento, afirmando ter se sentido pressionada a apontar alguém de uma lista de suspeitos. Mais grave ainda, descobriu-se que a Procuradoria havia pago US$ 4 mil à testemunha antes do julgamento sem jamais revelar esse fato — uma omissão que configurou má-conduta processual.

O caminho para a revisão foi longo e cheio de obstáculos. A Suprema Corte do Missouri recusou o pedido de novo julgamento mesmo diante de um abaixo-assinado assinado por mais de 30 procuradores eleitos de outros estados. O ponto de virada veio com uma lei estadual aprovada em 2021, que facilitou a reabertura de casos com evidências de condenação errônea. A procuradora eleita de St. Louis, Kim Gardner, criou um grupo de trabalho que analisou as descobertas e apresentou o processo que levou à soltura de Johnson.

Ao ouvir o veredicto do juiz David Mason, Johnson aparentava estar chorando. Ele se recusou a falar com jornalistas na saída do tribunal, mas disse ao New York Times que agora quer voltar a viver. A legislação estadual, no entanto, impede que ele processe o Estado pelas quase três décadas perdidas. O Projeto Inocência no Meio-Oeste abriu uma página de crowdfunding para ajudá-lo a reconstruir, do zero, a vida que lhe foi roubada.

Lamar Johnson saiu do tribunal em Missouri na terça-feira, 14 de fevereiro, com um sorriso largo no rosto. Aos 49 anos, ele havia acabado de ouvir um juiz anular a sentença de prisão perpétua que o mantinha atrás das grades há 27 anos. Johnson foi condenado em 1995 pelo assassinato de Marcus Boyd, morto a tiros em sua varanda por dois homens mascarados. Na época, ele alegou estar com a namorada no momento do crime, mas o tribunal considerou seu álibi insuficiente e o condenou sem possibilidade de liberdade condicional.

O que levou à sua libertação foi uma convergência de evidências que emergiram lentamente ao longo das décadas. Sua advogada, Lindsay Runnels, e o Projeto Inocência no Meio-Oeste, uma organização sem fins lucrativos dedicada a defender condenados erroneamente, continuaram investigando o caso mesmo após a prisão inicial. Dois homens confessaram posteriormente ter cometido o crime, afirmando que foi motivado por uma disputa relacionada a dinheiro de drogas. Mais significativo ainda, a única testemunha ocular que participou do julgamento original recuou de sua declaração, revelando que se sentiu pressionada a apontar alguém de uma lista de possíveis culpados.

A descoberta mais grave envolveu má-conduta processual. A equipe de defesa de Johnson descobriu que a Procuradoria havia pagado US$ 4 mil à testemunha antes do julgamento original e nunca divulgou esse fato. Dwight Warren, o procurador federal responsável pelo processo, afirmou à CNN em 2019 que a testemunha pode ter recebido a compensação por ameaças à sua vida e que sua equipe provavelmente a realocou na época. Ele admitiu, porém, não poder declarar isso com certeza porque o caso havia ocorrido 25 anos antes, e descartou as acusações de má-conduta como parciais e bizarras.

Reabrir o processo se mostrou um caminho longo e árduo. Uma apelação pedindo novo julgamento à Suprema Corte do Missouri foi recusada, apesar de mais de 30 procuradores eleitos de diferentes estados enviarem um abaixo-assinado em apoio à causa. O ponto de virada veio quando legisladores estaduais aprovaram uma lei em 2021 facilitando novos julgamentos em casos com evidências de condenação errônea. Runnels e o Projeto Inocência entregaram suas descobertas a um grupo de trabalho criado pela procuradora eleita de St. Louis, Kim Gardner, que em agosto do ano anterior havia arquivado um processo pedindo a soltura de Johnson.

Ao ouvir o veredicto do juiz David Mason anunciando sua inocência, Johnson aparentava estar chorando. Ele se recusou a falar com jornalistas ao deixar o tribunal, mas posteriormente concedeu uma entrevista ao New York Times na qual disse que agora quer voltar a viver. A legislação estadual, porém, impede que ele processe o Estado pelas quase três décadas que passou na prisão. O Projeto Inocência no Meio-Oeste criou uma página de crowdfunding para ajudá-lo a reconstruir sua vida fora das grades.

Agora quer voltar a viver
— Lamar Johnson, em entrevista ao New York Times
Sua equipe provavelmente o realocou na época, mas não podia declarar isso com certeza porque o caso tinha ocorrido 25 anos atrás
— Dwight Warren, procurador federal responsável pelo processo original, à CNN em 2019
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