Hibristofilia: por que algumas pessoas se apaixonam por assassinos

Pessoas atraídas por criminosos podem se tornar vítimas secundárias com danos emocionais, financeiros ou físicos; alguns são manipulados para cúmplices ou ajuda em fugas.
Criminosos transformados em celebridades alimentam ciclos que romantizam violência
Redes sociais e mídia amplificam a hibristofilia ao apresentar assassinos como ídolos sexuais.
Mark

Por que alguém se apaixonaria por alguém que cometeu crimes graves? Parece irracional.

Mimi

Parece, mas há padrões. Às vezes é a busca por emoção intensa, às vezes é confundir dominância com proteção. Outras vezes, a pessoa quer "salvar" alguém. Não é uma única resposta.

Mark

Mas isso afeta principalmente mulheres, certo?

Mimi

Não. Três homens no Reino Unido se tornaram tão obsessionados com uma assassina que ajudaram a esconder cadáveres. Sem antecedentes criminais antes disso. A atração pode arrastar qualquer pessoa para crime.

Mark

E as redes sociais pioram isso?

Mimi

Muito. TikTok transforma criminosos em celebridades. Vídeos sexualizam assassinos, minimizam o sofrimento das vítimas como se fosse piada. Cria um ambiente onde violência vira entretenimento.

Mark

Então as pessoas que se apaixonam por criminosos — elas são vítimas também?

Mimi

Podem ser. Sofrem danos emocionais, financeiros, até físicos. Alguns criminosos as manipulam conscientemente para conseguir cúmplices ou ajuda em fugas. São vítimas secundárias de um sistema que as coloca em risco.

Mark

O que muda se as pessoas entenderem isso?

Mimi

Se questionarem por que consomem essas histórias, se recusarem a curtir ou compartilhar conteúdo que romantiza violência, o ciclo enfraquece. Mas exige escolha consciente de cada usuário.

  • Hibristofilia: atração romântica/sexual por criminosos; pode ser passiva (admiração) ou ativa (colaboração em crimes)
  • Termo formalizado em 1986 pelo psicólogo John Money; não é classificada como doença nos manuais de psiquiatria
  • Causas incluem busca por emoções fortes, confusão entre dominância e proteção, desejo de salvar alguém, traumas pessoais
  • TikTok e mídia transformam criminosos em celebridades; pesquisadores identificaram sete padrões recorrentes em conteúdo viral
  • Admiradores podem se tornar vítimas secundárias com danos emocionais, financeiros ou físicos; alguns são manipulados para cúmplices

Hibristofilia é atração romântica/sexual por criminosos; pode ser passiva (admiração à distância) ou ativa (colaboração em crimes). Causas incluem busca por emoções fortes, confusão entre dominância e proteção, desejo de salvar alguém e traumas pessoais.

Cientistas estudam a hibristofilia, fenômeno de atração romântica por assassinos e criminosos. Não é doença, mas pode causar danos; redes sociais amplificam o problema ao romantizar infratores.

Durante o julgamento de Ted Bundy nos anos 1970, mulheres começaram a enviar cartas de teor romântico para um dos assassinos em série mais notórios dos Estados Unidos. Décadas depois, em plataformas como TikTok, vídeos apresentam criminosos violentos com a mesma reverência reservada a estrelas de cinema. O fenômeno tem nome: hibristofilia, um termo que vem do grego e descreve a atração romântica ou sexual por pessoas que cometeram crimes graves.

O psicólogo neozelandês John Money formalizou o conceito em 1986, embora a fascinação por "bad boys" seja muito mais antiga na história humana. A hibristofilia não consta nos manuais de psiquiatria como doença, mas seus efeitos são reais e potencialmente prejudiciais. Ela se manifesta de duas formas: na versão passiva, a pessoa admira de longe, escreve cartas, fantasia em transformar o criminoso através do amor. Na versão ativa ou agressiva, o admirador colabora ativamente com o parceiro para cometer crimes, servindo como cúmplice ou facilitador de fugas. Joyce Mitchell, funcionária de uma prisão em Nova York, exemplifica esse segundo tipo: em 2015, ajudou dois condenados a escapar.

Os pesquisadores ainda buscam explicações sólidas para o fenômeno. Algumas teorias apontam para a busca por emoções intensas e picos de adrenalina. Outras sugerem confusão entre a dominância que agressores exibem e a noção de força ou proteção. Há também o desejo de salvar alguém ferido, combinado com baixa autoestima, ausência de figura paterna, solidão ou traumas infantis. Porém, cientistas documentaram casos em mulheres bem-sucedidas, sem histórico de abuso, o que indica que não existe uma causa única. Fatores pessoais, culturais e sociais se entrelaçam de formas complexas.

As evidências científicas sobre hibristofilia permanecem escassas. A maioria das publicações é teórica ou anedótica. Recentemente, porém, pesquisadores começaram a coletar dados mais concretos. Um grupo analisou milhares de vídeos no TikTok e descobriu que criminosos eram frequentemente sexualizados ou romantizados. A descoberta mais perturbadora foi o que chamaram de "banalização do trauma": a minimização, muitas vezes apresentada como brincadeira, dos crimes e do sofrimento das vítimas. Quando Zac Efron interpretou Ted Bundy no cinema, o carisma do ator fez muitos esquecerem a gravidade dos assassinatos. Documentários, séries e a cobertura contínua nas redes sociais amplificam esse efeito, transformando criminosos em celebridades e a violência em entretenimento.

O fenômeno não é exclusivamente feminino. No Reino Unido, três homens se sentiram atraídos pela assassina Joanne Dennehy. A obsessão foi tão intensa que eles ajudaram a esconder cadáveres, enganar a polícia e planejar novos ataques. Nenhum tinha antecedentes criminais antes disso. Os juízes chamaram de "hibristofilia agressiva em homens", um rótulo que revela como a atração por um criminoso pode arrastar pessoas comuns para vidas de crime.

A Geração Z apresenta um padrão particularmente preocupante. Um estudo recente identificou sete ideias recorrentes em conteúdo viral: perdoar mais facilmente um criminoso se ele for atraente, confundir o ator com o assassino real, justificar crimes por infância difícil, idealizar o "garoto mau", fantasiar que ele proteja o parceiro, acreditar que o amor o transformará e brincar com violência como se fosse erótica. Em todos os casos, o infrator é elevado e a empatia flui para ele, não para as vítimas.

Do ponto de vista da vitimologia, os admiradores de criminosos podem se tornar vítimas secundárias, expostos a danos emocionais, financeiros ou físicos. Alguns criminosos exploram conscientemente esses sentimentos para conseguir cúmplices, apoio logístico ou ajuda em fugas. Redes de apoio romântico prosperam tanto fora quanto dentro das prisões, onde fóruns sobre crimes reais funcionam como comunidades onde pessoas compartilham fotos, justificam crimes e competem sobre quem escreve mais cartas a um preso.

O que a sociedade pode fazer? Questionar como consome essas histórias. Perguntar quem ganha e quem perde com cada tendência viral. Dar mais espaço às vítimas e à prevenção do que ao brilho do criminoso. Quando um conteúdo provoca fascínio por alguém perigoso, parar e examinar por quê. Nas redes sociais, recusar-se a recompensar com curtidas ou compartilhamentos material que idealize a violência. A escolha de cada usuário reforça ou desafia o ciclo que transforma assassinos em ídolos.

A atração por um criminoso pode arrastar pessoas comuns para uma vida de crime
— Análise do caso de Joanne Dennehy no Reino Unido
A banalização do trauma: minimização, muitas vezes lúdica, dos crimes e do sofrimento das vítimas
— Pesquisadores que analisaram vídeos do TikTok
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