Numa segunda-feira de agosto de 2022, o protocolo Nomad, uma ponte que permite que tokens circulem entre blockchains diferentes, viu cerca de US$ 200 milhões escorrerem de suas reservas em um assalto que não veio como um golpe único, mas como uma sequência paciente de retiradas pequenas. Como tantas construções que prometem unir mundos separados, a ponte acumulava um tesouro justamente por guardar o que outros lhe confiaram, e foi uma falha no seu próprio software que abriu a porta para quem soube enxergá-la. Agora o caso repousa nas mãos de investigadores forenses, que tentarão nomear os auto
Hackers roubam cerca de US$ 200 milhões de bridge de criptomoedas Nomad em ataque em lotes
Contas diferentes foram retirando dinheiro em pequenos lotes, durante horas
Então o Nomad perdeu US$ 200 milhões. Como isso aconteceu, na prática?
Havia um bug que deixava os usuários retirar mais do que tinham depositado. Quem percebeu foi sacando, em pequenos lotes, durante horas.
E foi um único hacker?
Não parece. Tom Robinson, da Elliptic, diz que mais de 40 outros exploradores copiaram o ataque depois do primeiro, incluindo bots e operadores independentes.
Vale separar as coisas: o valor de US$ 200 milhões vem da PeckShield, é uma estimativa de uma empresa. E o relato do bug e dos 40 exploradores vem de Robinson. A reportagem não traz confirmação do Nomad sobre esses números.
Por que as bridges são tão visadas?
Gupta, da Polygon, aponta dois motivos: o software é complexo e propenso a erros, e elas guardam muitos ativos.
Isso é um padrão?
A Elliptic contou mais de US$ 1 bilhão roubado de bridges em 2022 até junho. Ronin perdeu cerca de US$ 600 milhões em março, e a Horizon, US$ 100 milhões em junho.
E o que ainda não sabemos é quem são os responsáveis, se os fundos podem ser recuperados e qual era exatamente o bug. A empresa só diz que quer identificar as contas e rastrear o dinheiro.
Então o que observar daqui para frente?
O resultado da investigação forense e se algum valor retorna ao protocolo.
The Pulse
- Um bug de software permitiu sacar mais ativos do que os depositados, e a brecha foi explorada em lotes miúdos ao longo de horas.
- Mais de 40 outros exploradores, entre bots e operadores independentes, replicaram o ataque e esvaziaram a ponte em ritmo acelerado.
- A empresa acionou firmas de inteligência e forense em blockchain para rastrear as contas envolvidas e tentar recuperar os fundos.
- O Nomad soma-se a uma série de bridges atingidas em 2022, após Ronin e Horizon, e o desfecho depende agora de os investigadores identificarem os autores e de algum dinheiro voltar ao protocolo.
Numa segunda-feira de agosto de 2022, o protocolo Nomad, uma ponte que permite que tokens circulem entre blockchains diferentes, viu cerca de US$ 200 milhões escorrerem de suas reservas em um assalto que não veio como um golpe único, mas como uma sequência paciente de retiradas pequenas. Como tantas construções que prometem unir mundos separados, a ponte acumulava um tesouro justamente por guardar o que outros lhe confiaram, e foi uma falha no seu próprio software que abriu a porta para quem soube enxergá-la. Agora o caso repousa nas mãos de investigadores forenses, que tentarão nomear os autores e, quem sabe, devolver ao sistema parte do que lhe foi tomado.
Na segunda-feira, contas diferentes começaram a retirar dinheiro do Nomad em pequenos lotes, e ao fim de algumas horas a bridge, o protocolo que transfere tokens entre blockchains, havia perdido cerca de US$ 200 milhões, segundo a PeckShield. Não foi um golpe único, mas uma série repetida e fracionada de saques.
Uma bridge funciona como uma ponte entre redes que, de outro modo, ficariam isoladas. Para que uma criptomoeda opere em outra rede, ela é embrulhada, e isso exige reservas que sustentem as moedas embrulhadas. Esse acúmulo de ativos atrai quem consiga explorar uma falha. No caso do Nomad, o problema era um bug de software que permitia retirar mais do que o depositado. Depois do primeiro ataque, mais de 40 outros exploradores, entre bots e operadores independentes, repetiram a operação e esgotaram a bridge com rapidez.
O episódio é o mais recente de uma série. Segundo a Elliptic, mais de US$ 1 bilhão já fora roubado de bridges em 2022, incluindo os cerca de US$ 600 milhões da Ronin, da Axie Infinity, em março, e os US$ 100 milhões da Horizon, da Harmony, em junho. Especialistas apontam que a complexidade desse software favorece erros e que o volume de ativos sob custódia torna essas estruturas alvos atraentes.
O Nomad informou que investiga o caso com as principais empresas de forense e inteligência em blockchain, com o objetivo de identificar as contas, rastrear os fundos e recuperá-los. O próximo passo cabe aos investigadores: dizer se os responsáveis podem ser identificados e se algum recurso retornará ao protocolo.
Na segunda-feira, durante horas, contas diferentes foram retirando dinheiro do Nomad em pequenos lotes. Quando o movimento terminou, o protocolo de bridge, usado para transferir tokens entre blockchains, havia perdido cerca de US$ 200 milhões, segundo a empresa de segurança PeckShield. Os dados do blockchain mostram que o sistema foi atacado de forma repetida e fracionada, e não em um único golpe.
Uma bridge é um software que permite a diferentes blockchains e seus tokens operarem em conjunto, em vez de ficarem isolados em silos. Para converter uma moeda em outra, o serviço normalmente "embrulha" a criptomoeda, de modo que ela funcione em outra rede. Isso exige que a ponte mantenha reservas para sustentar as moedas embrulhadas, o que forma um enorme conjunto de ativos à disposição de quem consiga explorar uma falha.
Foi justamente uma falha que abriu a porta no caso do Nomad. Tom Robinson, cofundador da empresa de forense Elliptic, afirmou que o protocolo tinha um bug de software que permitia aos usuários retirar mais ativos do que haviam depositado na bridge. Segundo ele, depois do hack inicial, mais de 40 outros exploradores, entre bots MEV, flashbots e operadores independentes, replicaram o ataque de um jeito que esgotou rapidamente a bridge.
Em comunicado, o Nomad disse que há uma investigação em andamento e que as principais empresas de inteligência e forense de blockchain foram acionadas. O objetivo, afirmou a empresa, é identificar as contas envolvidas, rastrear e recuperar os fundos.
O episódio faz do Nomad a mais recente bridge atingida este ano. Esse tipo de software virou vítima frequente de ataques: segundo relatório de junho da Elliptic, mais de US$ 1 bilhão já havia sido roubado de bridges em 2022. Em março, a bridge Ronin, da Axie Infinity, perdeu cerca de US$ 600 milhões, e em junho a Horizon, da Harmony, foi drenada em US$ 100 milhões.
Mudit Gupta, diretor de segurança da informação da Polygon, apontou duas razões para a vulnerabilidade desses sistemas. A complexidade do software de bridge pode levar a erros que o tornam explorável, e, como elas controlam grandes quantidades de ativos, tornam-se alvos atraentes para hackers.
O ataque veio dias depois de o Nomad, que se descreve como um protocolo de mensagens de cadeia cruzada do tipo "first-security", divulgar a lista completa de investidores de sua rodada inicial de US$ 22 milhões. A rodada foi liderada pela Polychain Capital e teve também Ethereal Ventures, Hack VC, Coinbase Ventures e Crypto.com Capital.
O próximo passo está nas mãos das firmas de forense contratadas: dizer se as contas que sacaram os fundos podem ser identificadas e se algum dinheiro volta ao protocolo.
Notable Quotes
Após o hack inicial, mais de 40 outros exploradores replicaram o ataque de uma maneira que rapidamente esgotou a bridge.— Tom Robinson, cofundador da Elliptic
O objetivo da Nomad é identificar as contas envolvidas, rastrear e recuperar os fundos.— Comunicado do Nomad