Na última sexta-feira à noite, um temporal de proporções históricas varreu Guariba, no interior paulista, com ventos de 160 km/h que destruíram cerca de 70% das estruturas da cidade — um evento que o próprio prefeito atribui às mudanças climáticas e que a região jamais havia vivenciado. O que restou não é apenas escombros e árvores caídas, mas a evidência de que fenômenos antes excepcionais tornam-se cada vez mais rotineiros, impondo às comunidades o peso de reconstruir não só casas, mas a confiança no amanhã. Com R$ 46 milhões em danos estimados e cinco anos e meio de reconstrução projetados,
Guariba fica 70% destruída após temporal, estima prefeito
Estou com 70% da cidade destruída
Como uma cidade inteira chega a esse ponto de destruição em poucas horas?
Ventos de 160 quilômetros por hora não deixam muita coisa de pé. Quando você tem isso combinado com chuva forte e granizo, as estruturas que não foram feitas para resistir a isso simplesmente desabam. Guariba não estava preparada porque nunca tinha passado por algo assim.
O prefeito culpa as mudanças climáticas. Isso é uma conclusão precipitada ou há algo real aí?
Ele está observando que o inverno em Guariba é normalmente seco, que eventos assim não aconteciam antes. Pode ser precipitado chamar um evento isolado de prova definitiva, mas o padrão de eventos climáticos extremos está mudando. O que importa agora é que a cidade precisa se reconstruir.
Cinco anos e meio para reconstruir uma cidade de 38 mil pessoas. Isso parece realista?
Depende do que você entende por reconstrução. Os 46 milhões de reais que o prefeito pediu ao governo cobrem os trabalhos de recuperação, mas há muito trabalho que vai além disso — reconstruir prédios públicos, infraestrutura. É um processo em camadas, não uma coisa que se resolve rápido.
E as pessoas? Como fica a vida delas enquanto isso?
Cinco mil crianças sem escola. Quatro unidades de saúde fechadas. Um centro para pessoas em situação de rua destruído. A vida segue, mas de forma muito mais difícil. O governo estadual mandou cestas básicas e cobertores, mas isso é o mínimo. A reconstrução social é tão importante quanto a física.
Ribeirão Preto foi menos atingida?
Bem menos. Lá o percentual sem energia era de 0,43% na segunda-feira, enquanto em Guariba era 8%. Mas Ribeirão Preto também sofreu — 21,2 milhões de reais em limpeza e corte de árvores. A diferença é que Guariba levou o impacto cheio.
O que vem agora?
Agora é a fase de reconstrução mesmo. A fase aguda — as árvores caídas, as ruas bloqueadas, a falta de energia — isso passa. Mas a reconstrução de prédios, de infraestrutura, de normalidade: isso é um trabalho de anos. E enquanto isso, a cidade precisa funcionar.
El Pulso
- Ventos de 160 km/h, granizo e chuva intensa destruíram 70% de Guariba em uma única noite, em escala que o prefeito classificou como sem precedentes na região.
- Cinco mil alunos ficaram sem aula, quatro unidades de saúde foram fechadas e um centro de acolhimento para pessoas em situação de rua foi completamente demolido pelo temporal.
- Quase 1.350 residências ainda estavam sem energia elétrica na segunda-feira, enquanto ruas bloqueadas por escombros e árvores dificultavam o acesso a serviços essenciais.
- O prefeito se reuniu com o vice-presidente Alckmin e o governador Tarcísio de Freitas para negociar recursos, apresentando uma conta de R$ 46 milhões e um cronograma de reconstrução de cinco anos e meio.
- O governo estadual enviou 11,5 mil itens de ajuda humanitária aos municípios afetados, e Guariba abriu uma chave Pix para receber doações da população.
Na última sexta-feira à noite, um temporal de proporções históricas varreu Guariba, no interior paulista, com ventos de 160 km/h que destruíram cerca de 70% das estruturas da cidade — um evento que o próprio prefeito atribui às mudanças climáticas e que a região jamais havia vivenciado. O que restou não é apenas escombros e árvores caídas, mas a evidência de que fenômenos antes excepcionais tornam-se cada vez mais rotineiros, impondo às comunidades o peso de reconstruir não só casas, mas a confiança no amanhã. Com R$ 46 milhões em danos estimados e cinco anos e meio de reconstrução projetados, Guariba passa a ser mais um capítulo na longa história humana de enfrentar a natureza transformada pela própria ação do homem.
Na sexta-feira à noite, um temporal devastador atingiu Guariba, cidade de 38,7 mil habitantes no interior de São Paulo, com ventos de 160 km/h, chuva forte e granizo. O prefeito Francisco Dias Mançano estimou que 70% do município sofreu danos — casas com avarias variadas e prédios públicos completamente destruídos. "A maior parte dos endereços teve danos de considerável monta", afirmou.
O impacto foi além das estruturas físicas: cerca de cinco mil alunos ficaram sem aula, quatro unidades de saúde permaneceram fechadas e um centro de atendimento a pessoas em situação de rua foi destruído. Na segunda-feira, mais de 1.350 clientes ainda aguardavam o retorno da energia elétrica, enquanto equipes da CPFL Paulista trabalhavam para restaurar o fornecimento.
Mançano se reuniu com o vice-presidente Geraldo Alckmin e o governador Tarcísio de Freitas para discutir a recuperação. A estimativa de danos chega a R$ 46 milhões, com reconstrução projetada para cinco anos e meio. O prefeito atribuiu o evento às mudanças climáticas, ressaltando que o inverno é normalmente seco na região e que nada semelhante havia ocorrido antes.
Ribeirão Preto, município vizinho também afetado, começou a se normalizar na segunda-feira. O prefeito Ricardo Silva estimou em R$ 21,2 milhões os gastos imediatos com limpeza e corte de árvores, valor que não contempla a reconstrução da infraestrutura urbana. "A fase mais aguda está passando e, a partir de agora, é uma fase de reconstrução", disse.
O governo estadual enviou 11,5 mil itens de ajuda humanitária — cestas básicas, colchões, cobertores, kits de higiene e água potável — aos municípios atingidos. Guariba também abriu uma chave Pix para receber doações, enquanto a administração municipal concentra esforços na limpeza das ruas e na manutenção dos serviços de assistência social.
Na sexta-feira à noite, um temporal desabou sobre Guariba, uma cidade de 38,7 mil habitantes a 340 quilômetros de São Paulo, deixando atrás de si um rastro de destruição que o prefeito Francisco Dias Mançano (MDB) estima em 70% do município. Ventos que atingiram 160 quilômetros por hora, acompanhados de chuva intensa e granizo, danificaram casas e edifícios públicos em escala que Mançano descreveu como sem precedentes na região. "Estou com 70% da cidade destruída. São casas com danos variados e prédios públicos destruídos", disse o prefeito à Folha. "A maior parte dos endereços teve danos de considerável monta."
O impacto se estendeu para além das estruturas físicas. Cerca de cinco mil alunos da rede municipal ficaram sem aulas. Quatro unidades de saúde permaneceram fechadas. Um centro de atendimento para pessoas em situação de rua foi completamente destruído. As ruas da cidade ficaram obstruídas por árvores caídas e escombros, exigindo limpeza imediata. Na segunda-feira, quando as equipes da concessionária CPFL Paulista ainda trabalhavam para restaurar a energia elétrica, quase 1.350 clientes seguiam sem fornecimento — cerca de 8% do total de 16,9 mil.
Mançano reuniu-se com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) em Ribeirão Preto e com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em Guariba para discutir a recuperação. Apresentou uma estimativa de 46 milhões de reais necessários para os trabalhos de reconstrução, um processo que projeta levar cinco anos e meio. O prefeito atribui o evento às mudanças climáticas, observando que Guariba nunca havia enfrentado algo semelhante e que o inverno é normalmente um período seco na região. "As mudanças climáticas estão acontecendo por causa dos danos que o homem tem causado à natureza", afirmou.
Em Ribeirão Preto, município vizinho também atingido pelo temporal, o prefeito Ricardo Silva (PSD) relatou que a situação começou a se normalizar na segunda-feira com a restauração da energia para a maioria da população e a desobstrução de vias. Porém, Silva deixou claro que o processo de reconstrução será longo. A prefeitura estimou em 21,2 milhões de reais os gastos imediatos com limpeza de ruas e corte de árvores, valor que não inclui os recursos necessários para reconstruir a infraestrutura urbana danificada. "Agora a gente pôde dar uma respirada, mas vamos ter muito trabalho pela frente. A fase mais aguda está passando e, a partir de agora, é uma fase de reconstrução", disse Silva.
O governo estadual de São Paulo anunciou reforço na assistência às famílias afetadas. Cerca de 11,5 mil itens foram destinados aos municípios de Ribeirão Preto, Guariba, Taquaritinga, Dumont e Pradópolis — cestas básicas, colchões, cobertores, kits de higiene e limpeza, água potável e roupas. Guariba também criou uma chave Pix para receber doações (doe@guariba.sp.gov.br). As prioridades imediatas da administração municipal incluem a limpeza das ruas e a manutenção dos serviços de assistência social, enquanto a cidade enfrenta a perspectiva de uma reconstrução que se estenderá por anos.
Citas Notables
As mudanças climáticas estão acontecendo por causa dos danos que o homem tem causado à natureza— Prefeito Francisco Dias Mançano
Agora a gente pôde dar uma respirada, mas vamos ter muito trabalho pela frente. A fase mais aguda está passando e, a partir de agora, é uma fase de reconstrução— Prefeito Ricardo Silva, de Ribeirão Preto