No movimento contínuo de reconfiguração do varejo brasileiro, o Carrefour se desfaz de 21 lojas de proximidade para concentrar forças nos grandes formatos que considera estratégicos, enquanto o Grupo Pereira — empresa familiar catarinense — atravessa uma fronteira simbólica ao desembarcar no mercado supermercadista paulista pela primeira vez. A transação, estimada em R$ 360 milhões e ainda sujeita à aprovação do Cade, revela como empresas de diferentes portes e origens redefinem seus territórios num setor onde escala e foco se tornaram imperativos de sobrevivência.
Grupo Pereira compra 21 lojas Carrefour Bairro por R$ 360 mi e estreia em SP
Carrefour aposta tudo em grandes formatos e deixa o bairro para trás
Por que o Carrefour está vendendo essas lojas agora? Parece uma mudança de estratégia bastante clara.
É exatamente isso. O Carrefour quer focar em grandes formatos — hipermercados, atacarejo, clube de compras. As lojas de bairro, menores, não encaixam mais na visão de futuro deles.
Mas a gente sabe o preço real? R$ 360 milhões é uma estimativa de mercado, não confirmação oficial. O Carrefour não divulgou nada.
Verdade. É o que o mercado acredita que foi pago, mas não é número oficial.
E para o Grupo Pereira, o que muda com essa compra?
Muda tudo. Eles entram em São Paulo pela primeira vez no varejo supermercadista. Até agora só tinham atacado lá. É uma expansão geográfica e de formato ao mesmo tempo.
Mas eles já têm experiência com supermercados em outros lugares?
Sim, no Distrito Federal. Lá já operam com a bandeira Comper. Agora vão replicar isso em São Paulo.
Quanto tempo até isso ficar pronto?
Depende do Cade. Precisa de aprovação antes de qualquer coisa sair do papel.
E se o Cade disser não?
Aí o negócio não acontece. Mas não há sinais de que isso vá ocorrer.
O Pulso
- O Carrefour, maior varejista de supermercados do Brasil, decide abrir mão de 21 lojas de bairro porque o formato de proximidade não figura entre suas apostas de crescimento no país.
- R$ 360 milhões mudam de mãos numa negociação que ainda aguarda o aval do Cade para se tornar definitiva — uma incerteza regulatória que mantém o desfecho em suspenso.
- O Grupo Pereira rompe uma barreira histórica: pela primeira vez, a rede familiar do Sul do Brasil entra no disputado e rentável mercado supermercadista de São Paulo, com 15 lojas de uma só vez.
- No Distrito Federal, a aquisição de seis unidades soma-se às lojas de atacado que o grupo já opera lá, consolidando uma presença regional mais robusta sob a bandeira Comper.
- Com 194 unidades, 24 mil funcionários e R$ 17,5 bilhões em faturamento anual, o Grupo Pereira sinaliza que sua expansão geográfica está longe de ter chegado ao limite.
No movimento contínuo de reconfiguração do varejo brasileiro, o Carrefour se desfaz de 21 lojas de proximidade para concentrar forças nos grandes formatos que considera estratégicos, enquanto o Grupo Pereira — empresa familiar catarinense — atravessa uma fronteira simbólica ao desembarcar no mercado supermercadista paulista pela primeira vez. A transação, estimada em R$ 360 milhões e ainda sujeita à aprovação do Cade, revela como empresas de diferentes portes e origens redefinem seus territórios num setor onde escala e foco se tornaram imperativos de sobrevivência.
O Carrefour vendeu 21 lojas da bandeira Carrefour Bairro ao Grupo Pereira por cerca de R$ 360 milhões — valor estimado pela Abras e não confirmado oficialmente pela rede francesa. O negócio, que ainda depende de aprovação do Cade, transfere 15 unidades em São Paulo e seis no Distrito Federal para a sétima maior rede supermercadista do Brasil.
Para o Grupo Pereira, empresa familiar sediada em Santa Catarina, a aquisição representa uma estreia histórica no varejo supermercadista paulista. Até agora, a companhia operava em São Paulo apenas com formatos de atacado — Atacado Bate Forte, Fort Atacadista e Farmácia SempreFort. As novas lojas serão incorporadas à bandeira Comper. No Distrito Federal, onde o grupo já mantém seis unidades de atacado sob a marca Fort, a chegada de mais seis supermercados aprofunda uma presença já estabelecida.
Do lado do Carrefour, a venda segue uma lógica clara de foco estratégico: a empresa está concentrando investimentos nos grandes formatos — Atacadão, hipermercados e Sam's Club — e, no segmento de proximidade, pretende operar exclusivamente pelo Carrefour Express. Em maio, o CEO Pablo Lorenzo já havia sinalizado que as lojas de bairro têm peso pequeno na estratégia brasileira do grupo.
Com 194 unidades de negócio, 24 mil funcionários e faturamento anual de R$ 17,5 bilhões, o Grupo Pereira entra em São Paulo num dos mercados mais competitivos do país. A forma como a empresa se posicionará nesse novo território será um dos movimentos mais observados do varejo brasileiro nos próximos meses.
O Carrefour, maior varejista de supermercados do Brasil, vendeu 21 lojas da bandeira Carrefour Bairro ao Grupo Pereira, sétima maior rede supermercadista do país em faturamento. Segundo estimativas de mercado divulgadas pela Abras (Associação Brasileira de Supermercados), a transação movimentou aproximadamente R$ 360 milhões, embora o Carrefour não tenha confirmado oficialmente o valor. O negócio ainda depende de aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) antes de ser finalizado.
Das 21 unidades transferidas, 15 ficam localizadas em São Paulo e seis no Distrito Federal. Para o Grupo Pereira, empresa de origem familiar sediada em Santa Catarina, a aquisição marca um passo estratégico importante: é a estreia da companhia no varejo supermercadista de São Paulo, onde até agora operava apenas com formatos de atacado sob as bandeiras Atacado Bate Forte, Fort Atacadista e Farmácia SempreFort. No Distrito Federal, a operação reforça uma presença já estabelecida, adicionando dez lojas de supermercado à bandeira Comper às seis unidades de atacado que o grupo já mantém lá sob a marca Fort.
O Carrefour justificou a venda como parte de um processo contínuo de revisão e otimização de seu portfólio, alinhado às prioridades estratégicas do negócio. A empresa francesa está concentrando seus esforços nos grandes formatos: o Atacadão (atacarejo), o Carrefour (hipermercado) e o Sam's Club (clube de compras). Para o segmento de proximidade, a estratégia do grupo é operar exclusivamente através das lojas Carrefour Express. Em maio deste ano, Pablo Lorenzo, CEO do Grupo Carrefour Brasil e América Latina, havia declarado à imprensa que as lojas de proximidade representam um peso pequeno para a companhia e não são vistas como um eixo de grande crescimento estratégico no Brasil.
O Grupo Pereira, que reúne 194 unidades de negócio e emprega 24 mil pessoas, tem faturamento anual de R$ 17,5 bilhões segundo o ranking da Abras. A empresa é de origem familiar e sua expansão através da bandeira Comper em São Paulo representa uma diversificação geográfica significativa para um grupo que historicamente concentrou suas operações no Sul e Centro-Oeste do país. A conclusão desta transação sinalizará como o Grupo Pereira pretende competir no mercado supermercadista paulista, um dos mais disputados e rentáveis do Brasil.
Citações Notáveis
A operação faz parte do processo contínuo de revisão e otimização do portfólio da companhia, com foco em eficiência, complementaridade entre os formatos e alocação de recursos de acordo com as prioridades estratégicas do negócio— Carrefour, em comunicado oficial
Não é algo que vemos como um eixo de grande crescimento estratégico no Brasil— Pablo Lorenzo, CEO do Grupo Carrefour Brasil e América Latina, sobre lojas de proximidade